Chesterton X Nietzsche (legendado)

“Nietzsche, como todos sabem, pregou uma doutrina que ele e seus seguidores aparentemente consideravam muito revolucionária; sustentaram que a moral altruísta simplesmente havia sido uma invenção de uma classe escrava para evitar que, em tempos posteriores, alguém surgisse para combatê-la e dominá-la. Os modernos, concordando ou não com Nietzsche, sempre se referem a essa idéia como algo novo e jamais visto. Com tranqüilidade e insistência, se supõe que os grandes escritores, digamos Shakespeare, por exemplo, não sustentou essa idéia porque jamais havia pensado nela. Recorramos ao último ato de Ricardo III de Shakespeare e encontraremos não só tudo o que Nietzsche tinha a dizer, resumido em duas linhas, mas também as mesmas palavras de Nietzsche. Ricardo o corcunda, disse:

Consciência é só uma palavra que usam os covardes,

Criada, a princípio, para infundir terror aos fortes.

 Como já falei, o fato é evidente. Shakespeare havia pensado na idéia de Nietzsche e na Moralidade Suprema; porém o deu seu próprio valor e pôs no lugar que lhe corresponde. Este lugar é a boca de um corcunda meio louco nas vésperas da derrota. Essa raiva contra os debilitados só é possível em um homem morbidamente admirável, mas profundamente enfermo; um homem como Ricardo; um homem como Nietzsche. Este caso deveria destruir a fantasia absurda de que estas filosofias modernas são modernas no sentido de que os grandes homens do passado não pensaram nelas. Não é que Shakespeare não tenha visto a idéia de Nietzsche; ela a viu, porém viu além dela.”

G. K. Chesterton, The Common Man

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Entrevista: um socialista contra o aborto

Norberto_Bobbio

Noberto Bobbio, filósofo, socialista e sem religião e contrário ao aborto

O filósofo socialista italiano Norberto Bobbio (1909-2004) deu uma entrevista ao jornal “Il Corriere della Sera” em 8 de maio de 1981, quando a Itália levantou a hipótese de legalização do aborto. Bobbio mostrou naquela época que se pode ser socialista e ser contra o aborto. Além disso, para ele, o irracional é ser a favor, seja qual for a escolha ideológica. Por seu extraordinário interesse no momento presente, reproduzimos a substância da entrevista. 

“Eu estou surpreso que os leigos deixem aos crentes o privilégio e a honra de dizer que não se deve matar”, disse o filósofo socialista italiano Norberto Bobbio (1909-2004) em entrevista ao Il Corriere della Sera em maio de 1981, quando se pleiteou na Itália uma eventual legalização do aborto.

 Bobbio demonstrou como se pode ser socialista e mesmo assim ser contra o aborto. Além disso, para ele, é irracional ser a favor do aborto, seja qual for a escolha ideológica. Por seu extraordinário interesse no momento presente, e o efeito de suas palavras, apesar da passagem do tempo, aqui reproduzimos o essencial dessa entrevista.

 Norberto Bobbio: Eu não gosto de falar sobre este tema do aborto. É um problema muito difícil, um problema típico em que estamos diante de um conflito de direitos e deveres.

Corriere della Sera : Quais são os direitos e deveres que estão em conflito? Leia mais deste post

Outro diabo, outro aprendiz…

duccio_di_buoninsegna_o_massacre_dos_inocentes

                   Duccio di Buoninsegna (1260-1318), O Massacre dos Inocentes

                                                                                      ♣

Meu caro Giracuca,

Admirável! Você não apenas levou seu paciente a deitar-se com aquela moça desprezível com quem ele está namorando, mas ele até a engravidou! E o melhor de tudo: agora eles estão prestes a realizar um aborto.

Se você puder empurrá-los desse despenhadeiro, marcará três pontos a seu favor: duas almas destruídas parcialmente e um corpo destruído totalmente. Que perfeita paródia da “Sagrada Família” aqueles três são! Ah, fazemos bem em orgulharmo-nos do nosso trabalho, Giracuca – você por obedecer meu sábio conselho e eu por dá-lo.

O Comando Inferior coordenará seus esforços com os de Esmagalmo, designado para a garota, já que você pode pressioná-la de modo mais eficaz por meio dele. Eis algumas dicas:

Faça seu paciente pensar que ele está sendo “compassivo” quando se preocupa com ela no que diz respeito às consequências “inimagináveis” de levar a gravidez até o fim, seja ficando com o bebê, seja encaminhando-o para adoção. Faça-os prestar atenção aos fardos incluídos nas alternativas ao aborto, mas nunca ao aborto em si. Isso deve sempre aparecer como uma rota de fuga.

Faça-o exagerar, primeiro na própria mente e depois na dela, o estigma social que ela teme por uma gravidez fora do matrimônio – como se todos os amigos dela fossem vitorianos! E certifique-se de que ela considere psicologicamente impossível dar o bebê para adoção – como se os instintos maternais dela fossem muito fortes para que ela deixe o filho viver com qualquer outra pessoa, mas não tão fortes que a impeçam de matá-lo!

Acrescente os temores e as tolices bastante reais de um “casamento feito às pressas”. Mas não deixe que ela pense nas consequências do aborto tanto para ela como para o bebê: a culpa e a amargura, a insensibilidade, a perda da inocência, do idealismo e do romance, as memórias obsessivas que aparecerão em cada aniversário da morte do bebê.

Naturalmente, jamais deixe que nenhum deles use uma linguagem tão simples e honesta como essa. Certifique-se de que eles se sintam tão confortáveis em chamar a criança de “feto” e tão horrorizados em chama-la de bebê, que o realismo e a honestidade morram em suas almas antes que o bebê seja morto no útero.

E não se esqueça de exagerar os riscos médicos da gravidez e de minimizar os do aborto, particularmente a esterilidade e a frigidez frequentes. Nossos agentes têm escondido bem fatos como esses, apesar dos livros que os documentam, pois nós nos certificamos de que esses livros sejam divulgados e lidos apenas pelos já convertidos.

Faça-o levá-la a um daqueles “centros de aconselhamento para a gravidez”, que propagandeiam a “escolha”, mas que são verdadeiros alimentadores das nossas clínicas de aborto. Certifique-se de que eles não topem com uma daquelas armadilhas alternativas ao aborto como a Birthright. Elas são mais perigosas para a nossa causa do que todos os argumentos do mundo.

Então, você deve manter os fatos escondidos. Lembre-se sempre do primeiro princípio: Ofusque as Luzes. Faça que eles não pensem na simples e honesta pergunta a respeito da verdade objetiva, a pergunta sobre o que o aborto é e sobre o que é a “coisa” envenenada, queimada ou fatiada pelo aborto. JAMAIS DEIXE QUE ELES A CHAMEM DE “BEBÊ”!

