Novo livro para baixar: São Tomás de Aquino em 90 minutos

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São Vicente de Paulo: “Dos padres depende o cristianismo”

Sao_Vicente_de_PauloSão Vicente de Paulo

Entre as finalidades marcadas aos seus filhos por Vicente de Paulo, havia ainda uma terceira. É claro que tinham de santificar-se a si mesmos e levar aos pobres a Palavra de Deus, mas importava também “ajudar os eclesiásticos a adquirir as virtudes necessárias ao seu estado”. Esta terceira intenção não era, na verdade, senão consequência das duas primeiras. Para evangelizar o povo, era necessário evangelizar os pastores, que muitas vezes estavam igualmente necessitados de ajuda.

Como é natural, os decretos do Concílio de Trento não tinham bastado para pôr termo de golpe à decadência do clero. Muitos esforços seriam ainda necessários para subir de novo a encosta pela qual a Igreja deslizava havia mais de dois séculos Demasiados padres, especialmente nos campos, viviam ao nível do seu povo, de um povo cuja moralidade, depois de tantos anos de convulsões políticas, religiosas e sociais, não era lá muito alta. A falar verdade, a maior parte do clero não escandalizava por maus costumes, mas os seus costumes nada tinham de sacerdotais. Muitos deles eram preguiçosos – “a preguiça é o vício do clero”, confessava Vicente de Paulo -, indiferentes a qualquer esforço pastoral. Dada a falta de formação, eram muito ignorantes. Vicente talvez se lembrasse de certo pároco que conhecera durante as suas primeiras Missões em terras dos Gondi: nem sequer sabia a fórmula da absolvição. E o absenteísmo era algo normal.

Essa decadência do clero atormentava a alma verdadeiramente sacerdotal de Monsieur Vincent. Tinha palavras terríveis para a situação que pudera conhecer pessoalmente: “Vivendo como hoje vivem na grande maioria, os padres são os maiores inimigos da Igreja de Deus”. E ainda: “A depravação do estado eclesiástico é a principal causa da ruína da Igreja”. Críticas severas, mas que, para esse coração generoso, apenas significavam uma exigência profunda. “Tais os padres, tais os povos”. Ou: “Se um bom padre pode fazer um grande bem, ai!, quanto mal não faz um mau padre!” E acrescentava esta pequena frase, em que já parece falar o santo Cura d’Ars: “Não há nada tão grande como um bom padre”. Leia mais deste post

O valente Jerôme

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A pressão social, o medo de sermos qualificados de fundamentalistas e um sincero, ainda que equivocado, espírito de salvar o que pode ser salvo frente à avalanche de projetos, leis e costumes iníquos, podem fazer-nos cair na tentação de negociar o que é inegociável e, portanto, ceder quanto ao que não nos pertence – a ordem natural e a doutrina de Jesus Cristo. Essa atitude nos fara cair na opção o mal menor, num malminorismo moralmente inadmissível.

Que sirva para ilustrar o exemplo do Servo de Deus Jerôme Lejeune. Aos 33 anos, em 1959, Lejeune publicou sua descoberta sobre a causa da síndrome de Down, a “trissomia do 21”, e isto o transformou em um dos pais da genética moderna. Em 1962 foi designado como especialista em genética humana na Organização Mundial da Saúde (OMS) e, em 1964, foi nomeado Diretor do Centro Nacional de Investigações Científicas da França; no mesmo ano, é criada para ele, na Faculdade de Medicina da Sorbonne, a primeira cátedra de Genética fundamental. Transforma-se assim em candidato número um ao Prêmio Nobel de Medicina.

Aplaudido e lisonjeado pelos grandes do mundo, deixa de sê-lo em 1970, quando se opõe ferozmente ao projeto de lei do aborto eugênico. Lejeune combateu o malminorismo que infectou os católicos na França; estes supunham que cedendo no aborto eugênico freavam as pretensões abortistas e evitavam uma legislação mais permissiva. Os argumentos de Lejeune eram muito claros: não podemos ser cúmplices, o aborto é sempre um assassinato, quem está doente não merece a morte por isso e, mais ainda, longe de frear males maiores o aborto eugênico abre as portas para a liberalização total desse crime. Sua postura lhe rendeu uma real perseguição eclesial que se juntou à perseguição civil, acentuada por sua defesa do nascituro nas Nações Unidas.

