A necessidade da Graça II – Sem a graça pode o homem querer e fazer o bem?

El_Greco_Pentecostes

Parece que o homem pode querer e fazer o bem sem a graça:

1. Com efeito, está no poder do homem aquilo sobre o quê ele é senhor. Ora, como foi dito acima (I-II, q.1, a.1 e q.13, a.6), o homem é senhor de seus atos e principalmente do ato do querer. Logo, o homem pode querer e fazer o bem por si mesmo, sem o auxílio da graça.

2. Além disso, cada um tem mais poder sobre aquilo que é conforme à sua natureza do que sobre aquilo que é estranho a essa natureza. Ora, o pecado, como disse Damasceno, é contrário à natureza, e o ato da virtude, como foi dito, está de acordo com a natureza humana. Logo, o ser humano por si mesmo pode pecar, e com maior razão pode querer e fazer o bem por si mesmo.

3. Ademais, o bem do intelecto é o verdadeiro, disse o Filósofo. Ora, o intelecto pode conhecer o verdadeiro por si mesmo, uma vez que toda coisa pode realizar por si mesma a operação natural. Logo, com maior razão pode o homem querer e fazer por si mesmo o bem.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, como disse o Apóstolo: “Não pertence àquele que quer, o querer, nem ao que corre, o correr, mas a Deus que é misericordioso” (Rm 9, 16). E Agostinho diz que “sem a graça ninguém pode absolutamente fazer o bem: seja pensando, querendo, amando, ou agindo.

tomas_respondoA natureza humana pode ser considerada em dois aspectos diferentes: em sua integridade, tal como existiu em nosso primeiro pai antes do pecado; ou no estado de corrupção no qual estamos depois do pecado original. Nos dois estados, ela tem necessidade para fazer e querer o bem, de qualquer ordem que seja, do auxílio divino, considerado como primeiro movente, como foi dito. No estado de integridade, com respeito à capacidade da potência operativa, o homem podia, com suas forças naturais, querer e fazer o bem proporcionado à sua natureza, como é o bem da virtude adquirida, mas não um bem que a  ultrapassa, como é o bem da virtude infusa. No estado de corrupção, o homem falha naquilo que lhe é possível pela sua natureza, a tal ponto que ele não pode mais por suas forças naturais realizar totalmente o bem proporcionado à sua natureza. Entretanto, o pecado não corrompeu totalmente a natureza humana a ponto de privá-la de todo bem que lhe é natural. Assim, mesmo neste estado de corrupção o homem pode ainda fazer, por sua potência natural, algum bem particular, como construir casas, plantar vinhas, e outros trabalhos do mesmo gênero. Mas ele não é capaz de realizar em sua totalidade o bem que lhe é conatural, sem alguma falha. Ele parece um enfermo que pode ainda executar sozinho alguns movimentos, mas não pode mover-se perfeitamente como alguém em boa saúde, enquanto não obtiver a cura com a ajuda da medicina. Leia mais deste post

A necessidade da Graça I – Sem a graça pode o homem conhecer alguma verdade?

El_Greco_Pentecostes

 El Greco, Pentecostes

Parece que sem a graça o homem não pode conhecer verdade alguma:

1. Porque, sobre o texto da primeira Carta aos Coríntios: “Ninguém pode dizer Senhor Jesus, senão no Espírito Santo” (12, 3), diz a Glosa Ambrosiana: “Toda verdade, seja dita por quem for, vem do Espírito Santo”. Ora, o Espírito Santo habita em nós pela graça. Logo, sem a graça não podemos conhecer a verdade.

2. Além disso, Agostinho diz: “As mais certas doutrinas são como coisas que o sol ilumina para que possam ser vistas. Deus é que ilumina. A razão está para o  espírito como a vista para os olhos. E os olhos do espírito são os sentidos da alma”. Ora, os sentidos corporais, por mais puros que sejam, não podem ver um objeto se não estiverem iluminados pelo sol. Logo, a mente humana, seja qual for sua perfeição, não pode chegar por seu raciocínio à verdade sem a iluminação divina. Esta pertence ao auxílio da graça.