 Você e pergunta: como? Eles sabem com certeza que se trata de um bebê. Sim, mas faça-os pensar que chamar essa coisa de bebê determinaria a questão (como de fato o faria) e fecharia todos os caminhos de “fuga” (aborto) e assim obscureceria a mente deles. Você pode até dar um jeito para que eles pensem que deixar um bebê vivo é algo tacanho; e assassiná-lo, uma atitude liberal. Leia mais deste post

Chesterton e o “casamento gay”

chesterton

Um dos temas prementes na época de Chesterton era o “controle de natalidade”. Ele não fazia objeção apenas à ideia, mas ao próprio termo, porque significava o oposto do que queria dizer. Não significava nem natalidade, nem controle. Posso supor que ele teria as mesmas objeções contra o “casamento gay”. Não só a ideia, como também o nome está errado: o “casamento gay” não é gay, no sentido original do termo, nem é casamento.

Chesterton era sempre sensato em seus pronunciamentos e profecias porque entendia que qualquer coisa que atacasse a família era ruim para a sociedade. Foi por isso que ele falou contra a eugenia e a contracepção, contra o divórcio e o “amor livre” (outro termo que ele rejeitava por sua falsidade), mas também contra a escravidão assalariada e a educação estatal compulsória, com mães contratando outras pessoas para fazer o que elas foram designadas para fazer por si mesmas. É seguro dizer que Chesterton se levantou contra toda moda e tendência que hoje nos aflige porque cada uma dessas modas e tendências minava a família. Um Estado intervencionista (Big Government) tenta substituir a autoridade da família, e um Mercado dominador (Big Business) tenta substituir a sua autonomia. Há uma constante pressão comercial e cultural sobre o pai, a mãe e os filhos. Eles são minimizados, marginalizados e, sim, ridicularizados. Mas, como diz Chesterton, “esse triângulo de truísmos — pai, mãe e filho — não pode ser destruído; só se destroem as civilizações que o desprezam”.

A legalização das uniões homossexuais não é nem o último nem o pior ataque à família, mas tem um valor impressivo, apesar do processo de dessensibilização em que nos colocaram as indústrias de informação e entretenimento ao longo dos últimos anos. Quem tenta protestar contra a normalização do anormal é recebido “ou com ataques ou com o silêncio” — assim como Chesterton, quando ele tentou argumentar contra as novas filosofias promovidas pela maior parte dos jornais de sua época. Em 1926, ele alertou: “A próxima grande heresia será um ataque à moralidade, especialmente à moral sexual”. Seu aviso passou desapercebido, enquanto a moral sexual decaía progressivamente. Mas vamos nos lembrar que tudo começou com o controle da natalidade, que é uma tentativa de viver o sexo por ele mesmo, transformando um ato de amor em um ato de egoísmo. A promoção e a aceitação do sexo sem vida, estéril e egoísta evoluiu, logicamente, para a homossexualidade.

Chesterton mostra que o problema da homossexualidade como inimiga da civilização é bem antigo. Em O Homem Eterno, ele descreve que o culto à natureza e a “simples mitologia” produziram uma perversão entre os gregos. “Da mesma forma que eles se tornaram inaturais adorando a natureza, assim eles de fato se tornaram efeminados adorando o homem”. Qualquer jovem, ele diz, “que teve a sorte de crescer de modo sensato e simples” sente um repúdio natural pela homossexualidade porque “ela não é verdadeira nem para a natureza humana, nem para o senso comum”. Ele argumenta que, se tentarmos agir indiferentemente em relação a ela, estaremos nos enganando a nós mesmos. É “a ilusão da familiaridade” quando “uma perversão se torna uma convenção”.

Em Hereges, Chesterton quase faz uma profecia sobre o abuso da palavra “gay”. Ele escreve sobre a “poderosa e infeliz filosofia de Oscar Wilde”, “a religião do carpe diem“. Carpe diem significa “aproveite o dia”, faça o que quiser, sem pensar nas consequências, viva apenas pelo momento. “No entanto, a religião do carpe diem não é a religião das pessoas felizes, mas a das absolutamente infelizes”. Há um desespero bem como um infortúnio ligado a isso. Quando o sexo é apenas um prazer momentâneo, quando não oferece nada além de si mesmo, ele não traz nenhuma satisfação. É literalmente sem vida. E, como Chesterton escreve em seu livro São Francisco de Assis,“no momento em que o sexo deixa de ser um servo, ele se torna um tirano”. Essa é talvez a mais profunda análise do problema dos homossexuais: eles são escravos do sexo. Estão tentando “perverter o futuro e desfazer o passado”. Eles precisam ser libertados.

O pecado tem consequências. Ainda assim, Chesterton sempre sustenta que devemos condenar o pecado, não o pecador. E ninguém mostra mais compaixão pelos decaídos do que ele. Sobre Oscar Wilde, que ele chama de “o chefe dos decadentes”, Chesterton diz que ele cometeu um “erro monstruoso”, mas também sofreu monstruosamente por isso, indo para uma terrível prisão, onde ele foi esquecido por todas as pessoas que antes tinham brindado a sua rebeldia impulsiva. “A vida dele foi completa, naquele sentido inspirador em que a minha vida e a sua são incompletas, já que nós ainda não pagamos por nossos pecados. Nesse sentido, podemos chamar a vida dele de perfeita, assim como falamos de uma equação perfeita, que é neutralizada. De um lado, nós temos o saudável horror ao mal; de outro, o saudável horror à punição”.

Chesterton se referia ao comportamento homossexual de Wilde como um pecado “altamente civilizado”, por ser uma das piores aflições entre as classes ricas e ilustradas. Era um pecado ao qual Chesterton nunca havia sido tentado, e ele diz que não é uma grande virtude nunca termos cometido um pecado ao qual não fomos tentados. Outra razão pela qual devemos tratar nossos irmãos e irmãs homossexuais com compaixão. Nós conhecemos nossos próprios pecados e fraquezas o suficiente. Fílon de Alexandria dizia: “Seja gentil, pois todos à sua volta estão lutando uma batalha terrível”.

Compaixão, contudo, não significa jamais compromisso com o mal. Chesterton ressalta aquele equilíbrio pelo qual nossa verdade não deve ser desprovida de piedade, nem a nossa compaixão deve ser separada da verdade. A homossexualidade é uma desordem. É contrária à ordem. Os atos homossexuais são pecaminosos, ou seja, são contrários à ordem de Deus. Eles jamais poderão ser normais. Pior ainda, jamais sequer poderão ser vividos normalmente. Como diz o grande detetive Padre Brown: “Os homens até podem se manter em um nível razoável de bondade, mas ninguém jamais foi capaz de permanecer em um nível de maldade. Essa estrada conduz ao fundo do abismo”.

