Momento patriota

Nada a ver com Tomás. Mas para pensar.

Tomás responde: As provas que Cristo apresentou demonstraram suficientemente a verdade de sua ressurreição?

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Pietro Perugino (1448-1523), Ressurreição

Parece que as provas que Cristo apresentou não demonstraram suficientemente a verdade de sua ressurreição:

1. Na verdade, após a ressurreição, Cristo nada mostrou aos discípulos que também os anjos, ao aparecer aos homens, ou não tenham mostrado, ou não tenham podido mostrar. Com efeito, frequentemente os anjos se mostraram com aparência humana aos homens e com eles falavam e se entretinham, com eles comiam, como se fossem realmente homens, como no episódio dos anjos que Abraão recebeu como hóspedes, ou do anjo que levou Tobias e o trouxe de volta. Ora, apesar disso, os anjos não tem um corpo verdadeiro unido a eles por natureza; o que é necessário para a ressurreição. Logo, os sinais que Cristo apresentou aos discípulos não foram suficientes para demonstrar sua ressurreição.

2. Além disso, Cristo ressuscitou de modo glorioso, ou seja, numa natureza humana com glória. Ora, Cristo mostrou algumas coisas aos discípulos que parecem contrárias à natureza humana, como o fato de desaparecer da vista deles, ou de entrar estando as portas fechadas. Outras, porém, parecem contrárias à glória, como, por exemplo, ter comido e bebido, ou continuar com as cicatrizes das feridas. Logo, parece que as provas não foram suficientes nem convenientes para o fim de demonstrar a fé na ressurreição.

3. Ademais, o corpo de Cristo depois da ressurreição era tal que não devia ser tocado pelo homem mortal; por isso, ele mesmo disse a Madalena: “Não me toques! Pois eu ainda não subi para o meu Pai”. Portanto, não foi conveniente que, para demonstrar a realidade de sua ressurreição, ele se expusesse a ser tocado pelos discípulos.

4. Ademais, entre os dotes de um corpo glorificado, a claridade parece ser o principal. Ora, Cristo, na ressurreição, não a demonstrou com prova alguma. Logo, parece que aquelas provas foram insuficientes para demonstrar a qualidade da ressurreição de Cristo.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, Cristo, que é a Sabedoria de Deus, “com suavidade” e de modo conveniente “dispõe todas as coisas”, como diz o livro da Sabedoria (8, 1).

tomas_respondoCristo demonstrou sua ressurreição de dois modos, ou seja, pelo testemunho e pela prova, ou sinal. Ambas as demonstrações foram suficientes em seu gênero.

Para manifestar sua ressurreição aos discípulos, ele fez uso de dois testemunhos, nenhum dos quais pode ser impugnado. O primeiro é o testemunho dos anjos, que anunciaram a ressurreição às mulheres, como se vê em todos os evangelistas. O outro é o testemunho das Escrituras, que ele próprio apresentou para demonstrar sua ressurreição, como se lê no Evangelho de Lucas (24, 25-27. 44-48).

As provas também foram suficientes para demonstrar que a ressurreição era não só verdadeira como gloriosa. Quanto a ser uma verdadeira ressurreição, ele o demonstrou, de uma parte, com relação a seu corpo, considerando três aspectos. Primeiro, que era um verdadeiro corpo sólido, não um corpo fantástico ou rarefeito, como o ar. Demonstrou isso ao deixar que seu corpo fosse tocado, quando ele próprio diz “Tocai-me, olhai; um espírito não tem carne nem ossos como vós vedes que eu tenho” (Lc 24, 39). Segundo, mostrou que Leia mais deste post

Pelo fim do eco-alarmismo

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Físico do MIT clama pelo fim do “doutrinamento com doidices” do alarmismo climático

O físico da atmosfera Richard S. Lindzen, professor emérito da cátedra Alfred P. Sloan de Meteorologia no famoso Massachusetts Institute of Technology (MIT), voltou a refutar com abundante documentação os mitos catastrofistas contidos no pânico do “aquecimento global”, informou o jornal The Telegram, de Worcester, Massachusetts.

Na sua palestra, intitulada “Aquecimento Global ou Alarmismo Climático?”, ele desfez as demagógicas manchetes midiáticas que anunciam que “o mundo está chegando a seu fim”.

Isso absolutamente não está acontecendo, disse o Prof. Lindzen.

Um “aumento completamente insignificante” da temperatura global num décimo de grau centígrado constatado em 2016 serviu para o banzé midiático aterrorizar o mundo com a afirmação de que foi “o ano mais quente desde que se tem registro”.

Ele mostrou gráficos de oscilações da temperatura global acontecidas ao longo dos séculos e sublinhou que ditas oscilações são perfeitamente normais.

“A relação entre um modesto aquecimento e uma catástrofe que paira sobre nós é algo gritantemente falso”, disse Lindzen.

Ele alertou também contra o “doutrinamento das jovens gerações com doidices dessas”.

Os mares subiram de nível nos últimos 10 mil anos, a mudança climática é cí clica e natural, o aumento de CO2 por causa humana desde o início da Revolução Industrial é contestável.

Essas e outras “histerias” existem por causa de uma maliciosa “guerra pela energia” montada por propagandistas das esquerdas, que promovem “qualquer outra fonte de energia desde que não preste”.