3. Ademais, a mente humana não pode entender a verdade a não ser raciocinando, como diz Agostinho. Ora, o Apóstolo diz: “Não somos capazes de pensar alguma coisa que , de fato, venha de nós” (2 Cor 3, 5). Logo, o homem não pode conhecer a verdade por si mesmo sem o auxílio da graça.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, Agostinho diz: “Não aprovo o que disse nesta oração: Ó Deus, quisestes que a verdade fosse conhecida somente pelos puros. Pode-se, entretanto, responder que muitos impuros conhecem muitas verdades”. Ora, é pela graça que o homem se torna puro, segundo o Salmo: “Um coração puro cria em mim, ó Deus; e um espírito reto renova em minhas entranhas” (50, 2). Logo, sem o auxílio da graça o homem não pode por si mesmo conhecer a verdade.

tomas_respondo Conhecer a verdade é o exercício ou o ato da luz intelectual, porque segundo o Apóstolo: “Tudo o que se torna manifesto é luz” (Ef 5, 13). O exercício implica em movimento: tomando movimento num sentido amplo, de tal modo que o entender e o querer podem ser ditos um movimento, como o Filósofo deixa claro. Vemos nos corpos que o movimento não exige apenas sua forma que é o princípio do movimento ou da ação; mas também requer-se a moção do primeiro movente. O primeiro movente na ordem dos corpos é o corpo celeste. Assim, mesmo que o fogo tivesse o calor perfeito, não queimaria sem a moção do corpo celeste. Fica claro, do mesmo modo, que os movimentos dos corpos dependem do movimento do corpo celeste, considerado como primeiro movente corporal. Assim todos os movimentos, corporais ou espirituais, dependem do primeiro movente absoluto que é Deus. É por isso que, seja qual for a perfeição de uma natureza corporal ou espiritual, não poderá chegar a produzir o seu ato se não for movido por Deus. Esta moção é conforme à razão de sua providência e não à necessidade da natureza, como é a moção do corpo celeste. Além disso, não é apenas a moção que vem de Deus, considerado como primeiro movente, mas também vem dele, como do ato primeiro, toda perfeição formal. Assim, a ação do intelecto e de qualquer ente criado depende de Deus, de duas maneiras: primeiro, enquanto d’Ele recebe a forma pela qual age; depois, enquanto é movido por Ele para agir.
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Sínodo da Amazônia: Igreja opressora dos índios???

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OBSERVAÇÕES E SUBSÍDIOS SOBRE O SÍNODO DA AMAZÔNIA

[EXTRATO]

Dr. Guzmán M. Carriquiry Lecour

Uma amnésia histórica

É evidente que não se pode pedir ao documento preparatório do Sínodo Pan-
Amazônico uma história da evangelização da Amazônia, porém o breve capítulo

dedicado à “memória histórica eclesial” é muito insuficiente. Não é verdade o que
afirma quando se escreve que “até o século XX, as vozes em defesa dos povos
indígenas eram frágeis, ainda que não ausentes”, fortalecendo-se somente depois do
Concílio Vaticano II.
A Igreja não tem nenhuma dificuldade em confessar seu “mea culpa” ante os
comprometimentos que ofuscaram a evangelização da América Latina com a
conquista e colonização do Novo Mundo e a opressão e exploração dos povos
indígenas. No entanto, ninguém pode negar, por respeito à verdade histórica, que
desde a primeiríssima colonização do Novo Mundo foi uma legião de missionários
quem empreendeu a primeira grande batalha profética pela justiça em defesa e
proteção dos indígenas. A cruz se tornou uma autocrítica radical da espada. Os
próprios bispos exibiam como lema: “defensores dos índios”. Houve mártires,
violências sofridas, todo tipo de atentados e controvérsias provocadas pelos
“encomenderos”, colonos e bandeirantes. Não houve até hoje na história da Igreja na
América Latina um combate evangélico e profético de tal magnitude como o dos
primeiros tempos fundadores.
No século XVII a Igreja começou a penetrar na Amazônia. E no dia 22 de abril de
1639, aniversário do descobrimento do Brasil, o Papa Urbano VIII promulgou um
Breve, Commissum Nobis, proibindo, sob pena de excomunhão, “aprisionar […] os
índios, vendê-los, comprá-los, separá-los de suas mulheres e filhos, privá-los de
qualquer modo da liberdade, retê-los na servidão […]”. Este Breve papal –que está em
perfeita continuidade com a bula Sublimis Deus do papa Paulo III em 1537, que foi a
primeira e muito dura condenação papal da escravidão dos índios e afirmação do
respeito devido à sua dignidade e a seus bens, provocou revoltas lideradas pelas
Câmaras Municipais em São Paulo, Santos e Rio de Janeiro.
A partir de 1600 a presença da Igreja na Amazônia, evangelizando e defendendo
os índios, foi fundamental. Numerosas aldeias e missões religiosas, principalmente por
obra dos jesuítas, surgiram na Amazônia. Destacam-se a respeito as fundações de
Cametá na foz do Tocantins; Airão, Carvoeiro, Moura e Barcelos no Rio Negro;
Santarém na foz do Tapajós; Faro no rio Nhamundá; Borba no rio Madeira; Tefé, São
Paulo de Olivença e Coari no Solimões; e no Amazonas, Itacoatiara e Silves.
Como pode-se dizer que eram vozes “frágeis” as da Companhia de Jesus e sua
cadeia de “reduções” indígenas, desde o Alto Uruguai e Paraná, em combate
permanente contra os bandeirantes, escravistas de índios, às de Moxos e Chiquitos na
floresta boliviana e às do oriente peruano e equatoriano, até os “llanos orientales” da
Colômbia (prefigurando o que seria a rodovia da floresta)?