O matrimônio é entre um homem e uma mulher. Essa é a ordem. E a Igreja Católica ensina que essa é uma ordem sacramental, com implicações divinas. O mundo tem feito uma sátira do casamento que agora culminou com as uniões homossexuais. Mas foram os homens e as mulheres heterossexuais que pavimentaram o caminho para essa decadência. O divórcio, que é algo anormal, é agora tratado como normal. A contracepção, outra coisa anormal, é agora tratada como normal. O aborto ainda não é normal, ainda que seja legal. Legalizar o “casamento” homossexual não o tornará normal, só vai aumentar ainda mais a confusão dos tempos e a decadência da nossa civilização. Mas a profecia de Chesterton permanece: não seremos capazes de destruir a família. Ao desprezá-la, o que vamos fazer é simplesmente destruir-nos a nós mesmos.

Fonte: Crisis Magazine | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

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Mudando as mentes das crianças

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Excerto de Reinventing the World — Part 2: The Mind-Changing Process) (Reinventando o Mundo — Parte 2: O Processo de Mudança da Mente):

A Dialética Hegeliana se tornou uma pedra fundamental não somente do sistema educacional global, mas do Gerenciamento da Qualidade Total (TQM) em todos os tipos de organizações governamentais, corporativas e privadas em todo o mundo. Enquanto isso, os programas de treinamento, a tecnologia de avaliação e os sistemas de rastreamento de dados que complementam e monitoram esse processo psicossocial estão se tornando cada vez mais sofisticados e intrusivos.

Nossa sociedade pós-moderna mostra os efeitos dessa ideologia revolucionária. Portanto, não deve ser surpresa para nós que uma professora da quinta-série em uma escola do ensino fundamental na região de Seattle tenha usado a intimidação para torcer a verdade absoluta de um aluno e torná-la uma opinião pessoal. Ela tinha dito para a classe completar a frase: ‘Se pudesse desejar três coisas, eu escolheria…”

Um aluno cristão escreveu “infinitamente mais desejos, encontrar Deus e que todos meus amigos sejam cristãos”. Como os desejos de cada aluno seriam colocados na parede para uma exposição promovida pela escola e que seria aberta ao público, eles tinham de ser absolutamente corretos. Mas, os desejos escritos por Mateus não foram aprovados. A professora lhe disse que seu último desejo poderia ofender aqueles que não compartilhavam de suas crenças. Mateus não queria ofender ninguém, de modo que concordou em acrescentar “se eles quiserem”. Leia mais deste post

Lutar pelos nossos filhos: a hora é AGORA!

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Um pesadelo está virando realidade.

A Ideologia de Gênero – que diz que qualquer pessoa pode “escolher” se é homem ou mulher –

pode estar perto de ser implantada no plano de educação infantil do seu Município…

…E EM TODO O BRASIL !

Seus filhos e as crianças da sua família estão em PERIGO.

Até o dia 24/6, os estados e municípios deverão votar se colocarão a Ideologia de Gênero nos seus planos educacionais.

Todas essas crianças serão pervertidas pela abominável ideia de que é normal duas pessoas do mesmo sexo manterem relações sexuais.

A militância LGBT quer que as SUAS crianças pensem do jeito deles e se comportem como eles.

Isto é mesmo um pesadelo que se tornará realidade se os cristãos não fizerem nada!

Mas muitos Bispos já se posicionaram contra este plano diabólico. Veja algumas declarações:

“Desejo, pois, conclamar a todos para, de modo respeitoso, mas firme, se oporem, à ideologia de gênero – tão contrária aos planos de Deus – a ameaçar as crianças e adolescentes de nossas escolas”.
(D. Antonio Keller – Bispo de Frederico Westphalen)

“Podemos concluir que a ideologia do gênero tornou-se um instrumento utilizado para atacar a dignidade da pessoa e também a família, pois esta representa para eles um tipo de ‘dominação'”. (Cardeal Orani Tempesta – Arcebispo de S. Sebastião)

Agora veja o que o próprio Papa disse:

“A ideologia de gênero é contrária ao plano de Deus!”(Papa Francisco)

Compartilhe esta Carta Aberta, mobilize-se contra este absurdo!

Esta pode ser a última chance de todos os cristãos se posicionarem contra

e barrar mais esta ofensiva terrível a Deus e à Família como Ele criou.

Associação Devotos de Fátima

Ideologia de gênero: a votação para a implantação nos municípios é este mês!!!

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Como foram derrotados na tentativa de implantar a ideologia de gênero no Plano Nacional de Educação, a tática passou a ser a implantação, por baixo dos panos, nos planos municipais. A grande maioria da população ignora o que está acontecendo, e em muitos municípios os vereadores aprovam o plano sem sequer saber o que estão aprovando. Leia artigo da Zenit abaixo.

 ♣

Brasil: A ideologia de gênero ressurge
 Tal ideologia visa agora entrar na vida de nossas crianças e adolescentes não mais pela esfera federal, mas, sim, municipal: cada município fica responsável por implantar ou recusar esse sistema de idéias nefasto e antinatural em seu plano de ensino

Por Vanderlei de Lima

São Paulo, Região Sudeste, Brasil, 01 de Junho de 2015 (ZENIT.org)

A ideologia de gênero, varrida do Plano Nacional de Educação (PNE), no ano passado, não descansa em paz como algumas pessoas menos avisadas possam pensar. Ao contrário, “diabólica” como é – para usar as palavras do Papa Francisco –, ela visa agora entrar na vida de nossas crianças e adolescentes não mais pela esfera federal, mas, sim, municipal: cada município fica responsável por implantar ou recusar esse sistema de idéias nefasto e antinatural em seu plano de ensino.

Importa, pois, relembrar que se isso se der em sua totalidade será a destruição do ser humano, conforme já apontamos aqui nos oportuníssimos espaços oferecidos por Zenit em outras ocasiões..

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Com efeito, a tese mestra da ideologia de gênero é a seguinte: nós nascemos com um sexo biológico definido (homem ou mulher), mas, além dele, existiria o sexo psicológico ou o gênero que poderia ser construído livremente pela sociedade na qual o indivíduo está inserido. Em outras palavras, não existiria mais uma mulher ou um homem naturais. Ao contrário, o ser humano nasceria sexualmente neutro, do ponto de vista psíquico, e seria constituído socialmente homem ou mulher.