Também em 1970, participou de uma reunião na OMS, na qual se tentava justificar a legalização do aborto para evitar abortos clandestinos. Foi nesse momento, quando se referindo à Organização Mundial da Saúde, que disse: “eis aqui uma instituição de saúde que se tornou uma instituição para a morte”. Nessa mesma tarde, ele escreveu para sua esposa e filha dizendo: “Hoje eu joguei fora o Prêmio Nobel”. Em nenhum momento deu ouvidos aos prudentes, que o aconselhavam calar-se para chegar mais alto e assim mais poder influir.

João Paulo II, em uma carta ao Cardeal Jean-Marie Lustinger, então arcebispo de Paris, por ocasião da morte de Lejeune, disse:

“Como cientista e biólogo era um apaixonado pela vida. Ele se tornou o maior defensor da vida, especialmente a vida dos anscituros, tão ameaçada na sociedade contemporânea, de modo que se pode pensar que seja uma ameaça programada. Lejeune assumiu plenamente a particular responsabilidade do cientista, disposto a ser um sinal de contradição, ignorando a pressão da sociedade permissiva e do ostracismo do qual era vítima.”

Juan Claudio Sanahuja, Poder Global e Religião Universal, Ecclesae, 2012, 1ª edição

História Moderna do Aborto no Brasil e no Mundo

RECOMENDO VIVAMENTE!

A palestra começa em 03:46.

 

“A mulher está sendo instrumentalizada através das feministas que dizem nos representar. Somos reles instrumentos para uma alteração social global perfeita, para a alteração das dinâmicas sociais.”

 

A Igreja Católica na Idade Média e a ciência

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O site “Glória da Idade Média”  publicou um interessante artigo com diversos links para artigos relacionados à contribuição da Igreja para a ciência e tecnologia. Clique no link abaixo para conferir.

Ciência, invenções, Universidades, hospitais, educação, descobertas, culinária, nomes: a lista interminável do progresso medieval

 

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Tomás em quadrinhos

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Sto. Tomás, a vaca voadora e nós, por Olavo de Carvalho

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Sto. Tomás, a vaca voadora e nós

OLAVO DE CARVALHO (1)

Caderno de Cultura do IDEAS – Instituto de Estudos e Ações Sociais – da UniverCidade. Ano I, número I, Outubro de 2001.

A Antônio Donato Rosa e Júlio Fleichman.

Nenhum historiador profissional do mundo aceita hoje em dia a lenda setecentista que deprecia a Idade Média como “Idade das Trevas”, mas ela continua firmemente arraigada no credo universitário brasileiro e é repassada de geração em geração por sociopatas militantes e analfabetos funcionais aos quais um abuso de linguagem confere o estatuto de intelectuais acadêmicos.

Só isso já bastaria para ilustrar a imensidão do abismo mental que se alarga dia a dia entre as nações cultas e aquelas onde a negligência ou cumplicidade dos governantes permitiu que as instituições de ensino fossem monopolizadas por propagandistas e demagogos a serviço de grosseiras ambições de poder.

O discurso de depreciação da Idade Média foi criado por beletristas e agitadores do século XVIII como expediente de ocasião para a propaganda anti-religiosa, destinada a minar as bases morais e ideológicas da monarquia. Malgrado a imensa penetração que obteve na mitologia popular, graças ao respaldo de toda sorte de organizações políticas e sociedades pseudo-iniciáticas, o fato é que ela jamais existiu como teoria histórica aceitável nos meios científicos e hoje subsiste apenas em círculos de ativistas semiletrados do Terceiro Mundo, à margem das correntes vivas do pensamento mundial.

No Brasil ou na Zâmbia, “medieval” ainda pode ser usado como termo pejorativo nas polêmicas da mídia, mas quem quer que se deixe impressionar por isso mostra que é escravo de uma atmosfera mental provinciana, sem a mínima abertura para o horizonte maior da cultura universal.

Em contrapartida, não há estudioso sério que hoje possa contestar a afirmação de Schelling, segundo a qual a transição da filosofia medieval para a atmosfera moderna inaugurada por Descartes assinala a queda do pensamento filosófico para um nível pueril. (2)

Essa queda revela-se da maneira mais escandalosa na simples perda da técnica filosófica cujo domínio distingue o filósofo do beletrista e do ideólogo.

