Tomás responde: A dor da paixão de Cristo foi maior que todas as outras dores?

Giotto di Bondone, A Lamentação, Capella degli Scrovegni, 1304-1306

Leia também: Tomás responde: Cristo deveria sofrer na cruz?

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Como se disse acima, ao tratarmos das deficiências assumidas por Cristo (q. 15, a. 5, 6), deve-se dizer que ele suportou uma autêntica dor; tanto sensível, causada por algo que fere o corpo, como interior, causada pela percepção do que é nocivo e que é chamada de tristeza. Ambas foram em Cristo as maiores dores na presente vida. E assim foi por quatro motivos.

Primeiro, pelas causas da dor. Pois a causa da dor sensível foi a lesão corporal, que se tornou pungente não só pela extensão do sofrimento, da qual se falou, mas também pelo gênero de sofrimento. É que a morte dos crucificados é muitíssimo cruel, pois são transfixados em locais de nervos muito sensíveis, ou seja, nas mãos e nos pés; o próprio peso do corpo suspenso aumenta continuamente a dor; e é uma dor que perdura, uma vez que o crucificado não morre logo, como os que são mortos pela espada. Já a causa da dor interior foi, em primeiro lugar, todos os pecados do gênero humano, pelos quais, sofrendo, Cristo dava satisfação, a ponto de, por assim dizer, assumi-los para si, como declara o Salmo 21: “As palavras das minhas faltas”. Em segundo lugar, especialmente a culpa dos judeus e dos demais que tramaram sua morte, mas de modo particular dos discípulos, que se escandalizaram com a paixão de Cristo. Em terceiro lugar, a perda da vida corporal, que por natureza é horrível à condição humana.

Segundo, a extensão do sofrimento pode ser considerada pela sensibilidade do paciente. Ora, ele tinha uma ótima compleição física, pois seu corpo fora formado de Leia mais deste post

Tomás responde: Fomos libertados do pecado pela paixão de Cristo?

Parece que não fomos libertados do pecado pela paixão de Cristo:

1. Na verdade, cabe a Deus libertar do pecado, conforme diz Isaías: “Sou eu que apago, em consideração a mim, as tuas iniqüidades” (43, 25). Ora, Cristo não sofreu como Deus, mas como homem. Logo, a paixão de Cristo não nos libertou do pecado.

2. Além disso, o que é corporal não tem ação sobre o que é espiritual. Ora, a paixão de Cristo é corporal, ao passo que Leia mais deste post

Tomás responde: Haveria outro modo mais conveniente de libertação humana do que a paixão de Cristo?

Jacopo Tintoretto, 1565 (clique para ampliar)

Parece que haveria outro modo mais conveniente de libertação humana do que a paixão de Cristo, pois:

1. Com efeito, a natureza em sua operação imita a obra divina, pois é movida e regulada por Deus. Ora, a natureza não emprega dois meios quando apenas um é suficiente. Logo, como Deus poderia libertar o homem somente por meio de sua vontade, parece não ter sido conveniente que para a libertação humana acrescentasse a paixão de Cristo.

2. Além disso, o que se faz segundo a natureza realiza-se de modo mais conveniente do que o que se faz com violência, pois a violência é “de certo modo um rompimento ou um desvio do que se comporta conforme a natureza”, como se diz no livro Do Céu. Ora, a paixão de Cristo levou a uma Leia mais deste post

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