Ele citou o — aliás, imoral — princípio de política formulado por H.L. Mencken: “Toda a arte da praxe política é manter a população alarmada e lhe prometer proteção contra uma série intérmina de espantalhos, a maioria deles fantasiosos”.

Chegou a hora de pôr um freio a todo esse alarmismo com a mudança climática, defendeu Lindzen.

O discurso do especialista pode ter parecido provocativo, considerando que falava na presença de rabinos, de um ex-diretor de pesquisas do câncer da Escola de Medicina da Universidade de Boston e de um bom número de estudantes da Universidade Clark, vários deles engajados nas posições opostas.

O rabino Chaim Fishman, por exemplo, perguntou-lhe demagogicamente para onde irão os ursos brancos quando derreterem os últimos blocos de gelo sobre os quais eles aparecem nas fotos.

O Dr. Lindzen respondeu que o número de ursos polares está crescendo tanto, que o governo canadense, ambientalista ele próprio, autorizou sua caça.

Acresce-se que eles não moram sobre os blocos de gelo, mas ficam sobre eles à espreita de suas vítimas, em geral focas e outros animais marinhos. Também são grandes nadadores predadores, que não se incomodam de andar de um iceberg a outro para devorar esses animais quando estão reunidos ou repousando.

Acresce-se ainda que os icebergs não estão desaparecendo, mas apenas derretem ciclicamente nos verões polares, sendo a objeção carente de conhecimentos básicos.

Fonte: Blog do Yuri

Entrevista: um socialista contra o aborto

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Noberto Bobbio, filósofo, socialista e sem religião e contrário ao aborto

O filósofo socialista italiano Norberto Bobbio (1909-2004) deu uma entrevista ao jornal “Il Corriere della Sera” em 8 de maio de 1981, quando a Itália levantou a hipótese de legalização do aborto. Bobbio mostrou naquela época que se pode ser socialista e ser contra o aborto. Além disso, para ele, o irracional é ser a favor, seja qual for a escolha ideológica. Por seu extraordinário interesse no momento presente, reproduzimos a substância da entrevista. 

“Eu estou surpreso que os leigos deixem aos crentes o privilégio e a honra de dizer que não se deve matar”, disse o filósofo socialista italiano Norberto Bobbio (1909-2004) em entrevista ao Il Corriere della Sera em maio de 1981, quando se pleiteou na Itália uma eventual legalização do aborto.

 Bobbio demonstrou como se pode ser socialista e mesmo assim ser contra o aborto. Além disso, para ele, é irracional ser a favor do aborto, seja qual for a escolha ideológica. Por seu extraordinário interesse no momento presente, e o efeito de suas palavras, apesar da passagem do tempo, aqui reproduzimos o essencial dessa entrevista.

 Norberto Bobbio: Eu não gosto de falar sobre este tema do aborto. É um problema muito difícil, um problema típico em que estamos diante de um conflito de direitos e deveres.

Corriere della Sera : Quais são os direitos e deveres que estão em conflito? Leia mais deste post

Até o diabo está vendo

Cristãos: os mais perseguidos em todo o Mundo

Artigo do jornal 

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Não são uma causa mediática para os meios “bem-pensantes” do politicamente correcto do Ocidente, mas os cristãos voltaram a ser em 2016 as pessoas mais perseguidas do planeta. Esmagados entre a agressividade do Islão político e a violência do comunismo ressurgente, os seguidores de Cristo por esse mundo tampouco encontram consolo e amparo no Ocidente, que ignora quase totalmente o seu sofrimento.

O centenário das aparições de Fátima aproxima-se e o mundo cristão mobiliza-se para comparecer nas celebrações. No entanto, nem nos tempos da Roma pagã ou no auge do comunismo estalinista a perseguição aos cristãos atingiu os níveis de hoje.

O recente atentado contra uma igreja no Egipto, no qual morreram 44 cristãos, é apenas mais um exemplo da perseguição constante aos milhões de fiéis que vivem fora do Ocidente. Para os cristãos que praticam a sua religião fora da Europa e da América, a Páscoa é sempre um período de ansiedade, visto que os extremistas islâmicos se habituaram a marcar a festa maior do Cristianismo com ataques sangrentos a locais de culto.

A Igreja Católica, as várias Igrejas Protestantes, as Nações Unidas e muitas organizações de acompanhamento alertam para a realidade da perseguição e violência de que são alvo os cristãos no mundo há muitos anos.

Tomás responde: A Sagrada Escritura deve se utilizar de metáforas?

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Catedral de Notre Dame, Adão, Eva e a serpente

Parece que a Sagrada Escritura não deve se utilizar de metáforas:

1. Na verdade, o que é próprio de uma doutrina bem inferior não parece convir a esta ciência, que, como já disse, ocupa o lugar mais alto. Ora, o emprego de imagens diversas e de representações sensíveis é próprio da poética, que ocupa o último lugar entre todas as ciências. Logo, não convém à ciência sagrada usar tais imagens.

2. Além disso, a doutrina sagrada parece ter por finalidade manifestar a verdade; por isso, aos que a manifestam é prometida uma recompensa: “Os que me explicam alcançarão a vida eterna”, diz a Sabedoria no livro do Eclesiástico (24, 31). Ora, tais imagens escondem a verdade. Logo, não convém a esta doutrina apresentar realidades divinas sob imagens do mundo corporal.