A longa prática da disputatio nas universidades havia dotado os intelectuais europeus de uma Leia mais deste post

O Império Romano é aqui

Os romanos da decadencia

Interessantíssimo artigo do Zé Claudio, no qual mostra as semelhanças da sociedade romana no tempo da decadência com a nossa sociedade de hoje. O mais grave, no meu modo de ver, é a destruição da família. Confira abaixo.

“BRECHAS NOS COSTUMES”

Esse texto está no capítulo III do livro “A Igreja dos apóstolos e dos mártires“, o primeiro dos 10 volumes da coleção “História da Igreja“, de Daniel-Rops.

Os grifos são meus, com a intenção de mostrar a semelhança entre a situação que vivemos hoje e a de Roma às vésperas de sua decadência. É óbvio que os motivos são diferentes, mas os sintomas são muito semelhantes.

E a dica de São Jerônimo continua valendo: “São os nossos vícios que tornam os bárbaros tão fortes”. E basta olhar o mundo para ver os “bárbaros”. Se continuarmos nesse passo, eles virão, não tenham dúvida…

CLIQUE AQUI PARA LER O TEXTO

 

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Catedrais românicas e góticas (apresentação em Power Point)

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Interessante apresentação em Power Point com as diferenças entre as catedrais românicas e góticas, com muitas fotos. 

CLIQUE NA IMAGEM ACIMA PARA BAIXAR.

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Tomás: esboço de um retrato

Fra Bartolommeo (1472-1517), Santo Tomás de Aquino

Se for possível deixar por instantes o terreno sólido de textos e datas, gostaríamos agora de tentar recolher dos que o conheceram algumas indicações sobre o homem e o santo que foi Tomás. A tarefa não é fácil. Já há muito sabemos dos limites do gênero hagiográfico, e com razão apontou-se que os modelos do tipo não estavam ausentes da biografia composta por Tocco. O mesmo vale para o processo de canonização, no qual, como acabamos de dizer, a proporção de testemunhos “úteis” é pequena em relação aos dados estereotipados. Em muitos casos, só podemos chegar à idéia que os contemporâneos faziam de Tomás e à imagem que dele haviam conservado mediante o modo como concebiam a santidade, mas seria um erro, acreditamos, pecar por excesso de ceticismo e recusar-nos sistematicamente a examinar tudo o que aprendemos por essa via. Certos detalhes pessoais que não se harmonizam em absoluto com a idéia que os modernos fazem do Aquinate talvez tenham alguma probabilidade de ser verdadeiros.

Em primeiro lugar, seu retrato físico. Os testemunhos são convergentes. Ele era grande, gordo e com uma fronte calva: “fuit magne stature et pinguis et calvus supra frontem”, diz um cisterciense de Fossanova. Tomás deve por certo sua alta estatura à ascendência normanda; esta é também observada, assim como o excesso de peso, por um segundo observador: fuit magne stature et calvus et quod fuit etiam grossus et brunus. Remigio de Florença, que foi seu aluno em Paris, não hesita em acentuar que Tomás era bastante gordo: pinguissimus.

Tocco, que sugere pudicamente uma certa corpulência, exprime-se de maneira mais extensa: “Quanto à disposição natural de seu corpo e de seu espírito, diz-se que ele era grande de corpo (magnus in corpore), estatura alta e ereta a corresponder à retidão de sua alma. Era loiro como o trigo (coloris triticei), indício de seu temperamento bem equilibrado. Tinha uma grande cabeça, como exigem os órgãos perfeitos que requerem as faculdades sensíveis a serviço da razão. O cabelo, um pouco ralo (aliquantulum calvus).

Esse nobre retrato concorda, fundamentalmente, com as declarações mais sumárias de ambos os monges, mas além disso pretende mostrar que esses traços físicos correspondem a certa Leia mais deste post

São Domingos e o Terço

Lucas Valdés (1661-1725), A Virgem do Rosário, São Domingos e Santa Catarina de Sena, Museu de Sevilha

A oração mais forte para vencer os inimigos da fé

Por padre Hernán Jiménez, O.P.

ROMA, quinta-feira, 31 de maio de 2012 (ZENIT.org) – São Domingos promoveu e popularizou a oração do Terço, como louvor à Santíssima Virgem Maria. A oração do Terço é um convite para meditar os mistérios de Cristo, na companhia de Nossa Senhora, que foi associada de forma especial à Encarnação, Paixão e Ressurreição do seu Filho.