Depois caberia agregar todo o trabalho de penetração da Amazônia dos
Salesianos a partir do oriente peruano e equatoriano, criando escolas de arte e ofícios
para os indígenas, assim como de outras congregações religiosas.
Os informes e escritos de Mons. Giovanni Genocchi, enviado como visitador
apostólico à América Latina (1911-1913) e que visitou as terras amazônicas, são de
uma dureza impressionante quando denunciam em repetidas ocasiões a escravidão
que de fato sofrem os indígenas sob a caça dos seringueiros durante o «boom» da
produção de borracha, assim como as dificuldades e adversidades que sofrem os
responsáveis pelas primeiras prefeituras apostólicas e missões nas regiões
amazônicas dependentes de “Propaganda Fidei”, cuja proteção dos indígenas é vista
pelos colonos como “fumo negli occhi”. Este grave estado de coisas seria retomado e
condenado com muita força por Pio X na Encíclica missionária dirigida à América
Latina: Lacrimabili statu Indorum, ponto de referência para os sucessivos pontificados,
se se tem em conta as frequentes citações desse documento nas instruções
comunicadas aos Representantes Pontifícios na América Latina. Este documento
denunciava os abusos e violências que se cometiam contra os indígenas e apontava o
dever de defender sua vida, liberdade e propriedade, através do desenvolvimento das
missões católicas e da evangelização, junto a todas as iniciativas idôneas para a
promoção humana dos indígenas.
É certo que depois no Concílio Vaticano II e sobretudo no caminho sinodal de
Medellín a Aparecida despertou-se com novas luzes e vigor profético essa tradição de
defesa e custódia dos indígenas, que nas décadas imediatamente anteriores parecia
apagada (mas, por favor, que não se defina o documento de Puebla como o
documento da “participação e comunidades de base”, pois ele teve uma abrangência
muito maior e rica!).
Fazer memória verdadeira da presença e missão da Igreja na Amazônia durante
os últimos séculos é muito importante para aprender da história os acertos e os erros
da missão e para deixar-se contagiar pela doação total – inclusive até ao martírio – de
muitos irmãos e irmãs nossos que deram suas vidas por Cristo e por amor aos
amazônicos.

Para além da “leyenda negra”

Recuperar uma correta memória eclesial sobre a Amazônia não é necessário
somente por respeito à verdade histórica e como homenagem de gratidão aos que,
em meio a grandes dificuldades e sacrifícios, nos precederam na tarefa
evangelizadora, mas também para saber contrariar os lugares comuns da “leyenda
negra” que, às vezes, correm o risco de ser repetidos inocentemente por agentes
pastorais desprevenidos. Há acaso quem pense que todo o realizado pela missão da
Igreja na Amazônia desde o século XVII é irrelevante e inclusive prejudicial e
descartável?
Como é notório, as potências emergentes nos séculos XVII e XVIII –França,
Holanda, Inglaterra– não só tenderam a substituir-se no domínio mundial a uma
Espanha decadente, com a força econômica e militar, mas também se propuseram
derrotá-la carregando-a ideologicamente com todas as ignomínias. Uma propaganda
difusa por toda parte apresentou a colonização espanhola como o concentrado de
violências, crueldades e barbáries alheias aos “países civilizados”. Foi uma agressão
ideológica muito grosseira sem um verdadeiro discernimento sobre as luzes e sombras
da expansão hispânica no Novo Mundo. Leia mais deste post

O efeito abortivo dos anticoncepcionais

Após uma breve análise moral da questão e considerações sobre a doutrina da Igreja, Ana Derosa passa aos aspectos técnicos e por fim responde a diversas situações práticas. Vale a pena assistir.

Mário? Qual Mário?

Calma lá! Antes de responder, vejamos este comentário de Olavo de Carvalho:

Não tenho a menor dúvida de que, quando passar a atual fase de degradação intelectual e moral do país e for possível pensar numa reconstrução, essa obra, mais que qualquer outra, deve tornar-se o alicerce de uma nova cultura brasileira. A obra, em si, não precisa disso: ela sobreviverá muito bem quando a mera recordação da existência de algo chamado “Brasil” tiver desaparecido. O que está em jogo não é o futuro de Mário Ferreira dos Santos: é o futuro de um país que a ele não deu nada, nem mesmo um reconhecimento da boca para fora, mas ao qual ele pode dar uma nova vida no espírito.