3. Ademais, quanto mais sublimes são algumas criaturas, mais se aproximam da semelhança com Deus. Portanto, se algo das criaturas deve ser transposto para Deus, tal transposição há de ser feita a partir das criaturas mais nobres, e não das ínfimas, o que no entanto se encontra com frequência nas Escrituras.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, Deus diz em Oséias: “Falarei aos profetas e multiplicarei as visões, e pelos profetas falarei em parábolas” (12, 10). Ora, apresentar uma verdade mediante imagens é usar metáforas. Logo, convém à doutrina sagrada empregar metáforas.

tomas_respondoConvém à Sagrada Escritura nos transmitir as coisas divinas e espirituais mediante imagens corporais. Deus provê a tudo de acordo com a natureza de cada um. Ora, é natural ao homem elevar-se ao inteligível pelo sensível, porque todo o nosso conhecimento se origina a partir dos sentidos. É, então, conveniente que na Escritura Sagrada as realidades espirituais nos sejam transmitidas por meio de metáforas corporais. É o que diz Dionísio: “O raio da luz divina só pode refulgir para nós envolvido na diversidade dos véus sagrados”.

Além do mais, a Escritura sendo proposta geralmente a todos, segundo se diz na Carta aos Romanos: “Sou devedor… às pessoas cultas como às ignorantes” (1, 14), é-lhe conveniente apresentar as realidades espirituais mediante imagens corporais, a fim de que as pessoas simples as compreendam; elas que não estão aptas a apreender por si mesmas as realidades inteligíveis.

Quanto às objeções iniciais, portanto, deve-se dizer que: Leia mais deste post

Tomás responde: A doutrina sagrada é mais excelente que outras ciências?

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Peter Paul Rubens (1577-1640), São Jerônimo

Parece que a doutrina sagrada não é mais excelente que outras ciências:

1. Com efeito, a certeza faz parte da excelência da ciência. Ora, as outras ciências, cujos princípios não podem ser postos em dúvida, parecem ser mais certas do que a doutrina sagrada, cujos princípios, os artigos de fé, admitem a dúvida. Logo, as outras ciências parecem mais excelentes.

2. Ademais, é próprio de uma ciência inferior tomar emprestado a uma ciência superior: como a música faz em relação à aritmética. Ora, a doutrina sagrada toma emprestada alguma coisa às doutrinas filosóficas. Jerônimo diz numa carta a um Grande Orador de Roma, que os antigos doutores: “Rechearam seus livros de tal quantidade de doutrinas e de máximas de filósofos que não sabemos o que mais admirar: se a erudição das coisas do mundo, ou a ciência das Escrituras”. Logo, a doutrina sagrada é inferior às outras ciências.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, as outras ciências são chamadas suas servas, como lemos no livro dos Provérbios (9, 3): (a Sabedoria) “enviou suas servas a clamar nos altos da cidade”.

RESPONDO. Como esta ciência é a um só tempo especulativa e prática, ultrapassa todas as outras, tanto as especulativas como as práticas. Entre as ciências especulativas deve-se considerar como a mais excelente aquela que é mais certa ou a que tem a matéria mais excelente. Ora, sob esse duplo aspecto, a doutrina sagrada supera as outras ciências especulativas. É a mais certa, porque as outras recebem sua certeza da luz natural da razão humana, que pode errar; ao passo que ela recebe a sua da luz da ciência divina, que não pode enganar-se. E ela tem a matéria mais excelente, pois se refere principalmente ao que, por sua sublimidade, ultrapassa a razão, ao passo que as outras disciplinas consideram apenas o que está sujeito à razão. Leia mais deste post

Debate: William Craig X Christopher Hitchens

DOWNLOAD – Suma Teológica completa em português

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Suma Teológica em português, completa, disponível na página de download.

 

 

Outro diabo, outro aprendiz…

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                   Duccio di Buoninsegna (1260-1318), O Massacre dos Inocentes

                                                                                      ♣

Meu caro Giracuca,

Admirável! Você não apenas levou seu paciente a deitar-se com aquela moça desprezível com quem ele está namorando, mas ele até a engravidou! E o melhor de tudo: agora eles estão prestes a realizar um aborto.

Se você puder empurrá-los desse despenhadeiro, marcará três pontos a seu favor: duas almas destruídas parcialmente e um corpo destruído totalmente. Que perfeita paródia da “Sagrada Família” aqueles três são! Ah, fazemos bem em orgulharmo-nos do nosso trabalho, Giracuca – você por obedecer meu sábio conselho e eu por dá-lo.

O Comando Inferior coordenará seus esforços com os de Esmagalmo, designado para a garota, já que você pode pressioná-la de modo mais eficaz por meio dele. Eis algumas dicas:

Faça seu paciente pensar que ele está sendo “compassivo” quando se preocupa com ela no que diz respeito às consequências “inimagináveis” de levar a gravidez até o fim, seja ficando com o bebê, seja encaminhando-o para adoção. Faça-os prestar atenção aos fardos incluídos nas alternativas ao aborto, mas nunca ao aborto em si. Isso deve sempre aparecer como uma rota de fuga.

