Chestertoninas: Democracia de ricos e pobres

“Tudo em nossa época, quando examinado com cuidado, tem essa qualidade fundamentalmente não democrática. Em religião e moral devemos admitir, em abstrato, que os pecados das classes educadas são tão numerosos quanto, ou talvez mais numerosos que, os pecados do pobre e ignorante. Mas, na prática, a grande diferença entre a ética medieval e a nossa é que a nossa concentra a atenção nos pecados dos ignorantes e, praticamente, nega que os educados tenham pecados. Sempre falamos sobre o pecado da intemperança em relação à bebida, pois é muito óbvio que o pobre o comete mais que o rico. Mas sempre negamos que exista algo como o pecado do orgulho, pois é muito óbvio que o rico o comete mais que o pobre. Estamos sempre prontos a transformar um homem educado, que visite os casebres para dar gentis conselhos aos pobres, num santo ou num profeta. Mas a idéia medieval de santo ou profeta era algo completamente diferente. O santo ou profeta medieval era um homem iletrado que entrava nas casas elegantes para dar gentis conselhos aos homens educados. Os antigos tiranos tinham suficiente insolência para despojar os pobres, mas não tinham suficiente insolência para fazer-lhes pregações. Eram os cavalheiros que oprimiam os bairros miseráveis; mas eram os bairros pobres que exortavam os cavalheiros. E assim como não somos democráticos em fé e moral, pela nossa própria natureza de propósito em tais questões, não somos democráticos no tom da prática política. Prova suficiente de que não somos essencialmente democráticos é estarmos sempre imaginando o que Leia mais deste post

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