Agora vamos conhecer o tal Mário.

Fonte: Papo de Homem

MarioFerreiraDosSantos

Filósofo brasileiro, nasceu em Tietê, São Paulo, em 1907.

Na primeira vez que ouvi esse nome, eu pensei comigo mesmo: “Mais um brasileiro”. Ignorante, permeado pelo vitimismo típico de brasileiro, imaginava que filósofos eram só estrangeiros.

Curioso como sou, não resisti e decidi investigar a respeito, ao ler sobre a vida deste autor fiquei assustado. Não no aspecto negativo, mas no positivo, do tipo de susto que resulta em admiração. Dividirei com vocês as minhas impressões.

Antes do perfil, porém, uma pequena história.

Como fortalecer o inimigo antes de meter porrada

Mário Ferreira dos Santos demoliu com maestria vários modismos intelectuais da época, com destaque ao vexame imposto a Caio Prado Júnior, um intelectual comunista muito prestigiado. Na ocasião, foi convidado para um debate, onde estariam figuras conhecidas como Luis Carlos Prestes. Após Caio Prado terminar sua apresentação, Mário se levantou e disse mais ou menos o seguinte:

“Me desculpe, mas creio que o comunismo tem elementos mais fortes que esses que expôs. Vou refazer sua exposição e assim depois farei a minha. Aqui está presente o secretário do partido comunista, e ele poderá averiguar se errarei em algo.”

Mário então refez a exposição de Caio de tal modo que alguns de seus amigos presentes, espantados, colocavam a mão na cabeça dizendo: “Meu Deus! O professor virou comunista!”. Depois que terminou a apresentação, Mário começou a sua própria exposição e refutou a si mesmo.

Tais demonstrações de força intelectual não eram raras na vida do filósofo.

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Mário Ferreira dos Santos e as cinco vias de Santo Tomás de Aquino

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Esta é, sem dúvida, a melhor explicação das cinco vias de Santo Tomás de Aquino que já li. Boa leitura!

 

Artigo tirado do site “Contra os Acadêmicos

As Cinco Vias de Tomás de Aquino explicada por Mário Ferreira dos Santos: uma apreciação definitiva.

 

Retirado do livro “O Homem Perante o Infinito”.

DAS PROVAS A POSTERIORI — AS CINCO “VIAS” DE TOMÁS DE AQUINO

Os argumentos a posteriori da existência de Deus — os que partem de fatos da experiência e não apenas de noções, e que se apoiam no princípio de razão suficiente — são clas­sificados em:

  1. a) Provas cosmológicas;
  2. b) Provas psicológicas;
  3. c) Provas morais.

As provas cosmológicas fundam-se nos fatos de experiên­cia externa, por meio da qual conhecemos o mundo exterior, É sobre tais fatos que Tomás de Aquino construiu suas pro­vas, através de cinco vias.

Como se trata aqui de matéria que merece uma exposição cuidadosa e a mais fundada nos textos, reproduzimos a seguir os comentários prévios apresentados por Muniz a tais provas.

“Toda via para demonstrar a existência de Deus constará de um ponto de partida, do ímpeto nas coisas criadas; de um recorrido ou ponto, que não pode ser outro que a causalidade extrínseca, e de um termo de chegada, que é a causa, Deus.

O ponto de partida é sempre um efeito sensível, manifesto, um fato de experiência certo: a existência do movimento, a subordinação de causas eficientes, a contingência dos seres sen­síveis, a gradação de perfeiçoes transcendentais, e a ordenação a um fim. Como destes fatos de experiência pode a razão elevar-se a Deus?

O primeiro passo que tem que dar a razão é demonstrar que tais fatos entranham a condição de efeitos: que são cau­sados; por exemplo, o que se move é movido por outro; uma causa subordinada é movida por outra superior; o ser contin­gente é causado por um ser necessário; uma perfeição parti­cipada em distintos graus é causada pela mesma existente em máximo grau; um ser cognoscitivo, que opera por fim, é cau­sado, movido e dirigido por uma inteligência. Bem assegurado este caráter de efeito, a razão, em vir­tude do princípio de causalidade, passa a demonstrar a exis­tência da causa.

Um segundo passo, comum a todas as vias, é que, numa subordinação per se de causas, não se pode proceder ao infi­nito, mas que é absolutamente necessário chegar a uma pri­meira causa, da qual dependem todas as outras.