São Domingos, que era um homem de grande oração, dedicava muito tempo para o seu encontro pessoal com Jesus e estudava a sua pessoa com grande dedicação. Era dotado de uma sensibilidade espiritual sutil que não passou despercebida pelos seus irmãos. Na verdade, foram justamente eles que conservaram os seus “Modos de Oração”.

Segundo uma lenda, Nossa Senhora ensinou São Domingos a rezar o Terço, porque é uma oração muito forte para vencer os inimigos da fé. Graças a esta oração muitos pecadores se converteram e se convertem ainda hoje à fé católica e a recitam para interceder e obter tantas graças.

São Domingos nos lembra que no coração da Igreja deve arder o fogo missionário que empurra inexoravelmente a transmitir o Evangelho, onde ele seja necessário: Cristo é o bem mais precioso e valioso, que cada homem e mulher de todos os tempos tem o direito de conhecer e amar. Na iconografia, a São Domingos se associaram vários símbolos, entre os quais o Santo Terço que era uma grande ajuda na sua pregação.

Nossa Senhora gosta muito da oração do Terço porque é a oração dos simples, dos humildes, mas que pode Leia mais deste post

Investigador chileno derruba lenda negra sobre a Inquisição

Francisco de Goya (1746-1828), Tribunal do Santo Ofício

Veja também a série de artigos do site Sentinela Católico sobre a inquisição clicando aqui.

LIMA, 28 Mai. 12 (ACI) .- Um investigador chileno desmentiu as lendas negras criadas sobre a época da Inquisição, tanto a medieval como a espanhola, em relação à tortura e o exagero da quantidade de condenados à fogueira.

Em entrevista concedida ao grupo ACI o historiador René Millar Carvacho, professor na Pontifícia Universidade Católica do Chile, especializado no tema da Inquisição no Vice-Reino do Perú, explicou que “grande parte de toda a lenda negra desta época gira em torno da tortura, mas que a tortura, como meio de prova, formou parte do método de castigo da época”.

“Tergiversou-se como se isso fosse próprio da Inquisição, mas não é certo, isto foi algo próprio dos métodos judiciais desses anos. A justiça real também a usava e possuia o mesmo sistema”, relatou.

Do mesmo modo, indicou que os dados históricos dos castigos da Inquisição foram exagerados e se deram imagens escessivas em cifras de mortos e ações repressivas que não representaram a realidade.

“Sabemos que entre os anos 1570 e 1820, na América, período em que dura a Inquisição, 2500 pessoas passaram por ela, e desta quantidade só 50 foram condenadas à pena de relaxação (ou seja foram condenadas a morrer na fogueira), e destas 25 ou 30 mortas na fogueira, outros fugiram e o que foi queimado foi uma estátua em representação deles, e pelo geral estas estátuas eram contabilizadas (entre a quantidade de mortos)”, detalhou o historiador.

Em outro momento mencionou que as heresias mais comuns durante a Inquisição na Espanha se deram por parte dos falsos judeus conversos, protestantes; além da bruxaria e algumas outras faltas vinculadas a temas doutrinários. Enquanto que em Lima o maior número de processados foram por bigamia, feitiçaria e blasfêmias.

O perito assinalou que embora durante este período métodos Leia mais deste post

Reginaldo de Piperno

Rembrandt (1606-1669), Despedida de David e Jônatas (1642), São Petersburgo

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“Um amigo fiel é um poderoso refúgio, quem o descobriu descobriu um tesouro.” (Eclo 6, 14)

Entre todas essas testemunhas mais ou menos próximas, Reginaldo (ou Reinaldo) de Piperno (deformação de Privernum, atualmente Priverno – no Lácio meridional) merece menção especial; inúmeros testemunhos no processo de Nápoles apresentam-no como o socius continuus de Tomás. Segundo Humberto Romano, esses “companheiros que a ordem punha a serviço de seus leitores e mestres em teologia seguiam-nos por toda a parte, em viagem ou no convento, e ajudavam-nos pessoalmente na preparação de suas lições, não servindo-os como domésticos (acabamos de ver que Tomás dispunha de outra pessoa para esse tipo de tarefa), mas sim como assistentes e secretários. No presente caso as coisas iam ainda mais longe, pois, a crer em Reinaldo, ele exercia junto a Tomás o papel de uma “ama” (quase nutricis officium), a ponto de vigiar seu regime alimentar e fazê-lo comer, por temer que sua distração (abstractio mentis) fosse funesta para a sua saúde.