Faça-o exagerar, primeiro na própria mente e depois na dela, o estigma social que ela teme por uma gravidez fora do matrimônio – como se todos os amigos dela fossem vitorianos! E certifique-se de que ela considere psicologicamente impossível dar o bebê para adoção – como se os instintos maternais dela fossem muito fortes para que ela deixe o filho viver com qualquer outra pessoa, mas não tão fortes que a impeçam de matá-lo!

Acrescente os temores e as tolices bastante reais de um “casamento feito às pressas”. Mas não deixe que ela pense nas consequências do aborto tanto para ela como para o bebê: a culpa e a amargura, a insensibilidade, a perda da inocência, do idealismo e do romance, as memórias obsessivas que aparecerão em cada aniversário da morte do bebê.

Naturalmente, jamais deixe que nenhum deles use uma linguagem tão simples e honesta como essa. Certifique-se de que eles se sintam tão confortáveis em chamar a criança de “feto” e tão horrorizados em chama-la de bebê, que o realismo e a honestidade morram em suas almas antes que o bebê seja morto no útero.

E não se esqueça de exagerar os riscos médicos da gravidez e de minimizar os do aborto, particularmente a esterilidade e a frigidez frequentes. Nossos agentes têm escondido bem fatos como esses, apesar dos livros que os documentam, pois nós nos certificamos de que esses livros sejam divulgados e lidos apenas pelos já convertidos.

Faça-o levá-la a um daqueles “centros de aconselhamento para a gravidez”, que propagandeiam a “escolha”, mas que são verdadeiros alimentadores das nossas clínicas de aborto. Certifique-se de que eles não topem com uma daquelas armadilhas alternativas ao aborto como a Birthright. Elas são mais perigosas para a nossa causa do que todos os argumentos do mundo.

Então, você deve manter os fatos escondidos. Lembre-se sempre do primeiro princípio: Ofusque as Luzes. Faça que eles não pensem na simples e honesta pergunta a respeito da verdade objetiva, a pergunta sobre o que o aborto é e sobre o que é a “coisa” envenenada, queimada ou fatiada pelo aborto. JAMAIS DEIXE QUE ELES A CHAMEM DE “BEBÊ”!

 Você e pergunta: como? Eles sabem com certeza que se trata de um bebê. Sim, mas faça-os pensar que chamar essa coisa de bebê determinaria a questão (como de fato o faria) e fecharia todos os caminhos de “fuga” (aborto) e assim obscureceria a mente deles. Você pode até dar um jeito para que eles pensem que deixar um bebê vivo é algo tacanho; e assassiná-lo, uma atitude liberal. Leia mais deste post

A sexta via: Complexidade Irredutível

 

Assista também ao vídeo PERPLEXIDADE NA COMPLEXIDADE:

Chesterton e o “casamento gay”

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Um dos temas prementes na época de Chesterton era o “controle de natalidade”. Ele não fazia objeção apenas à ideia, mas ao próprio termo, porque significava o oposto do que queria dizer. Não significava nem natalidade, nem controle. Posso supor que ele teria as mesmas objeções contra o “casamento gay”. Não só a ideia, como também o nome está errado: o “casamento gay” não é gay, no sentido original do termo, nem é casamento.

Chesterton era sempre sensato em seus pronunciamentos e profecias porque entendia que qualquer coisa que atacasse a família era ruim para a sociedade. Foi por isso que ele falou contra a eugenia e a contracepção, contra o divórcio e o “amor livre” (outro termo que ele rejeitava por sua falsidade), mas também contra a escravidão assalariada e a educação estatal compulsória, com mães contratando outras pessoas para fazer o que elas foram designadas para fazer por si mesmas. É seguro dizer que Chesterton se levantou contra toda moda e tendência que hoje nos aflige porque cada uma dessas modas e tendências minava a família. Um Estado intervencionista (Big Government) tenta substituir a autoridade da família, e um Mercado dominador (Big Business) tenta substituir a sua autonomia. Há uma constante pressão comercial e cultural sobre o pai, a mãe e os filhos. Eles são minimizados, marginalizados e, sim, ridicularizados. Mas, como diz Chesterton, “esse triângulo de truísmos — pai, mãe e filho — não pode ser destruído; só se destroem as civilizações que o desprezam”.

A legalização das uniões homossexuais não é nem o último nem o pior ataque à família, mas tem um valor impressivo, apesar do processo de dessensibilização em que nos colocaram as indústrias de informação e entretenimento ao longo dos últimos anos. Quem tenta protestar contra a normalização do anormal é recebido “ou com ataques ou com o silêncio” — assim como Chesterton, quando ele tentou argumentar contra as novas filosofias promovidas pela maior parte dos jornais de sua época. Em 1926, ele alertou: “A próxima grande heresia será um ataque à moralidade, especialmente à moral sexual”. Seu aviso passou desapercebido, enquanto a moral sexual decaía progressivamente. Mas vamos nos lembrar que tudo começou com o controle da natalidade, que é uma tentativa de viver o sexo por ele mesmo, transformando um ato de amor em um ato de egoísmo. A promoção e a aceitação do sexo sem vida, estéril e egoísta evoluiu, logicamente, para a homossexualidade.