Logo, tem de existir um primeiro motor que tudo move, uma primeira causa que põe em actividade todas as outras; um ser necessário, que é a causa de todos os seres necessários e contingentes; um primeiro ser, que é fonte e origem do ser em quantas coisas existem; e uma primeira inteligência, que dirige todas as coisas a seus respectivos fins.

Esta última causa é Deus.

Por conseguinte, todas as vias de Tomás de Aquino terão, pelo menos:

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O segredo do sucesso

Récord de ordenados y boom vocacional en Fort Wayne: 4 factores y un hecho impresionante lo explican

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La pequeña Diócesis estadounidense de Fort-Wayne está de enhorabuena pues el pasado sábado 2 de junio se ordenaron sacerdotes cinco jóvenes, lo que supone la mayor ordenación en 43 años, cifra que seguirá manteniendo y mejorando en los próximos años.

Al igual que está ocurriendo en otras diócesis de EEUU se está produciendo un boom vocacional importante tras décadas en las que el desplome fue tremendo. Muchos de estos lugares que están viendo un renacer destacan por ser los católicos una minoría, pero también por cuidar la fidelidad evangélica, lo que ha provocado frutos evidentes en el presente.

Una diócesis pequeña pero con mucha vitalidad
La Diócesis de Fort Wayne, en el Estado de Indiana, tiene una población de más de 1,2 millones de personas pero los católicos apenas llegan al 13%, es decir, unos 160.000. Así, de las 191 diócesis estadounidenses, aparece en el puesto 97 en el número de católicos y en el 120 en porcentaje de católicos.

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Eu, de fato, discordo, mas apóio a iniciativa

O canal mágico

Catequese judaica: os espiões

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Retirado do livro Más allá del versículo, do Rabino Eliahu Birnbaum

Os espiões: Uma atitude pessimista em relação ao futuro do povo judeu.
E disse o Eterno a Moisés: “Envia homens para explorarem a terra de Canaã que dei aos filhos de Israel. (…) De cada tribo mandarás um homem, o principal de cada tribo” (…) E enviou Moisés os seus emissários para explorarem a terra de Canaã (…) Foram, pois, reconhecer a terra, e voltaram dessa busca no fim de quarenta dias. E apresentaram-se perante Moisés, Aarão e toda a congregação dos filhos de Israel… e disseram a Moisés: “Fomos à terra onde nos enviaste e é verdade que emana leite e mel, mas o povo que mora ali é poderoso. As suas cidades são fortificadas e muito grandes…” E Caleb mandou calar o povo e disse “Havemos de subir para herdar a terra, porque podemos fazê-lo.” Mas quem o acompanhou retorquiu: “Não podemos subir contra esse povo, porque é mais forte que nós…” (Números, 18, 1-32)

A parashá Shlach dá-nos a conhecer um dos episódios mais dramáticos e decisivos que aconteceram aos nossos patriarcas no deserto, no seu caminho do Egito até à Terra Prometida. O trajeto entre o Monte Sinai e Eretz Israel devia ter demorado apenas uns dias. O povo tinha saído do Egito acompanhado pela nuvem divina, e, através de grandes milagres, encaminhava-se para Eretz Israel.
No entanto, pouco antes de entrarem na Terra, De’s ordena a Moisés:
Envia homens para explorarem a terra de Canaã que dei aos filhos de Israel… Porquê era necessário enviar espiões para percorrer o país antes de o povo entrar nele? Para quê era necessário ter essa informação estratégica? Não tinham saído do Egito confiando só no Criador e sem informação nenhuma baseada no trabalho de espiões?
Não há dúvida de que o Criador conhecia perfeitamente a situação de Eretz Israel e podia perfeitamente ter informado o povo acerca dela. Também Moisés, que tinha crescido na casa do faraó, devia ter informação acerca da terra de Canaã, tão próxima do Egito. Devemos supor, então, que o envio desta delegação tinha propósitos muito especiais. A Torá diz “Envia homens”. Não diz “espiões”, diz “homens”. A Torá não propõe a Moisés o envio de espiões “profissionais”, mas simplesmente de homens do povo. Dá-nos a sensação de que a Torá não deseja estudar as características da terra, mas sim analisar o comportamento dos homens. Conhecer os homens e os seus costumes, reveladores da situação espiritual e psicológica do povo.
Moisés envia doze homens. Um homem de cada tribo, com o objetivo de que todas as tribos se sentissem representadas de maneira adequada, e também para que o fracasso ou o sucesso da missão não recaísse somente sobre membros de uma determinada tribo. Eretz Israel pertence de modo igual a todas as tribos do povo. Por tanto, representantes de todo o povo deviam estudar a terra e emitir posteriormente o seu juízo de valores relativamente à mesma. Os enviados não eram pessoas comuns mas sim os chefes de cada tribo, a fim de que a sua opinião fosse aceite sem discussões por toda a tribo.
Dá-nos a entender que o objetivo desta delegação era fortalecer a relação com a terra de Eretz Israel, ainda antes de o povo entrar nela. O destino do povo judeu está ligado de forma indissolúvel com o desta terra. É possível comparar o contrato que existe entre o povo de Israel e Eretz Israel com um contrato de casamento. Cria-se uma relação profunda para enfrentar as alegrias e as desgraças, e a relação é eterna. Moisés ordenou aos homens percorrer a terra. Não se tratava de reunir informação, mas sim de dar aos chefes das tribos a oportunidade de percorrer o país e avaliar as suas características tão especiais. As instruções que Moisés deu a conhecer aos homens definiram o caráter da sua missão: fortalecer o país, fortalecer a ligação com ele, ainda antes da entrada de todo o povo. No entanto, os chefes das diferentes tribos não compreenderam a sua missão nem a levaram a cabo. Levaram-na a cabo de forma limitada, apenas no que diz respeito à sua missão de reconhecimento, sem assumir a sua condição de líderes das diferentes tribos do povo de Israel.