Ora, em seu discurso de 21 de dezembro de 2012 à Cúria Romana, o Papa Bento XVI já lançava uma ampla advertência quanto ao uso do “termo ‘gênero’ como nova filosofia da sexualidade”. Dizia ele que “o homem contesta o fato de possuir uma natureza pré-constituída pela sua corporeidade, que caracteriza o ser humano. Nega a sua própria natureza, decidindo que esta não lhe é dada como um fato pré-constituído, mas é ele próprio quem a cria. De acordo com a narração bíblica da criação, pertence à essência da criatura humana ter sido criada por Deus como homem ou como mulher. Esta dualidade é essencial para o ser humano, como Deus o fez. É precisamente esta dualidade como ponto de partida que é contestada. Deixou de ser válido aquilo que se lê na narração da criação: ‘Ele os criou homem e mulher’ (Gn 1,27). Isto deixou de ser válido, para valer que não foi Ele que os criou homem e mulher; mas teria sido a sociedade a determiná-lo até agora, ao passo que agora somos nós mesmos a decidir sobre isto. Homem e mulher como realidade da criação, como natureza da pessoa humana, já não existem. O homem contesta a sua própria natureza”.

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O Papa Bento abordou a ideologia de gênero outra vez, um mês mais tarde, em 19 de janeiro de 2013, dizendo que “os Pastores da Igreja – a qual é ‘coluna e sustentáculo da verdade’ (1Tm 3,15) – têm o dever de alertar contra estas derivas tanto os fiéis católicos como qualquer pessoa de boa vontade e de razão reta”.

Vale a pena, a título de conclusão, notar três coisas na fala papal: a) a teoria de gênero é, no fundo, um grave pecado, pois visa subverter ou revolucionar, no pior sentido do termo, a ordem natural criada por Deus. É um brado de total revolta contra o Criador; b) O Papa usa o vocábulo dualidade, ou seja, duas realidades distintas (homem e mulher) que se complementam harmoniosamente, mas não se opõem. Isso já seria dualismo; c) Pede aos Bispos que não deixem de alertar o povo católico e demais pessoas de boa vontade sobre a maldade da ideologia de gênero que vem tentando se implantar em nossa sociedade, particularmente por meio do sistema de ensino.

Ao fiel católico leigo – demais cristãos e pessoas de boa vontade em geral – cabe colocar em alerta os mais próximos e, sobretudo, perguntar aos políticos profissionais que conhece (especialmente aos vereadores) qual é a postura deles sobre a ideologia de gênero. Se disserem que estão desinformados, indique-lhes o livro Ideologia de gênero: o neototalitarismo e a morte da família, de Jorge Scala (Katechesis/Artpress, 2011), ou, mais fácil, o artigoReflexões sobre a ideologia de gênero, do Cardeal Dom Orani João Tempesta, Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, publicado no site da CNBB, em 28/03/14, a fim de que esses representantes do povo se posicionem ante a subversão dos planos do Criador. Afinal, diante de Deus, todos somos responsáveis – em maior ou menor grau – pela delicadíssima questão em foco.

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Lei natural versus lei positiva

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Rembrandt (1606-1669), Moisés com as tábuas da Lei (1659)

Se, então, a lei natural é descoberta pela razão a partir das “inclinações fundamentais da natureza humana . . . absolutas, imutáveis e de validade universal para todos os tempos e lugares,” segue-se que a lei natural fornece um conjunto objetivo de normas éticas que guiam as ações humanas em qualquer tempo ou lugar.[1]A lei natural é, em sua essência, uma ética profundamente “radical”, pois ela expõe o status quo existente, que pode violar gravemente a lei natural, à impiedosa e inflexível luz da razão.  No campo da política ou da ação estatal, a lei natural fornece ao homem um conjunto de normas que pode ser radicalmente crítico às leis positivas atualmente impostas pelo estado.  Neste momento, precisamos destacar apenas que a própria existência de uma lei natural sujeita à descoberta pela razão é uma ameaça potencialmente poderosa aostatus quo bem como uma reprovação permanente da soberania de costumes cegamente tradicionais ou à vontade arbitrária do aparato estatal. 

Na verdade, os princípios legais de qualquer sociedade podem ser estabelecidos de três maneiras diferentes: (a) seguindo-se os costumes tradicionais da tribo ou comunidade; (b) obedecendo-se à vontade arbitrária ead hoc daqueles que governam o aparato estatal; ou (c) utilizando a razão humana para descobrir a lei natural — resumindo, por conformidade subordinada aos costumes, por capricho arbitrário ou pelo uso da razão humana.  Essencialmente são estas as únicas formas possíveis de estabelecer uma lei positiva.  Aqui afirmaremos apenas que o último método (c) é ao mesmo tempo mais apropriado para o homem, mais nobre e plenamente humano, e mais potencialmente “revolucionário” vis-à-vis qualquer status quo conhecido. 

Em nosso século, o desprezo pela mera existência da lei natural e a difundida ignorância sobre esta tem limitado a sugestão de adoção das estruturas legais (a) ou (b), ou uma mistura das duas.  Isto afeta também aqueles que advogam uma política de liberdade individual.  Portanto, existem libertários que simples e inquestionavelmente adotariam o direito consuetudinário, mesmo com suas muitas falhas anti-libertárias.  Outros, como Henry Hazlitt, descartariam todas as limitações constitucionais ao governo e contraria unicamente com a vontade da maioria como expressada pela legislatura.  Nenhum dos grupos parece compreender o conceito de uma estrutura de lei natural racional como referência para moldar e re-moldar leis positivas em vigência.[2]

Enquanto a lei natural tem sido frequentemente usada de forma errônea na defesa do status quo político, suas implicações radicais e “revolucionárias” foram brilhantemente compreendidas pelo grande historiador libertário católico Lord Acton.  Acton enxergou claramente que a profunda falha na concepção da filosofia política de lei natural dos antigos gregos — e de seus seguidores posteriores — foi equivaler a política à moral, e então nomear o estado como o supremo representante da moral social.  A partir de Platão e Aristóteles, a proclamada supremacia do estado foi originada em suas visões segundo as quais “moralidade era indistinguível da religião, assim como a política da moral; e em religião, moralidade e política havia apenas um só legislador e uma única autoridade”.[3] Leia mais deste post

O valente Jerôme

Jerome_Lejeune

 

A pressão social, o medo de sermos qualificados de fundamentalistas e um sincero, ainda que equivocado, espírito de salvar o que pode ser salvo frente à avalanche de projetos, leis e costumes iníquos, podem fazer-nos cair na tentação de negociar o que é inegociável e, portanto, ceder quanto ao que não nos pertence – a ordem natural e a doutrina de Jesus Cristo. Essa atitude nos fara cair na opção o mal menor, num malminorismo moralmente inadmissível.