Chesterton mostra que o problema da homossexualidade como inimiga da civilização é bem antigo. Em O Homem Eterno, ele descreve que o culto à natureza e a “simples mitologia” produziram uma perversão entre os gregos. “Da mesma forma que eles se tornaram inaturais adorando a natureza, assim eles de fato se tornaram efeminados adorando o homem”. Qualquer jovem, ele diz, “que teve a sorte de crescer de modo sensato e simples” sente um repúdio natural pela homossexualidade porque “ela não é verdadeira nem para a natureza humana, nem para o senso comum”. Ele argumenta que, se tentarmos agir indiferentemente em relação a ela, estaremos nos enganando a nós mesmos. É “a ilusão da familiaridade” quando “uma perversão se torna uma convenção”.

Em Hereges, Chesterton quase faz uma profecia sobre o abuso da palavra “gay”. Ele escreve sobre a “poderosa e infeliz filosofia de Oscar Wilde”, “a religião do carpe diem“. Carpe diem significa “aproveite o dia”, faça o que quiser, sem pensar nas consequências, viva apenas pelo momento. “No entanto, a religião do carpe diem não é a religião das pessoas felizes, mas a das absolutamente infelizes”. Há um desespero bem como um infortúnio ligado a isso. Quando o sexo é apenas um prazer momentâneo, quando não oferece nada além de si mesmo, ele não traz nenhuma satisfação. É literalmente sem vida. E, como Chesterton escreve em seu livro São Francisco de Assis,“no momento em que o sexo deixa de ser um servo, ele se torna um tirano”. Essa é talvez a mais profunda análise do problema dos homossexuais: eles são escravos do sexo. Estão tentando “perverter o futuro e desfazer o passado”. Eles precisam ser libertados.

O pecado tem consequências. Ainda assim, Chesterton sempre sustenta que devemos condenar o pecado, não o pecador. E ninguém mostra mais compaixão pelos decaídos do que ele. Sobre Oscar Wilde, que ele chama de “o chefe dos decadentes”, Chesterton diz que ele cometeu um “erro monstruoso”, mas também sofreu monstruosamente por isso, indo para uma terrível prisão, onde ele foi esquecido por todas as pessoas que antes tinham brindado a sua rebeldia impulsiva. “A vida dele foi completa, naquele sentido inspirador em que a minha vida e a sua são incompletas, já que nós ainda não pagamos por nossos pecados. Nesse sentido, podemos chamar a vida dele de perfeita, assim como falamos de uma equação perfeita, que é neutralizada. De um lado, nós temos o saudável horror ao mal; de outro, o saudável horror à punição”.

Chesterton se referia ao comportamento homossexual de Wilde como um pecado “altamente civilizado”, por ser uma das piores aflições entre as classes ricas e ilustradas. Era um pecado ao qual Chesterton nunca havia sido tentado, e ele diz que não é uma grande virtude nunca termos cometido um pecado ao qual não fomos tentados. Outra razão pela qual devemos tratar nossos irmãos e irmãs homossexuais com compaixão. Nós conhecemos nossos próprios pecados e fraquezas o suficiente. Fílon de Alexandria dizia: “Seja gentil, pois todos à sua volta estão lutando uma batalha terrível”.

Compaixão, contudo, não significa jamais compromisso com o mal. Chesterton ressalta aquele equilíbrio pelo qual nossa verdade não deve ser desprovida de piedade, nem a nossa compaixão deve ser separada da verdade. A homossexualidade é uma desordem. É contrária à ordem. Os atos homossexuais são pecaminosos, ou seja, são contrários à ordem de Deus. Eles jamais poderão ser normais. Pior ainda, jamais sequer poderão ser vividos normalmente. Como diz o grande detetive Padre Brown: “Os homens até podem se manter em um nível razoável de bondade, mas ninguém jamais foi capaz de permanecer em um nível de maldade. Essa estrada conduz ao fundo do abismo”.

O matrimônio é entre um homem e uma mulher. Essa é a ordem. E a Igreja Católica ensina que essa é uma ordem sacramental, com implicações divinas. O mundo tem feito uma sátira do casamento que agora culminou com as uniões homossexuais. Mas foram os homens e as mulheres heterossexuais que pavimentaram o caminho para essa decadência. O divórcio, que é algo anormal, é agora tratado como normal. A contracepção, outra coisa anormal, é agora tratada como normal. O aborto ainda não é normal, ainda que seja legal. Legalizar o “casamento” homossexual não o tornará normal, só vai aumentar ainda mais a confusão dos tempos e a decadência da nossa civilização. Mas a profecia de Chesterton permanece: não seremos capazes de destruir a família. Ao desprezá-la, o que vamos fazer é simplesmente destruir-nos a nós mesmos.

Fonte: Crisis Magazine | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

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CRISTO RESSUSCITOU!

Ressurreicao

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Os números de 2015

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2015 deste blog.

Aqui está um resumo:

O Museu do Louvre, em Paris, é visitado todos os anos por 8.5 milhões de pessoas. Este blog foi visitado cerca de 170.000 vezes em 2015. Se fosse o Louvre, eram precisos 7 dias para todas essas pessoas o visitarem.