Moisés não se relacionava com a terra só no seu aspeto de entidade política ou física; ele considerava que entrar nela representava também um encontro carregado de significado. No entanto, os chefes estudaram a terra da mesma forma que uma pessoa avalia as perspetivas de um negócio que vai empreender. Analisaram as possibilidades de ganhos e eventuais perdas, e por fim concluíram que a empresa não tinha nenhuma possibilidade de êxito.
Se olharmos para as instruções que Moshé Rabeinu transmitiu aos espiões, vemos que lhes pediu informação sobre a situação demográfica e a agricultura. Não lhes pediu para analisar a situação militar. Na realidade, a expedição parece ter objetivos “turísticos” e não militares.
Os representantes das tribos são enviados a Eretz Israel numa missão que não tem conotações profissionais, e cujo objetivo é estimular o povo e conscientizá-lo da sua próxima redenção.
Logo após o seu regresso, os membros da delegação dividem-se em dois grupos: Dez homens relatam factos negativos e predizem que a conquista daquela terra por parte do povo de Israel não seria possível. Dois homens expressam opiniões otimistas sobre as possibilidades de estabelecimento na terra. Na verdade, não havia diferença alguma entre os factos que os doze homens tinham observado, mas sim entre os modos como cada um dos grupos tinha avaliado a situação. Não se trata de que os espiões tivessem mentido; até podem ter descrito uma situação real, mas a sua atitude perante a mesma era negativa.
É possível contemplar todos os factos da realidade desde diferentes ângulos. Assim, os espiões descreveram os factos como estes pareciam a seus olhos. A discussão entre os dois grupos não se centrava em torno das características geográficas e políticas da terra, mas sim sobre a atitude do povo perante ela; na possibilidade de a conquistar e a força com a que o povo contava para entrar nela, depois de um período tão prolongado de escravidão. Os espiões não foram enviados para descobrir o verdadeiro carácter da terra, mas sim o verdadeiro carácter do povo que havia de entrar nela. Os chefes das tribos prestaram atenção somente às características objetivas, aos gigantes, às cidades amuralhadas, e não viram mais além, não empregaram a visão e a esperança, a perspetiva e a fé. Através da fé, é possível ver mais além do horizonte, do aqui e do agora. Mas os chefes das tribos não empregaram a fé. O pecado dos espiões foi a impossibilidade de olharem para o futuro.
A reação de Moisés perante o pecado dos espiões foi, de certo modo, estranha. Moisés rende-se. A sua reação não é de modo algum severa. Na realidade, ele quase não reage. O líder não consegue dar uma resposta perante o pecado dos espiões. Está vencido. Como não pode destruir o povo que tanto ama, em nome desse amor dirige-se ao Criador para solicitar o seu perdão. No entanto, desta vez De’s não está disposto a mudar a sua decisão e por isso responde a Moisés de forma verdadeira: “O povo há de permanecer no deserto até que morram todos aqueles que não foram capazes de ter fé e esperança na chegada à Terra.
A geração dos patriarcas, a geração dos que saíram do Egito, há de permanecer no deserto. Esta geração que cresceu, por um lado, oprimida pela escravidão, e, por outro, rodeada de milagres, habituando-se assim à passividade, não há de entrar na Terra Prometida. É necessário aguardar pelo desaparecimento da geração do sofrimento, da geração que deseja voltar para o Egito, da geração do choro, até que surja uma nova geração que saiba viver na fé, na esperança e na visão. É necessário deixar de confiar nesta geração de escravos, e continuar a confiar no futuro do povo e na realização do seu destino.