Que sirva para ilustrar o exemplo do Servo de Deus Jerôme Lejeune. Aos 33 anos, em 1959, Lejeune publicou sua descoberta sobre a causa da síndrome de Down, a “trissomia do 21”, e isto o transformou em um dos pais da genética moderna. Em 1962 foi designado como especialista em genética humana na Organização Mundial da Saúde (OMS) e, em 1964, foi nomeado Diretor do Centro Nacional de Investigações Científicas da França; no mesmo ano, é criada para ele, na Faculdade de Medicina da Sorbonne, a primeira cátedra de Genética fundamental. Transforma-se assim em candidato número um ao Prêmio Nobel de Medicina.

Aplaudido e lisonjeado pelos grandes do mundo, deixa de sê-lo em 1970, quando se opõe ferozmente ao projeto de lei do aborto eugênico. Lejeune combateu o malminorismo que infectou os católicos na França; estes supunham que cedendo no aborto eugênico freavam as pretensões abortistas e evitavam uma legislação mais permissiva. Os argumentos de Lejeune eram muito claros: não podemos ser cúmplices, o aborto é sempre um assassinato, quem está doente não merece a morte por isso e, mais ainda, longe de frear males maiores o aborto eugênico abre as portas para a liberalização total desse crime. Sua postura lhe rendeu uma real perseguição eclesial que se juntou à perseguição civil, acentuada por sua defesa do nascituro nas Nações Unidas.

Também em 1970, participou de uma reunião na OMS, na qual se tentava justificar a legalização do aborto para evitar abortos clandestinos. Foi nesse momento, quando se referindo à Organização Mundial da Saúde, que disse: “eis aqui uma instituição de saúde que se tornou uma instituição para a morte”. Nessa mesma tarde, ele escreveu para sua esposa e filha dizendo: “Hoje eu joguei fora o Prêmio Nobel”. Em nenhum momento deu ouvidos aos prudentes, que o aconselhavam calar-se para chegar mais alto e assim mais poder influir.

João Paulo II, em uma carta ao Cardeal Jean-Marie Lustinger, então arcebispo de Paris, por ocasião da morte de Lejeune, disse:

“Como cientista e biólogo era um apaixonado pela vida. Ele se tornou o maior defensor da vida, especialmente a vida dos anscituros, tão ameaçada na sociedade contemporânea, de modo que se pode pensar que seja uma ameaça programada. Lejeune assumiu plenamente a particular responsabilidade do cientista, disposto a ser um sinal de contradição, ignorando a pressão da sociedade permissiva e do ostracismo do qual era vítima.”

Juan Claudio Sanahuja, Poder Global e Religião Universal, Ecclesae, 2012, 1ª edição

A ditadura do relativismo

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O relativismo ético impõe a renúncia às convicções próprias. Aquela que parece ser a ideologia da tolerância máxima não admite dissenção, e a ideologia da exaltação dos valores universais, que a síntese da máxima cooperação e integração entre as formas respeitosas de religião alcança, dá margem às maiores aberrações. Resenharemos apenas alguns exemplos dos últimos anos, entre os diversos que temos documentado.

A tirania do pensamento único, em nome da liberdade e dos direitos humanos, tem trabalhado para abolir a objeção de consciência na classe médica em relação ao aborto, à esterilização, à inseminação artificial, à eutanásia; pretende obrigar legalmente os seguros de saúde de associações católicas a fornecerem contraceptivos e abortivos e os hospitais católicos a fazerem abortos cirúrgicos e esterilizações. Como o governante ilustrado que concedia uma graça a seus súditos, são cridos registros de objetores de consciência, ainda que agrupar os profissionais de saúde dessa forma seja claramente discriminatório: “daí a colocar uma estrela amarela (ou “chip”, para poupar suscetibilidades) em seu avental não está muito longe”, diz Juan Manuel Valdes Molin, da Associação para a Defesa do Direito à Objeção de Consciência (ANDOC).

Os legisladores colonizados pela mentalidade relativista conseguiram fazer desaparecer e muitas leis o pátrio poder, os direitos e deveres dos pais de educar seus filhos segundo suas próprias convicções éticas e religiosas: o médico precisa de uma permissão dos pais para colocar um piercing ou fazer um buraco na orelha de uma adolescente, mas não para lhe entregar um contraceptivo ou um hormônio abortivo ou para a colocação de um DIU, ou mesmo para submetê-la a um aborto cirúrgico.

A nova ordem exige que a fé religiosa não tenha a menor visibilidade: uma comissária de bordo ou uma enfermeira que use uma cruz no pescoço ou que diga a um doente que rezará por ele perde o trabalho; assim, a nova ordem pretende remover as cruzes dos espaços públicos, incluindo os cemitérios dos veteranos de guerra; um padre é punido por tocar os sinos de sua igreja; organizam-se ataques contra a presença de crucifixos nas salas de aula e nos tribunais; proíbe-se, na época do Natal, a representação do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo nas praças, lojas e até mesmo no jardim de lares cristãos. Leia mais deste post

História Moderna do Aborto no Brasil e no Mundo

RECOMENDO VIVAMENTE!

A palestra começa em 03:46.

 

“A mulher está sendo instrumentalizada através das feministas que dizem nos representar. Somos reles instrumentos para uma alteração social global perfeita, para a alteração das dinâmicas sociais.”

 

A Psicologia e os valores

Hieronymus_Bosch_A_extracao_pedra_loucuraHieronymus Bosch, A Extração da Pedra da Loucura (1475-1480), Museu do Prado, Madrid

Em fins de agosto de 1984, realizou-se em Garderen, na Holanda, um seminário baseado numa ampla pesquisa sobre valores atuais da Europa. Nele estavam presentes as maiores autoridades mundiais em assuntos relacionados com o tema, ou seja, especialistas em Teologia, Filosofia, Moral, Medicina, Sociologia, Bioética e Biogenética. Vinham eles dos EUA, do Canadá, da Finlândia, do Japão, das Filipinas, da Indonésia, do Brasil e de diversos países da Europa.

A pesquisa, realizada em nove países europeus e cujos resultados preencheram 11 mil folhas de computador, foi compilada num livro escrito por Jean Stoezel, professor da Universidade René Descartes de Paris e trouxe informações profundamente interessantes e surpreendentes. Uma das conclusões mostra que, na realidade, o mundo atual, diferente do que se supõe, não apresenta uma mudança radical no conceito dos valores. Há muito mais uma variação de acordo com a idade do que em função da época em que vivemos. As pessoas, quando jovens, têm opiniões diferentes das que têm quando adultos. A idade de 30 anos é, em média, a época em que se operam essas mudanças. Após os 30 anos, surge, então, um outro tipo de conceito de valores, o qual em sua essência é semelhante entre os diversos povos. No que diz respeito aos valores moral-religiosos, também esses tendem a se assemelhar entre si e se aproximam do código dos Dez Mandamentos que nos foi legado por Moisés.