Clique aqui para ver o relatório completo

Chestertoninas: O homem das cavernas

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Esse aposento secreto de rocha, ao ser iluminado depois de sua longa noite de séculos incontáveis, revelou em suas paredes enormes e alastrados contornos feitos dom argila de várias cores; e, quando os visitantes acompanharam suas linhas, reconheceram, através daquele vasto vão de séculos, o movimento e o gesto de uma mão humana. Eram desenhos ou pinturas de animais; e foram desenhados ou pintados não apenas por um homem, mas por um artista. Apesar de todas as limitações possíveis, eles exibiam o amor pelo traço grande e curvo ou longo e ondulado que qualquer um que já desenhou ou tentou desenhar há de reconhecer; e a respeito desse traço nenhum artista aceitará ser contestado por nenhum cientista. Os desenhos mostravam o espírito experimental e aventureiro do artista, o espírito que em vez de evitar, tenta o que é difícil; como no ponto onde o desenhista havia representado o movimento da rena ao virar completamente a cabeça para farejar a própria cauda, ação bastante comum no cavalo. Mas há muitos modernos pintores de animais para quem representar essa cena seria uma tarefa bastante difícil. Nesse e em outros vinte detalhes fica claro que o artista havia observado os animais com certo interesse e presumivelmente com certo prazer. Nesse sentido pareceria que ele não era apenas um artista, mas também um naturalista; o tipo de naturalista que é realmente natural.

Sendo assim, nem é preciso observar, a não ser de passagem, que não há absolutamente nada na atmosfera das cavernas que sugira a atmosfera sombria e pessimista das cavernas dos ventos dos jornais, vociferando e soprando ao nosso redor com inúmeros ecos a respeito do homem das cavernas. Na medida em que algum caráter humano pode ser sugerido por esses traços, esse caráter humano é muito humano e até mesmo humanitário. Certamente não se trata do ideal de um caráter desumano, como a abstração invocada na ciência popular. Quando romancistas educadores e psicólogos de todos os tipos falam do homem das cavernas, eles nunca o imaginam em conexão com coisa alguma que de fato está na caverna. Quando o realista de romances de sexo escreve “Rubras faíscas dançavam no cérebro de Dagmar Pinto; ele sentia o espírito do homem das cavernas crescendo dentro dele”, os leitores do romancista se sentiriam muito decepcionados se Dagmar apenas sumisse e fosse desenhar enormes vacas na parede da sala de visitas. Quando o psicanalista escreve a um paciente “Os instintos submersos do homem das cavernas sem dúvida estão estimulando você a satisfazer um impulso violento”, ele não está se referindo ao impulso de pintar uma aquarela; ou de fazer estudos introspectivos sobre como o gado mexe a cabeça quando está pastando. No entanto, nós temos provas de que o homem das cavernas de fato fazia essas coisas meigas e inocentes; e não temos o menor sinal de evidência de que ele praticasse alguma dessas atividades violentas e ferozes. Em outras palavras, o homem das cavernas tal e qual ele nos é comumente apresentado é apenas um mito, ou melhor, mera confusão; pois um mito tem no mínimo um esquema imaginativo de verdade. Toda essa maneira atual de falar é simplesmente uma confusão e um mal-entendido, que não se funda em nenhuma espécie de evidência científica e é apreciado apenas como desculpa para um estado de espírito anarquista que é muito moderno. Se algum cavalheiro quer bater numa mulher, ele sem dúvida pode ser um grosseirão sem denegrir o caráter do homem das cavernas, acerca do qual não sabemos quase nada a não ser o que se consegue deduzir de algumas inofensivas e agradáveis pinturas numa parede.

G. K. Chesterton, O Homem Eterno

Chestertoninas: Evolução

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A maioria das modernas histórias da humanidade começa com a palavra evolução, e com muita exposição bastante prolixa da evolução, em grande parte pelo mesmo motivo operante nesse caso. Há algo lento e reconfortante e gradual envolvendo essa palavra e mesmo essa ideia. Na realidade, não se trata, com respeito a essas coisas primárias, de uma palavra muito prática ou de uma ideia muito proveitosa. Ninguém se aproxima nem sequer um centímetro disso mediante a explicação de como alguma coisa poderia se transformar em alguma outra coisa. É de fato muito mais lógico começar dizendo “No começo Deus criou o céu e a terra”, mesmo que se só se queira dizer “No começo algum poder inimaginável começou algum processo inimaginável”. Pois Deus é por natureza um nome misterioso, e ninguém jamais supôs que o homem pudesse imaginar como o mundo foi criado e muito menos que ele pudesse criar um mundo. Mas de fato a evolução é erroneamente tomada como uma explicação. Ela tem o condão fatal de deixar em muitas mentes a impressão de que elas a entendem e entendem todo o resto; da mesma forma que muitos alimentam a falsa impressão de que leram A origem das espécies.