 

 

 

A Receita Comunista Para a Destruição da Família

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Parte I.

Em nosso último artigo, tratamos de investigar as raízes do ódio comunista à família ao menos no plano de sua fundamentação teórica e de demonstrar, na medida do possível, as fragilidades dessa mesma sustentação. No presente trabalho, ocupar-nos-emos acerca do avanço de tal ideologia sobre o direito pátrio.

A visão que Engels (repitamos mais uma vez, apoiando-se quase que inteiramente no antropólogo americano Lewis Morgan) tem da história humana revela muito do que viria a ser o movimento comunista. Uma vez que a propriedade privada e a família foram se formando aos poucos à medida que a evolução darwinista empurrava os agrupamentos humanos rumo à civilização, a conclusão óbvia é que, sendo uma construção da sociedade (e, acrescento eu: da sociedade opressora), então é possível que nos livremos de ambas. Se nem uma nem outra são naturais ao homem, então, podem ser descartadas. E, na visão do…

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Gigante com Pés de Barro

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Quando Marx e Engels lançaram seu “Manifesto Comunista”, no Ano da Graça de 1.848, havia nele algo que parece ter chamado pouco a atenção do, digamos, “militante comum”, mas que, bem captado pelos líderes e pensadores do movimento, tornou-se uma verdadeira bomba destinada a remodelar toda a sociedade ocidental no século e meio seguinte, ainda que o modelo de comunismo lá proposto viesse a se revelar uma espantosa sucessão de fracassos e de tragédias. Falo, aqui, do ódio (a palavra não é um exagero) de ambos à família tradicional. Eles o dizem abertamente e com um certo ar de arrogância: seu desejo é o de destruir a família “burguesa”, vista como célula de exploração da mulher e dos filhos pelo homem. Para os que não o creem, abro aqui um espaço para que eles mesmos o digam:

A supressão da família! Mesmo os mais radicais exaltam-se com esse infame desígnio…

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A existência do “ser-eterno-não-físico-imaterial-não-contingente-não-causado-extremamente-poderoso-de-existência-necessária-que-criou-todo-o-universo-e-tudo-o-mais-nele”

Ou “O argumento da contingência de Leibniz”.

O Deus das lacunas

John Lennox: ciência e religião

A Tutela da Revolta e a Ascenção do Estado Totalitário

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leviata-demonio Fonte da imagem: https://www.esbocandoideias.com/2017/03/leviata-na-biblia-e-um-demonio.html

Parte I: E Sereis Como Deus.

Parte II: A Revolta Metafísica em Ato.

Como dito nos dois posts anteriores, há no homem uma revolta metafísica, uma ruptura imaginária entre o ser e o dever ser, sendo que a ideologia de gênero aproveita-se exatamente desta nossa fraqueza para lançar seu apelo. Tal apelo encontrará eco naqueles indivíduos mais suscetíveis de abandonar a realidade e aderir ao seu dever ser imaginário.

Assim, os ideólogos de gênero conseguiram, por meio de muita propaganda midiática, criar uma demanda no corpo da sociedade. E, criada ela, era necessário, então, que, na outra ponta do processo, alguém fosse escalado para supri-la: os legisladores e os juízes. Para convencê-los, o apelo feito foi de outra natureza, mas que, igualmente, faz eco numa fraqueza ínsita a todo ser humano: apelou-se para o desejo que há em todo filho de Eva de ser como Deus…

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A Revolta Metafísica Em Ato

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Sexu_Identitatea

Parte I: https://mmjusblog.wordpress.com/2017/07/28/e-sereis-como-deus/

Como visto em nosso artigo anterior, a narrativa da criação e da queda de nossos primeiros pais (especialmente de nossa primeira mãe) revela-nos coisas essenciais acerca da natureza que nos cerca e, especialmente, diz muito sobre nós mesmos. Deus, sendo o Bem absoluto, nada podia criar que não fosse bom, razão pela qual a criação é boa. O ser e o dever ser das coisas coincidem. As  proibições, os mandamentos e as permissões divinas enraízam-se na natureza dos seres das coisas e não num capricho voluntarista do Criador. Contudo, a partir da aceitação por Eva do engano da serpente, passou a haver, no ser humano, uma dúvida acerca da bondade de Deus e de toda criação; com frequência, cremos que as coisas não são como deveriam ser e pensamos que os imperativos morais são fruto de um voluntarismo divino; e, sobretudo, há em nós o desejo de sermos…

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E Sereis Como Deus.