A pesquisa, portanto, não confirma a existência real do relativismo moral, mas expõe uma linha uniforme, que se conserva através dos tempos. O estudo, de certa forma, comprova – sem o afirmar, mas pelo que se pode deduzir dos dados que oferece – que o ser humano traz dentro de si um código ético o qual, em seu conteúdo básico, não é em função dos costumes e não depende da aprendizagem social. Ainda que os conceitos de valores tendam a mudanças na juventude, retornam a uma uniformidade na idade adulta.

Pelo método da Abordagem Direta do Inconsciente, realizou-se, com a equipe TIP, o atendimento terapêutico a aproximadamente cinco mil casos até a data mencionada desse seminário. E a experiência confirma, renovadamente, os dados que a pesquisa mencionada levantou: o homem traz em si diretrizes básicas de comportamento moral que são comuns aos homens em geral. Em bora essa moral intrínseca possa ser temporariamente perturbada por influências externas, pelo meio ambiente, pela aprendizagem e pelos costumes vigentes, conserva-se de forma autêntica no inconsciente, como que ansiando por uma redescoberta. Enquanto o homem individual não der ouvidos a este clamor interno, irá ampliando esta ansiedade, irá gerando progressivamente a angústia, a somatização, a autodestruição, encontrando dificuldades no seu relacionamento com os outros e em sua vida profissional, nunca conseguindo atingir plenamente sua saúde total e integração pessoal e social.

Isso acontece porque o homem, quando se comporta de forma contrária ao que lhe sugere seu código ético intrínseco e natural, tende a se autopunir e não se permite o Leia mais deste post

O Império Romano é aqui

Os romanos da decadencia

Interessantíssimo artigo do Zé Claudio, no qual mostra as semelhanças da sociedade romana no tempo da decadência com a nossa sociedade de hoje. O mais grave, no meu modo de ver, é a destruição da família. Confira abaixo.

“BRECHAS NOS COSTUMES”

Esse texto está no capítulo III do livro “A Igreja dos apóstolos e dos mártires“, o primeiro dos 10 volumes da coleção “História da Igreja“, de Daniel-Rops.

Os grifos são meus, com a intenção de mostrar a semelhança entre a situação que vivemos hoje e a de Roma às vésperas de sua decadência. É óbvio que os motivos são diferentes, mas os sintomas são muito semelhantes.

E a dica de São Jerônimo continua valendo: “São os nossos vícios que tornam os bárbaros tão fortes”. E basta olhar o mundo para ver os “bárbaros”. Se continuarmos nesse passo, eles virão, não tenham dúvida…

CLIQUE AQUI PARA LER O TEXTO

 

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O casamento e a homoafetividade

Gustave_Doré_LuxuriaGustave Doré, Almas condenadas pela luxúria (A Divina Comédia)

Leia também: Tomás responde: O pecado contra a natureza é uma espécie de luxúria?

Reflexões de Paulo Vasconcelos Jacobina, procurador regional da república e mestre em direito econômico

Por Paulo Vasconcelos Jacobina

BRASíLIA, 17 de Abril de 2013 (Zenit.org) – As uniões interpessoais de cunho sexual são questão de foro absolutamente íntimo. Nunca deveriam interessar ao Estado democrático salvo quanto a dois aspectos, que ultrapassam o plano da mera intimidade sexual:

1) a constituição de patrimônio (e neste ponto não há de fato diferença entre relacionamentos homossexuais e heterossexuais) e

2) na potencial geração natural, cuidado e criação estável de uma prole. É aqui que existe uma diferença fática entre as parelhas heterossexuais estáveis e monogâmicas, supostamente as únicas capazes de prestar este serviço à sociedade, e as outras formas de relacionamento humano, heterossexual, polissexual ou homossexual, de entre uma, duas ou mais pessoas.

O matrimônio, portanto, naquilo que respeita à regulação estatal, nunca representou intromissão ou valorização estatal de alguma forma de convivência sexual interpessoal, mas a regulamentação de patrimônio comum e prole. Trata-se de reconhecer e valorizar esta forma de viver consistente em gerar naturalmente e educar uma prole estavelmente, de modo a perpetuar os valores sociais e garantir a sobrevivência da sociedade – e do estado – por mais gerações. E que envolve ou não desejo sexual atual entre os cônjuges.

Os efeitos patrimoniais das relações de base sexual diversas da noção tradicional de matrimônio podem sempre ser licitamente regulados, bem como as relações parentais que eventualmente surgirem daí. Até aqui, concordam todos, cristãos, agnósticos, ateus, tradicionalistas ou revolucionários.

A tensão, portanto, estabelece-se apenas no fato de que há uma parcela da sociedade que, a partir de uma radicalização recente, não aceita que haja, como de fato há, uma Leia mais deste post

Santo Tomás e o aborto

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Santo Tomás y el aborto
¿Qué pensaba santo Tomás sobre el aborto? ¿Estaría a favor o en contra de su legalización?
En algunos debates sobre el aborto aparece la siguiente idea: es extraño que haya católicos contrarios al aborto cuando incluso santo Tomás de Aquino no pensaba que fuese un homicidio.

Por eso vale la pena afrontar esta pregunta: ¿qué pensaba santo Tomás sobre el aborto? ¿Estaría a favor o en contra de su legalización?

Para ello es importante tener presentes tres indicaciones que ayudan a tratar de modo correcto el pensamiento tomista en general y, más en concreto, en su manera de abordar el tema del aborto.

Primera indicación: santo Tomás de Aquino es un gran teólogo, quizá uno de los más importantes teólogos de la historia de la Iglesia. Pero no es el Magisterio, no es la enseñanza oficial católica. Sus ideas valen sólo en tanto en cuanto correspondan a lo que es declarado como verdad por quienes custodian y explican la Revelación, es decir, por el Papa y los obispos que enseñan unidos entre sí y con el Papa.

Por lo mismo, es posible encontrar algunas (muy pocas, a decir verdad) enseñanzas de santo Tomás sobre temas concretos que no corresponden plenamente a la doctrina católica. Ello es debido al hecho de que algunos puntos doctrinales fueron aclarados sólo varios siglos después de la muerte de santo Tomás, por lo que en su momento (siglo XIII) eran todavía objeto de Leia mais deste post

Tomás responde: É conveniente, de acordo com o direito, afastar alguns do ofício de advogado?

