Tomás responde: Cabe ao Sumo Pontífice estabelecer o símbolo da fé?

Parece que não cabe ao Sumo Pontífice estabelecer o símbolo da fé:

1. Com efeito, uma nova apresentação do Símbolo é necessária para explicação dos artigos de fé, como já se disse (art. precedente). Ora, no Antigo Testamento, os artigos de fé foram cada vez mais explicados, no correr dos tempos, e a verdade da fé mais se manifestava quanto maior a proximidade de Cristo. Tal motivo não mais existe na nova Lei: os artigos de fé não devem, pois, receber novas explicações. Logo, parece não competir à autoridade do Sumo Pontífice uma nova apresentação do Símbolo.

2. Além disso, o que foi interdito, sob pena de anátema, não depende do poder de homem algum. Ora, a autoridade da Igreja Católica interditou, sob pena de anátema, a publicação de novo Símbolo. Dizem as atas do primeiro concílio de Éfeso que este Concílio, “Uma vez lido o Símbolo de Nicéia, decretou que não seria permitido a ninguém professar, subscrever ou compor outra fé, além da definida pelos Santos Padres, reunidos em Nicéia com o Espírito Santo”. Segue-se a pena de anátema. A mesma coisa é repetida nas atas do Concílio de Calcedônia. Logo, parece que uma nova apresentação do Símbolo não cabe à autoridade do Sumo Pontífice.

3. Ademais, Atanásio não foi Sumo Pontífice, mas patriarca de Alexandria e, contudo, constituiu um Símbolo que é cantado na Igreja. Logo, a publicação de um Símbolo não parece pertencer ao Sumo Pontífice mais do que a outros.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, a publicação do símbolo foi feita em concílio geral. Mas, um concílio só pode reunir-se sob a autoridade do Sumo Pontífice como está estabelecido nos Decretos. Logo, a publicação do Símbolo cabe à autoridade do Sumo Pontífice.

 

Como já explicamos (artigo precedente), uma publicação nova do Símbolo é necessária para evitar erros que surgem. Tem autoridade para fazê-lo quem pode determinar em última instância o que é de fé, para que todos possam a ela aderir de maneira inabalável. Isto, porém, é da alçada do Sumo Pontífice a quem são deferidas as maiores e mais difíceis questões da Igreja, como se diz nos Decretos de Graciano. Por isso, o Senhor, no Evangelho de Lucas, disse a Pedro a quem constituiu Sumo Pontífice: “Eu rezei por ti, para que tua fé não desfaleça; e tu, depois de convertido, confirma os teus irmãos” (22, 32). E a razão disso é que toda a Igreja deve ter a mesma fé, seguindo a recomendação da primeira Carta aos Coríntios: “Dizei todos as mesmas coisas e não haja divisões entre vós” (1, 10). Ora, isso não poderia ser observado, se uma

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O Ser (I) – Parmênides: o princípio como ser

Rafael, Escola de Atenas, Palácio Apostólico, Vaticano

Aristóteles nos informa que a metafísica, que é o mesmo que a filosofia, iniciou-se com a pergunta e a pesquisa a respeito do princípio de todas as coisas. Leiamos o texto: “A maioria dos que por primeiro filosofaram pensaram que princípios de todas as coisas fossem apenas os materiais. Com efeito afirmam que aquilo de que são constituídos os seres e aquilo de que originariamente derivam e em que finalmente se resolvem, é elemento e princípio dos seres, à medida que é uma realidade que permanece idêntica também em meio à mudança dos seus estados. E é por esta razão que acreditam que nada seja gerado e nada seja destruído, uma vez que uma realidade deste tipo permanece sempre. E assim como não dizemos que Sócrates é gerado em sentido absoluto quando se torna belo ou músico, nem dizemos que ele perece quando perde estes modos de ser, pelo simples fato de que o substrato – quer dizer, o próprio Sócrates – continua a existir, assim também devemos dizer que não se corrompe, em sentido absoluto, nenhuma das outras coisas: com efeito, deve existir alguma realidade natural (uma só ou mais de uma) da qual derivam todas as outras coisas, enquanto ela continua a existir inalterada”.

(Aristóteles, Metafísica)

O devir exerce sua função de princípio enquanto é. Isto significa que o devir remete a algo, que é aquilo pelo qual (= princípio) o devir desenvolve a sua função unificadora: em última análise, não é o devir que é princípio, mas aquilo pelo qual o devir é. O princípio é, portanto, o ser, ou seja, o princípio é aquilo que se apresenta com a universalíssima determinação pela qual não é nada, mas é ser. Captar, entretanto, o ser como princípio comporta uma série de implicações.

a) Só o ser pode exercer a função de princípio, pois não é possível ir além do ser. Enquanto todos os outros princípio permanecem ultrapassáveis, ou seja, a respeito deles se pode, e se deve, fazer uma pergunta ulterior, um por que ulterior, ultrapassar o ser significa cair no nada, quer dizer, no não-ser, que não é. É neste sentido que o ser possui uma primariedade absoluta.

b) O ser não pode ser outra coisa senão ser. Rigorosamente pensando, ou seja, atendo-nos ao puro plano do ser, o outro diferente do ser é essencialmente o nada, quer dizer, voltando ao que já foi dito, o não-ser, que não é.

c) O ser, não podendo ser outra coisa senão ser, não pode devir, isto é, não pode nem ser gerado (pois toda geração implica que o ser derive do não-ser) nem se Leia mais deste post

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