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Já há algum tempo, escrevi um artigo intitulado “Como Loucos no Hospício”, no qual tive a intenção de expor, sucintamente, como a mente do homem ocidental moderno funciona: exatamente como a de um louco, vivendo alheio à realidade e apegando-se a ideias sem a menor preocupação de confrontá-las com o mundo em sua volta. Ao final do texto, prometi uma continuação, visto que a loucura do mundo moderno é tal que, de fato, muitos há que pensam ser como Deus, julgando-se capazes mesmo de alterar a realidade que os cerca.

A continuação prometida, contudo, foi adiada por algum tempo. E, dado o avanço cada vez mais avassalador da chamada ideologia de gênero, entendi por bem abordar o assunto sob esta ótica, mesmo porque, até o presente momento, o ser humano não conseguiu criar nada que seja mais flagrantemente contrário à realidade; nada, portanto, que seja mais louco.

Para…

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Tomás responde: A mentira é sempre pecado?

La caida de Luzbel

Antonio Maria Esquivel (1806-1857), La caída de Luzbel, Museo del Prado

“Vós sois do diabo, vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade: quando ele mente, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8, 44)

Parece que nem toda mentira é pecado:

1. Com efeito, é evidente que os evangelistas não pecaram ao escrever o Evangelho. Ora, eles parecem ter dito algo falso, porque as palavras de Cristo, e até mesmo de outros personagens, são registradas de maneira diferente por eles. E daí se pode concluir que um deles há de ter dito uma coisa falsa. Logo, nem toda mentira é pecado.

2. Além disso, ninguém é recompensado por Deus pelo pecado. Ora, as parteiras do Egito foram recompensadas por Deus, por terem mentido, pois a escritura diz que Deus lhes concedeu uma posteridade. Logo, a mentira nem sempre é pecado.

3. Ademais, a Sagrada Escritura narra os feitos dos santos para a edificação da vida humana. Ora, de alguns grandes santos se diz que mentiram. No Gênesis se lê que Abraão disse que sua esposa era sua irmã. Jacó mentiu dizendo que era Esaú, e, apesar disso recebeu a bênção. E Judith, que mentiu para Holofernes, até hoje recebe louvor. Logo, nem toda mentira é pecado.

4. Ademais, às vezes convém escolher um mal menor para evitar um mal maior; é o caso do médico que se vê obrigado a cortar um membro para evitar a infecção do corpo inteiro. Ora, causa menor dano ao próximo quem lhe comunica uma informação falsa do que assassinar ou ser assassinado. Logo, pode ser lícito mentir para impedir alguém de cometer homicídio para preservar alguém da morte.

5. Ademais, quem não cumpre uma promessa, mente. Ora, nem todas as promessas devem ser cumpridas, pois Isidoro diz: se prometeste algo mau, rompe teu compromisso. Logo, nem toda mentira é pecado.

6. Ademais, a mentira é considerada pecado porque a pessoa engana o próximo; o que faz Agostinho dizer: “Quem imagina que pode haver um gênero de mentira sem pecado, está torpemente equivocado ao se estimar como honesto enganador dos outros”. Ora, nem toda mentira é causa de engodo porque a mentira jocosa não engana ninguém. Na realidade, ninguém conta estas mentiras para que sejam cridas, mas simplesmente para a diversão. E assim de vez em quando se encontram locuções hiperbólicas na Sagrada Escritura. Logo, nem toda mentira é pecado.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, o livro do Eclesiástico diz: Recusa-te a proferir qualquer mentira (7, 14).

tomas_respondo Aquilo que é mau por sua própria natureza não pode de maneira nenhuma ser bom ou lícito; porque, para algo ser bom, é preciso que todos os seus elementos o sejam. De onde a célebre sentença de Dionísio: o bem resulta da perfeição total da causa, enquanto que o mal resulta de qualquer defeito. Ora, a mentira é um mal por sua própria natureza porque é um ato cuja matéria
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Como Loucos no Hospício

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Em seu monumental livro “Ortodoxia”, G. K. Chesterton narra um episódio interessante a partir do qual faz toda uma crítica à filosofia e ao mundo moderno. Entendo que tal crítica é essencial para conhecermos o porquê de tantas e tantas loucuras que nos cercam. Para que o leitor possa, ele mesmo, ter acesso a essa pérola, entendo por bem colacionar a íntegra do texto a que me referi:

Se você discutir com um louco, é extremamente provável que leve a pior; pois sob muitos aspectos a mente dele se move muito mais rápido por não se atrapalhar com coisas que costumam acompanhar o bom juízo. Ele não é embaraçado pelo senso de humor ou pela caridade, ou pelas tolas certezas da experiência. Ele é muito mais lógico por perder certos afetos da sanidade. De fato, a explicação comum para a insanidade nesse respeito é enganadora. O louco não é…

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