O advogado: Alegre-se, esposinha, agora você tem o novo chapéu que você deseja a tanto tempo – e um casaco de pele você também terá! 
Esposa: Bem, querido Albert, então você deve ter absolvido um grande velhaco!
(1901)

Parece que não é conveniente, de acordo com o direito, afastar alguns do ofício de advogado:

1. Com efeito, ninguém deve ser impedido de cumprir uma obra de misericórdia. Ora, patrocinar causas nos processos é obra de misericórdia. Logo, ninguém deve ser afastado desse ofício.

2. Além disso, um mesmo efeito não pode ser produzido por causas contrárias. Ora, dar-se às coisas divinas e dar-se ao pecado são coisas contrárias. Logo, não parece conveniente que se excluam do ofício de advogado alguns, por motivo de religião, como monges e clérigos, e outros, em razão de suas culpas, tais os infames e os hereges.

3. Ademais, deve-se amar o próximo como a si mesmo. Ora, é levado pelo amor que o advogado patrocina causas de outrem. Logo, é absurdo proibir patrocinar as causas alheias àqueles aos quais é facultado o direito de advogar em seu próprio favor.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, o direito interdiz a numerosas pessoas o ofício de pleitear.

Pode alguém ver-se impedido de cumprir um ato por duas razões: por incapacidade e por inconveniência. Mas, a incapacidade é um impedimento absoluto, ao passo que a inconveniência é um impedimento relativo que cede diante da necessidade. Assim alguns são excluídos do ofício de advogado por incapacidade, pois carecem dos sentidos internos, como os alienados e impúberes, ou dos sentidos externos, como os surdos e mudos. Pois o advogado precisa não só de competência no saber, que o torna capaz de demonstrar a justiça da causa que defende, como há de ter também a facilidade de falar e de escutar, para bem se defender e ouvir o que lhe dizem. Assim, quem é defeituoso nesses pontos está absolutamente excluído de advogar para si ou para outrem.

Por seu lado, a conveniência exigida nesse ofício dele exclui alguns, por duplo motivo. Uns se acham ligados por deveres mais elevados. Assim, não é conveniente que monges e sacerdotes sejam advogados em qualquer causa, e os clérigos, em tribunais seculares. Pois tais pessoas são consagradas às coisas divinas. Outros têm um defeito pessoal, corporal, como os cegos, que não poderiam intervir no processo de maneira conveniente; ou espiritual, pois não fica bem que se ponha a defender a justiça em favor de outrem quem Leia mais deste post

Tomás responde: O advogado está obrigado a patrocinar a causa dos pobres?

Honoré Daumier (1808-1879), Três advogados conversando (1843-48), Phillips Collection, Washington

Parece que o advogado está obrigado a patrocinar a causa dos pobres:

1. Com efeito, está escrito no livro do Êxodo: “Se vires o jumento do teu inimigo caído ao peso da carga, não o deixes no abandono; ajuda a descarrega-lo” (23,5). Ora, o pobre não está menos em perigo, quando sua causa se acha oprimida pela injustiça, do que se seu jumento estivesse jazendo debaixo da carga. Logo, o advogado deve patrocinar a causa dos pobres.

2. Além disso, Gregório proclama em uma homilia: “Quem tem inteligência que não se cale. Quem vive no conforto não se canse de exercer a misericórdia. Quem tem capacidade de se orientar na vida partilhe seu saber com o próximo. Quem tem acesso para falar aos ricos defenda a causa dos pobres. Pois tudo o que recebeu, por pouco que seja, merece o nome de talento.” Ora, não se pode enterrar o talento, mas fazê-lo frutificar. É a lição da parábola, mostrando o castigo do servo que assim procedeu. Logo, o advogado está no dever de falar pelos pobres.

3. Ademais, sendo afirmativo, o preceito de praticar as obras de misericórdia obriga para certo tempo e lugar, sobretudo em caso de necessidade. Ora, o caso de necessidade parece ser o do pobre oprimido em um processo. Logo, em tal caso, parece que o advogado está na obrigação de oferecer o seu patrocínio aos pobres.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, a indigência de comida não é menor do que a indigência de advogado. Ora, quem tem os meios de nutrir, não está sempre obrigado a nutrir o pobre. Portanto, nem o advogado tem sempre o dever de prestar patrocínio à causa dos pobres.

Oferecer seu patrocínio à causa dos pobres é uma obra de misericórdia. Deve-se aplicar aqui o que foi esclarecido acima sobre as outras obras de misericórdia (q.32, a. 5 e 9). Com efeito, ninguém tem a possibilidade de prover, por si mesmo, às obras de misericórdia para todos os indigentes. Por isso, Agostinho explica: “Uma vez que não podes ser útil a todos, deves ir ao auxílio sobretudo daqueles que, por uma espécie de sorte, estão mais próximos a ti, em função das oportunidades de lugar, de tempo ou de outras circunstâncias.” Destaca as “oportunidades de lugar”, pois não se está obrigado a ir pelo mundo, em busca de indigentes a socorrer; basta estender as ações de misericórdia a quantos alguém encontrou. Nesse sentido, está prescrito no livro do Êxodo: “Se encontras o boi ou o jumento de teu inimigo errando desgarrados, procura reconduzi-los” (23,4). Frisam-se ainda as “oportunidades de tempo”, pois não se tem o dever de prover às necessidades futuras do próximo, sendo suficiente socorrê-lo na necessidade presente. É o que se recomenda na primeira Carta de João: “Quem vê seu irmão em necessidade e lhe fecha o coração, como estará nele a caridade de Deus?” (3, 17). Agostinho ressalta ainda: “outras circunstâncias”, pois, se deve, antes de tudo, socorrer os mais próximos que se acham na precisão, conforme a insistência de Paulo: “Se alguém não tem cuidado dos seus, sobretudo dos de sua família, renegou a fé” (1TI 5,8).

Contudo, quando todas essas circunstâncias se acham reunidas, resta ainda examinar se Leia mais deste post

Tomás responde: Todo prazer é mau?

Tolkien apreciando um bom cachimbo

Parece que todo o prazer é mau:

1. Com efeito, o que destrói a prudência e impede o uso da razão parece ser mal em si, porque o bem do homem consiste “em ser segundo a razão”, como diz Dionísio. Ora, o prazer corrompe a prudência, impede o uso da razão; e tanto mais quanto maiores são os prazeres. Assim que “no prazer sexual”, que é o maior de todos, “é impossível conhecer algo”, diz o livro VII da Ética. E Jerônimo escreve também que “no momento do ato conjugal não se dá a presença do Espírito Santo, mesmo que se trate de um profeta que cumpre seu dever de procriar”. Portanto, o prazer é mau em si; logo todo prazer é mau.