Essa contínua proximidade naturalmente acabaria por criar entre o mestre e seu socius laços de amizade; não é preciso muito esforço para vislumbrá-los entre Tomás e Reginaldo. A seu pedido, Tomás escreveu e lhe dedicou o Compendium theologiae, e foi bem explícito sobre seu destinatário, qualificando-o de “filho muito querido”. Segundo os catálogos de opúsculos, o De substantiis separatis e o De iudicis astrorum também foram escritos para ele. Se Reginaldo não era o único secretário de Tomás, era seu único socius permanente, e vemo-lo à sua disposição até mesmo em plena noite; alguns chegam a pensar que a colaboração entre ambos remonta à época em que Tomás se encontrava ainda em Paris. É o célebre episódio da passagem difícil do Super Isaiam, cujo sentido os santos Pedro e Paulo teriam explicado a Tomás; os editores leoninos, nisso seguindo A. Dondaine, inferem prudentemente que Reginaldo poderia estar presente junto a Tomás desde a época de redação do Super Isaiam. O fato torna-se problemático se aceitamos a sugestão feita acima de situar a redação dessa obra no período de Colônia; não se pode pensar que Tomás, na época não mais que um jovem frade, tivesse já um socius à disposição.

Esse pormenor não diminui em nada a amizade que pode ter havido entre Tomás e Reginaldo, e relata-se que Tomás teria realizado um milagre em seu favor, curando-o de Leia mais deste post

Trento, Pio V e a Suma de Santo Tomás

El Greco (1541-1614), Pio V

Um vento de austeridade soprou sobre a Igreja, a começar por Roma. A polícia pontifícia fez extensas rusgas, de que foram vítimas as raparigas de vida fácil; as corridas de cavalos, à moda do Palio de Siena, que se realizavam tradicionalmente diante da Basílica de São Pedro, foram relegadas para um bairro periférico e acabaram por cair em desuso; o intransigente pontífice desejaria suprimir o carnaval romano e, não podendo consegui-lo – teria desencadeado uma revolução -, fomentou a devoção das Quarenta Horas para desagravar pelas desordens desses dias, e ele próprio se recolheu em Santa Sabina para ali fazer penitência. Um dos seus gestos mais espetaculares e também mais discutidos foi mandar retirar dos palácios pontifícios todos os nus pagãos que pôde, gesto de que a cidade de Roma se aproveitou para constituir o seu museu do Capitólio.

Paralelamente a essa obra coercitiva e punitiva, Pio V empreendeu outra, de caráter mais construtivo. Obedecendo também nesta matéria aos decretos de Trento, considerou sua obrigação levar a bom termo e promulgar os livros que o Concílio achara indispensáveis. Não bastava eliminar as obras nocivas designadas pelo Index – corrigido -, de pois de a Congregação do mesmo nome as ter investigado. Era necessário dar aos fiéis o bom alimento de que as suas almas tinham fome. Com esse propósito, editaram-se sucessivamente quatro publicações que viriam a ser fundamentais: o Catecismo, o Breviário, o Missal e a Suma de São Tomás de Aquino.

Uma comissão presidida pelo cardeal Seripanto começara a redigir o Catecismo durante as últimas semanas do Concílio, e, após a dissolução deste, o cardeal Borromeu continuara o trabalho, ajudado por três teólogos dominicanos. Só apareceu em setembro de 1566, depois de cinco anos de esforços tenazes: mas que obra! Tudo o que um católico podia e devia crer – sobre o Credo, sobre os sacramentos, sobre a moral cristã e sobre a vida espiritual – estava ali explicitado em termos claros e precisos. Traduzido logo em todas as línguas, difundido por todo o mundo, esse livro-suma ia ser a Leia mais deste post

Menino Jesus do Espinho

Uma piedosa lenda de Natal conta que o Menino Jesus sentado num troneto brincou tecendo uma coroa de espinhos.

E um espinho machucou seu dedo indicador da mão direita.

Nesse momento, com ciência profética, Ele previu os sofrimentos que haveria de aceitar para redimir o genro humano.

