Reginaldo de Piperno

Rembrandt (1606-1669), Despedida de David e Jônatas (1642), São Petersburgo

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“Um amigo fiel é um poderoso refúgio, quem o descobriu descobriu um tesouro.” (Eclo 6, 14)

Entre todas essas testemunhas mais ou menos próximas, Reginaldo (ou Reinaldo) de Piperno (deformação de Privernum, atualmente Priverno – no Lácio meridional) merece menção especial; inúmeros testemunhos no processo de Nápoles apresentam-no como o socius continuus de Tomás. Segundo Humberto Romano, esses “companheiros que a ordem punha a serviço de seus leitores e mestres em teologia seguiam-nos por toda a parte, em viagem ou no convento, e ajudavam-nos pessoalmente na preparação de suas lições, não servindo-os como domésticos (acabamos de ver que Tomás dispunha de outra pessoa para esse tipo de tarefa), mas sim como assistentes e secretários. No presente caso as coisas iam ainda mais longe, pois, a crer em Reinaldo, ele exercia junto a Tomás o papel de uma “ama” (quase nutricis officium), a ponto de vigiar seu regime alimentar e fazê-lo comer, por temer que sua distração (abstractio mentis) fosse funesta para a sua saúde.

Essa contínua proximidade naturalmente acabaria por criar entre o mestre e seu socius laços de amizade; não é preciso muito esforço para vislumbrá-los entre Tomás e Reginaldo. A seu pedido, Tomás escreveu e lhe dedicou o Compendium theologiae, e foi bem explícito sobre seu destinatário, qualificando-o de “filho muito querido”. Segundo os catálogos de opúsculos, o De substantiis separatis e o De iudicis astrorum também foram escritos para ele. Se Reginaldo não era o único secretário de Tomás, era seu único socius permanente, e vemo-lo à sua disposição até mesmo em plena noite; alguns chegam a pensar que a colaboração entre ambos remonta à época em que Tomás se encontrava ainda em Paris. É o célebre episódio da passagem difícil do Super Isaiam, cujo sentido os santos Pedro e Paulo teriam explicado a Tomás; os editores leoninos, nisso seguindo A. Dondaine, inferem prudentemente que Reginaldo poderia estar presente junto a Tomás desde a época de redação do Super Isaiam. O fato torna-se problemático se aceitamos a sugestão feita acima de situar a redação dessa obra no período de Colônia; não se pode pensar que Tomás, na época não mais que um jovem frade, tivesse já um socius à disposição.

Esse pormenor não diminui em nada a amizade que pode ter havido entre Tomás e Reginaldo, e relata-se que Tomás teria realizado um milagre em seu favor, curando-o de Leia mais deste post

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