Mas essa noção de algo suave e lento, como a subida de uma encosta, constitui grande parte da ilusão. É absurdo assim como ilusório, pois a lentidão nada tem a ver com o caso. Um acontecimento não é nem um pouco intrinsecamente mais inteligível ou ininteligível devido ao ritmo em que se desenrola. Para uma pessoa que não acredita em milagres, um milagre lento seria exatamente tão inacreditável quanto um rápido. É possível que a bruxa grega tenha transformado marinheiros em porcos com um toque de vara de condão. Mas ver um general da marinha de nosso círculo de conhecidos parecendo-se cada dia mais com um suíno, até acabar com quatro pés de porco e um rabinho enrolado, já seria motivo de preocupação. Poderia sim ser uma experiência mais misteriosa capaz de causar arrepios. É possível que o bruxo medieval tenha voado pelos ares saltando de uma torre; mas com certeza um cavalheiro idoso caminhando pelos ares, num passeio tranquilo e despreocupado, aparentemente ainda exigiria alguma explicação. No entanto, perpassa todo o tratamento racionalista da história essa ideia curiosa e confusa de que a dificuldade é evitada, ou até mesmo o mistério é eliminado, pela consideração da simples protelação ou de algo que retarde o processo das coisas. Haverá mais a dizer sobre exemplos particulares em outras partes do livro; a questão aqui é a falsa atmosfera de facilidade e despreocupação conferida pela mera sugestão de ir devagar;  tipo de conforto que se pode dar a uma nervosa senhora de idade viajando de carro pela primeira vez.

G. K.Chesterton, O Homem Eterno

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (Jo 1, 14)

Obi-Wan_Aquino

FELIZ E SANTO NATAL A TODOS!

Tomás responde: A alma de Cristo foi sujeita à paixão?

James_Tissot_Jesus_chorouJames Tissot (1836-1902), Jesus Chorou (entre 1886-1894)

Parece que a alma de Cristo não foi sujeita à paixão:

  1. Com efeito, não se padece senão por ação do mais forte, pois o agente pode mais que o paciente, como ensinam Agostinho e Aristóteles. Ora, nenhuma criatura foi mais forte do que a alma de Cristo. Logo, a alma de Cristo não pôde padecer por parte de criatura alguma. Desta sorte, não esteve sujeita à paixão, pois se não podia sofrer por nenhuma causa, seria inútil nela a potência de padecer.
  2. Além disso, diz Túlio que as paixões da alma são “como enfermidades”. Ora, na alma de Cristo não houve qualquer enfermidade, pois a enfermidade da alma vem do pecado, conforme o Salmo 40: “Sara a minha alma porque pequei contra ti”. Logo, em Cristo não existiram paixões da alma.
  3. Ademais, parece que as paixões da alma são a mesma coisa que a inclinação ao pecado. Assim o Apóstolo, na Carta aos Romanos, as chama “paixões pecaminosas”. Ora, em Cristo não houve inclinação ao pecado, como antes foi dito. Logo, parece que nele não existiram as paixões da alma e, portanto, a alma de Cristo não foi sujeita à paixão.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, no Salmo 87, se diz da pessoa de Cristo: “Minha alma está repleta de males”, não de pecados, mas de males humanos, ou seja, “dores”, como a Glosa explica. Portanto, a alma de Cristo esteve sujeita à paixão.

tomas_respondoDe duas maneiras pode ser sujeita a paixões a alma unida ao corpo: ou pela paixão corporal ou pela paixão na própria alma. Sofre pela paixão corporal, por uma lesão no corpo. Com efeito, sendo a alma forma do corpo, segue-se que é um só o existir da alma e do corpo. Assim, conturbado o corpo por alguma paixão corporal, é necessário que a alma seja também conturbada por acidente, ou seja, quanto ao existir que possui no corpo. Portanto, como o corpo de Cristo foi sujeito a paixões e mortal, também sua alma necessariamente foi sujeita a paixões dessa maneira.

Diz-se que a alma sofre pela paixão na própria alma pela operação que é ou própria dela ou que é dela mais principalmente que do corpo. Embora se diga que a alma sofra algo segundo o entender e o sentir, no entanto, como na II Parte foi dito, chamam-se propriissimamente paixões da alma as afecções do apetite sensitivo, que existiram em Cristo, como tudo o mais que pertence à natureza do homem. Assim diz Agostinho: “O Senhor se dignou viver na forma de servo e humanamente disso se serviu, quando o julgou conveniente. Pois onde era verdadeiro o corpo do homem e verdadeira a alma do homem, o afeto humano não era falso”.

No entanto, deve-se saber que essas paixões existiram em Cristo de maneira diferente do que em nós quanto a três aspectos:

  1. Quanto ao objeto. Em nós essas paixões muitas vezes tendem a coisas ilícitas, o que não acontecia em Cristo.
  2. Quanto ao princípio. Em nós essas paixões antecedem frequentemente o juízo da razão; em Cristo, porém, todos os movimentos do apetite sensitivo eram orientados segundo a disposição da razão. Por isso diz Agostinho: “Esses movimentos, pela graça de uma disposição certíssima, Cristo acolheu quando quis na alma humana, assim como se fez homem quando quis”.
  3. Quanto ao efeito. Em nós esses movimentos algumas vezes não se detêm no apetite sensitivo, mas arrastam consigo a razão. Mas isso não sucedeu em Cristo, pois os movimentos que convinham naturalmente à carne humana de tal modo permaneciam, segundo sua disposição, no apetite sensitivo, que a razão não era, de maneira alguma, impedida de fazer o que era conveniente. Eis por que diz Jerônimo: “O Senhor nosso, para provar a verdade do homem que assumira, verdadeiramente se entristeceu; no entanto, como a paixão não dominava seu ânimo, se diz por uma paixão incoativa: ‘começou a entristecer-se’”, de modo que se entenda uma paixão perfeita quando é dominada pelo ânimo, isto é, pela razão; paixão incoativa quando começa no apetite sensitivo, mas não se estende além dele.