Em sua doçura de criança e na candura de sua inocência infinita Ele pressentiu as dores lancinantes de sua Paixão e Morte na Cruz.

Leia a matéria completa no excelente site “Contos e lendas da era medieval“.

Suma Teológica, Santo Tomás de Aquino, Igreja, Teologia, Filosofia

Steve Jobs, Pio XI e Calvin

“Lembrar que eu estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que eu encontrei para me ajudar a fazer grandes escolhas na vida. Por que quase tudo – todas as expectativas externas, todo o orgulho, todo o medo de se envergonhar ou de errar – isto tudo cai diante da face da morte, restando apenas o que realmente é importante. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira para eu saber evitar em pensar que tenho algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir o seu coração.”

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Steve Jobs e o Papa Pio XI? O que tem a ver? Leia até o final o artigo da Zenit abaixo, sobre notícia publicada no L’Osservatore Romano, e descubra. Calvin vai no final no post.

Jornal vaticano recorda Steve Jobs como “visionário” da tecnologia e da arte

ROMA, 06 Out. 11 (ACI/EWTN Noticias) .- O jornal vaticano L’Osservatore Romano (LOR) recordou o fundador da companhia Apple e inventor do Ipod, Steve Jobs, falecido ontem 5 de outubro, como um “visionário que uniu a tecnologia e a arte”.

Em um artigo titulado “O talento de Mr. Apple”, LOR assinala que Jobs – falecido aos 56 anos de idade depois de vários lutando contra o câncer de pâncreas- “foi um dos protagonistas e símbolos da revolução do Silicon Valley”, o lugar nos Estados Unidos onde estão todas as principais empresas informáticas.

Esta revolução, diz o artigo, também foi uma “revolução de costumes, de mentalidades, de cultura. Revolução filha, mas não herdeira, dos não-preconceituosos anos 70”.

Jobs, prossegue o texto, “foi um visionário que uniu a tecnologia e a arte. Certo, não era um técnico nem um empreendedor. Não era um desenhista nem um matemático. Tampouco era o clássico nerd da informação nem homem de espetáculo. Pirata ou pioneiro? Será a história quem o diga. Enquanto isso ficam suas geniais criações”.

Papa Bento XVI postando no Twitter com IPad

De “gravidez não desejada” a gênio

Steve Jobs nasceu em 24 de fevereiro de 1955 e foi dado em adoção por sua mãe biológica, Joanne Simpson, porque seu pai se opôs à sua relação com Abdulfattah John Jandali, de origem síria e pai biológico do Steve.

Joan e Abdulfattah se casaram depois da morte do avô de Steve. O casal teve uma filha e tentou recuperar o menino, mas legalmente foi impossível.

Jobs, criado por um casal de classe trabalhadora, fundou a empresa Apple com Steve Wozniak em 1976 na garagem de sua casa. “Em apenas dez anos a sociedade chegou aos Leia mais deste post

A morte de Tomás

William-Adolphe Bouguereau, O Dia da Morte (1859)

Em 29 de setembro de 1273, Tomás ainda participa do capítulo de sua província, em Roma, na qualidade de definidor. Mas, algumas semanas depois – segundo Bartolomeu de Cápua, que recebeu esse relato de João del Giudice, que o soube por Reinaldo -, quando celebrava a missa na capela de São Nicolau, Tomás sofreu impressionante transformação (fuit mira mutatione commotus): “Após essa missa, nunca mais escreveu ou ditou qualquer coisa, e até mesmo se livrou de seu material de escrever (organa scriptionis); encontrava-se na terceira parte da Suma, no tratado da penitência”. A um Reinaldo estupefato, que não compreende por que ele abandona sua obra, o Mestre responde simplesmente: “Não posso mais”. Voltando a questioná-lo um pouco depois, Reinaldo recebe a mesma resposta: “Não posso mais. Tudo o que escrevi me parece palha perto do que vi”.