2. Além disso, o que o homem virtuoso evita, e o homem sem virtude procura, parece ser mau em si e que deve ser evitado, pois segundo o livro X da Ética, “o homem virtuoso é como a medida e a regra dos atos humanos” e o Apóstolo diz na primeira Carta aos Coríntios: “O homem espiritual julga tudo”. Ora, as crianças e os animais irracionais, nos quais não há virtude, buscam os prazeres, enquanto o moderado os rejeita. Logo, os prazeres são maus em si e devem ser evitados.

3. Ademais, “A virtude e a arte se referem ao que é difícil e bom”, diz-se no livro II da Ética. Ora, arte alguma é ordenada ao prazer. Logo, o prazer não é algo bom.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, está dito no Salmo 37: “Deleita-te no Senhor”. Como a autoridade divina não induz a nenhum mal, parece que nem todo prazer é mau.

Como diz o livro X da Ética, alguns afirmaram que todos os prazeres eram maus. A razão disso parece ser que tinham em mente apenas os prazeres sensíveis e corporais que são mais manifestos; pois os antigos filósofos, nos demais inteligíveis sensíveis, não distinguiam o intelecto dos sentidos, como diz o livro da Alma. Ora, eles julgavam que todos os prazeres corporais deviam ser declarados maus, para que os homens, que são inclinados a prazeres imoderados, afastando-se dos prazeres, chegassem ao justo meio da virtude. Mas essa apreciação não era conveniente. Como ninguém pode viver sem algum prazer sensível e corporal, se aqueles que ensinavam que todos os prazeres são maus fossem flagrados desfrutando de algum prazer, os homens seriam levados mais ainda ao prazer pelo exemplo de seu comportamento, deixando de lado a doutrina de suas palavras. Com efeito, quando se trata de ações e paixões humanas, em que a experiência vale mais que tudo, os exemplos movem mais que as palavras.

Há que dizer que alguns prazeres são bons, e outros, maus. Pois o prazer é o repouso da potência apetitiva em um bem amado, e é consecutivo a uma ação. Podem-se dar duas razões para essa asserção:

1. Da parte do bem em que se repousa no prazer. Do ponto de vista moral, o bem e o mal se determinam conforme a concordância ou discordância com a razão, como acima se disse (q.18, a.5). Assim é no mundo da natureza, no qual uma coisa se chama natural por ser Leia mais deste post

Fragmentos: A lei do Espírito

“Toda coisa parece ser aquilo que nela é principal”, diz o Filósofo no livro IX da Ética. Aquilo que é principal na lei do Novo Testamento, e em que toda a virtude dela consiste, é a graça do Espírito Santo, que é dada pela fé em Cristo. E assim principalmente a lei nova é a própria graça do Espírito Santo, que é dada aos fiéis de Cristo. … O que faz dizer Santo Agostinho em sua obra Sobre o Espírito e a Letra … (XXI, 36): “O que são as leis de Deus escritas pelo mesmo Deus nos corações senão a própria presença do Espírito Santo?” … Deve-se, pois, dizer que principalmente a lei nova é lei infusa, mas que, secundariamente, ela é lei escrita.

Suma Teológica I-II, q.106, a.1

Deve-se saber que se apoiando nestas palavras: “Onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade”, assim como nas palavras seguintes: “Para o justo não há lei” (1Tm 1, 9), alguns ensinaram falsamente que os homens espirituais não estão submetidos aos preceitos da lei divina. O que é falso, porque os mandamentos de Deus são a regra do agir humano. …

O que foi dito do “justo para o qual não há lei”, deve-se compreender assim: não foi para os justos, que são movidos do interior às coisas que a lei de Deus prescreve, que a lei foi promulgada, mas para os injustos, sem que por essa razão os justos não sejam obrigados à lei.

Igualmente, “Onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” deve-se compreender assim: é livre aquele que dispõe de si mesmo (líber est qui est causa sui), enquanto o servo (servus) depende de seu senhor. Aquele, pois, que age por si mesmo age livremente, mas aquele que age sob o impulso de outro não age livremente. Assim, aquele que evita o mal não porque é mal, mas por causa do mandamento de Deus, este não é Leia mais deste post

Tomás responde: O martírio é um ato de virtude?

Henryk Siemieradzki (1843-1902): Mulher cristã é martirizada sob Nero, numa recriação do mito de Dirce (1897), Museu Nacional de Varsóvia

Parece que o martírio não é um ato de virtude:

1. Com efeito, todo ato de virtude é um ato voluntário. Ora, o martírio nem sempre é voluntário, como se vê pelos santos inocentes assassinados por causa do Cristo, a respeito dos quais Hilário escreve: “Foram levados ao ápice das alegrias eternas pela glória do martírio”. Logo, o martírio não é um ato de virtude.

2. Além disso, nenhum ilícito pode ser ato de virtude. Ora, matar a si próprio é ilícito. Entretanto, alguns martírios foram consumados desta maneira, conforme o relato de Agostinho: “No tempo das perseguições, algumas santas mulheres, para evitar os perseguidores de seu pudor, se lançaram ao rio e assim morreram; e seu martírio é celebrado na Igreja Católica com grande veneração”. Logo, o martírio não é um ato de virtude.

3. Ademais, é louvável que alguém se ofereça espontaneamente para cumprir um ato de virtude. Ora, não é louvável que alguém se apresente para o martírio, pois isto pode parecer presunçoso e perigoso. Logo, o martírio não é um ato de virtude.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, somente um ato de virtude pode merecer a recompensa da bem-aventurança eterna. Ora, esta recompensa se deve ao martírio, conforme a palavra do Evangelho: “Felizes aqueles que sofrem perseguição pelo amor da justiça, porque deles é o Reino dos Céus (Mt 5, 10). Logo, o martírio é um ato de virtude.

Cabe à virtude conservar alguém no bem da razão. Mas o bem da razão consiste na verdade, como em seu objeto próprio; e na justiça, como sendo seu efeito próprio. Ora, pertence à razão do martírio que o mártir se mantenha firme na verdade e na justiça contra os assaltos dos perseguidores. E fica assim claro que o martírio é um ato de virtude.

Quanto às objeções iniciais, portanto, deve-se dizer que:

1. Alguns autores sustentaram que o uso do livre-arbítrio se tinha desenvolvido milagrosamente entre os santos Inocentes, de tal maneira que eles teriam sofrido o martírio voluntariamente. Mas, como isso não é confirmado por nenhum texto da Escritura Sagrada, é melhor dizer que a glória do martírio, que outros mereceram por sua própria vontade, aquelas crianças assassinadas conseguiram pela graça de Deus. Porque a efusão de sangue pelo Cristo faz as vezes do batismo. Portanto, assim como, para as crianças batizadas, o mérito de Cristo age, pelo batismo, para obter a glória, assim também, no caso das Leia mais deste post

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