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Tomás responde: Deus se encarnou mais para remédio dos pecados atuais do que para remédio do pecado original?

Schnorr_von_Carolsfeld_Adao_Eva_ExpulsosJulius Schnorr von Carolsfeld (1794–1872), Adão e Eva expulsos do Paraíso (1851-1860)

Parece que Deus se encarnou mais para remédio dos pecados atuais do que pra remédio do pecado original:

  1. Com efeito, quanto mais é grave um pecado, tanto mais se opõe à salvação humana, para a qual Deus se encarnou. Ora, o pecado atual é mais grave do que o pecado original; pois, como Agostinho diz, ao pecado original se deve um castigo mínimo. Logo, a encarnação de Cristo ordena-se principalmente a apagar os pecados atuais.
  2. Além disso, ao pecado original não se deve a pena dos sentidos, mas somente a pena do dano, como acima foi estabelecido. Ora, Cristo veio sofrer a pena dos sentidos na cruz para satisfação dos pecados, mas não a pena do dano, pois não sofreu nenhuma diminuição da visão e fruição divinas. Logo, veio sobretudo para apagar o pecado atual mais do que o original.
  3. Ademais, diz Crisóstomo: “Este é o sentimento do servo fiel, a saber, considerar como concedidos somente a si os benefícios de seu senhor que são concedidos a todos. Como se falasse apenas de si, escreve Paulo aos Gálatas: ‘Amou-me e se entregou por mim’ (2, 20)”. Ora, os nossos próprios pecados são pecados atuais e, com efeito, o pecado original é um pecado comum. Logo, devemos sentir de tal modo que julguemos ter ele vindo por causa dos pecados atuais.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, o Evangelho de João diz: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (1, 29).

tomas_respondoÉ certo que Cristo veio a esse mundo não só para apagar o pecado transmitido originalmente aos apóstolos, mas também para apagar todos os pecados que depois foram acrescentados. Não que todos efetivamente sejam apagados, em razão da deficiência dos homens que não aderem a Cristo, conforme o que diz o Evangelho de João: “A luz veio ao mundo e os homens preferiram as trevas à luz” (3, 19), mas porque ele realizou o que foi suficiente para apagar todos os pecados. Assim é dito na Carta aos Romanos: “Não acontece com o dom o mesmo que com a falta; pois, o julgamento de um só pecado terminou em condenação, enquanto a graça aplicada a numerosos pecados terminou em justificação” (5, 15-16).

Quanto maior é o pecado, com tanto maior razão Cristo veio para apagá-lo. Ora, algo se diz maior de duas maneiras: ou intensivamente, e assim é maior a brancura que é mais intensa. E desse modo o pecado atual é maior do que o original, porque participa mais da natureza do voluntário, como já foi dito na II Parte. De outra maneira, algo é dito maior extensivamente: como maior é a brancura que está numa superfície mais ampla. E desse modo o pecado original, pelo qual todo o gênero humano é atingido, é maior do que qualquer pecado atual próprio de uma pessoa singular. Sob esse aspecto, Cristo veio principalmente para apagar o pecado original: porque “o bem do povo é mais divino do que o de um só”, como se diz no livro I da Ética. Leia mais deste post

Torneio de combate medieval

Combate Medieval, anúncio, agosto 2015, Argentina

Foi-se o tempo em que a máxima desqualificação de algo consistia em dizer que era “medieval”. Essa visualização mudou 180º.

Por isso, escritores e ativistas que ficaram esclerosados no antigo padrão protagonizam engraçados episódios.

Foi o que aconteceu com a jovem jornalista argentina Diana Fernández Irusta, de “La Nación”, galardoada com o Prêmio Internacional de Jornalismo Rei da Espanha.

Certo dia a jornalista, que estava tratando do joelho e andava com dificuldade, foi gentilmente auxiliada por uma nova vizinha do prédio em que mora. É Cecília, uma jovem professora de música e cantora, mãe de três filhos, que lhe deu apoio durante o tratamento. Diana ficou com uma alta imagem de Cecília.

Combate Medieval2Um dia o filho pequeno de Diana, que é fascinado por castelos e heróis, tanto insistiu em ir ver uma das feiras medievais que estão acontecendo em Buenos Aires, que a mãe decidiu levá-lo, imaginando encontrar uma encenação para crianças.

Sua surpresa foi total: nada de festinha, mas um evento que se destacava pelo nível cultural.

E enquanto ela girava pelas ruas da cidade medieval erigida para a ocasião, foi dar com Cecília, sua amável vizinha, ataviada com um belo vestido palaciano e ensinando às moças passos de uma dança medieval.

Cecilia lhe contou todos os livros que tinha lido. Ela sabia bem o que estava fazendo. Diana custou a acreditar, mas ainda não tinha se dado conta de tudo.

Os alto-falantes anunciaram o momento da batalha. Diana estava convencida de que assistiria a uma coreografia com espadas e escudos de plástico e levou seu filho. Leia mais deste post

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