A partir dessa data – por volta de 6 de dezembro (a festo beati Nicolai circa) -, Tomás parece profundamente mudado. Ele, que conhecemos tão robusto e que ainda ontem se levantava para orar antes de todos, faz-se acamado, e é enviado para repousar junto à sua irmã, a condessa Teodora, no castelo de São Severino, a sudeste de Nápoles, um pouco acima de Salerno. Ali só chega à custa de muito esforço (properavit cum difficultate magna), e mal consegue saudar sua irmã, que se inquieta por vê-lo tão taciturno; é então que Reinaldo confia a Teodora jamais ter visto o Mestre fora de si por tanto tempo. É difícil avaliar a duração dessa estada, mas após algum tempo Tomás e seu socius retornam a Nápoles – sem dúvida no final de dezembro de 1273 ou início de janeiro de 1274.

Já em fins de janeiro ou no início de fevereiro, devem novamente se pôr a caminho para o concílio que Gregório X convocou para o 1° de maio de 1274, em Lião, tendo em vista um entendimento com os gregos. Tomás então leva consigo o Contra errores graecorum, que compusera a pedido de Urbano IV. Pouco depois de Teano, absorto em seus pensamentos, não percebe uma árvore tombada no meio do caminho e bate a Leia mais deste post

Doutrina Católica: O pecado original (II)

Concílio de Cartago

O primeiro ataque sério, dentro da Igreja, contra a doutrina do pecado original proveio do pelagianismo. Pelágio, monge de origem irlandesa, vivia em Roma no começo do século V. Seu severo ascetismo e as duras pregações que fazia contra a dissolução dos costumes na capital de um império decadente deram-lhe grande prestígio entre seus discípulos. Ao entrarem em Roma as tropas de Alarico (410), fugiu para a Sicília e depois para Cartago, junto com o advogado Celéstio, continuando a pregar com ardor o mais rigoroso moralismo, baseando-se nas exigências da natureza e insistindo na eficácia do esforço humano, para conseguir a virtude, deixando pouco ou quase nada à ação de Deus na conquista da salvação. É claro que esta ascética dependia de uma teologia que implicava a reinterpretação da doutrina católica do pecado original. Segundo Pelágio, o pecado de Adão não teve outra conseqüência para seus descendentes senão a de ter dado um mau exemplo. Além disso, um e outros eram mortais antes do pecado e nascem em igualdade de condições. Adão e seus descendentes – para Pelágio – podiam salvar-se só com o esforço da vontade, sem que, para Adão, fosse necessária a graça, e, para as crianças, necessário o Batismo.

Santo Agostinho (354-430) percebeu logo a gravidade de tais afirmações e imediatamente foram elas condenadas num sínodo em Cartago (411). Cinco anos depois (416) ocuparam-se da doutrina pelagiana outros dois novos sínodos: um em Cartago (63 bispos), outro em Milevi (59 bispos). Ambos foram confirmados pelo Papa Inocêncio I. A esta confirmação alude Santo Agostinho quando exclamou: “Causa finita est!” Mas o assunto não se encerrou. Vai a Roma Celéstio e consegue fingidamente, com rodeios à doutrina pelagiana, que Leia mais deste post

Tentação e sonho

Francesco Gessi (1588-1649), A tentação de Santo Tomás de Aquino

Há ainda outro caso que é como uma segunda luz, ou seqüência, em que as circunstâncias externas dão um vislumbre do seu sentido interno. Depois do caso do tição ardente e da mulher que o tentou na torre, diz-se que teve um sonho em que dois anjos o cingiram com um cordão de fogo, que lhe causou terrível dor e ao mesmo tempo lhe deu uma terrível força, e que acordou, soltando grande grito na escuridão.

Isso também tem algo de muito impressionante naquelas circunstâncias, e provavelmente encerra verdades que algum dia serão mais bem compreendidas, quando os padres e os médicos tiverem aprendido a falar uns com os outros sem a etiqueta, já gasta, das negações do século XIX.

Seria fácil analisar um sonho, como o médico do século XIX fez em Armadale, estudando-o nos detalhes dos dias passados: primeiro a imagem do cordão, naquela sua luta contra os que lhe queriam arrancar o hábito de frade; depois a linha de fogo correndo através da tapeçaria da noite, proveniente do tição que ele tirara do fogo. Mas, se em Armadale o sonho se cumpriu misticamente, também muito misticamente se cumpriu em Santo Tomás. Porque ele, com efeito, após o incidente ficou completamente sossegado com respeito a essas lutas da sua natureza humana, conquanto seja muito provável que o incidente tenha causado nele uma elevação da sua humanidade normal – o que lhe produziu um sonho mais forte do que Leia mais deste post

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