CRISTO RESSUSCITOU!

Kiko_Arguello_Sepulcro_vazio

“Não temais! Sei que estais procurando Jesus, o crucificado. Ele não está aqui, pois ressuscitou, conforme havia dito. Vinde ver o lugar onde ele jazia, e, depressa, ide dizer aos seus discípulos: ‘Ele ressuscitou de entre os mortos, e eis que vos precede na Galiléia; é lá que o vereis’. Vede bem, eu vo-lo disse!”

Mt 28, 5-7

FELIZ PÁSCOA A TODOS!

 

.

Tomás responde: Foi conveniente ter Cristo ressurgido no terceiro dia?

Giotto di Bondone (1266-1337), A Ressurreição, Capela Scrovegni, Pádua

Leia também: Tomás responde: Havia necessidade de Cristo ressuscitar?

.

Parece que não foi conveniente ter Cristo ressurgido no terceiro dia:

1. Na verdade, deve haver conformidade entre os membros e a cabeça. Ora, nós, que somos membros de Cristo, não ressurgimos da morte no terceiro dia, mas nossa ressurreição é adiada até o fim do mundo. Logo, parece que Cristo, que é nossa cabeça, não devia ressurgir no terceiro dia, mas ter sua ressurreição adiada para o fim do mundo.

2. Além disso, diz Pedro, nos Atos dos Apóstolos, que não era possível que o inferno e a morte detivessem Cristo. Ora, quando alguém está morto, a morte o detém. Logo, parece que a ressurreição de Cristo não deveria ser adiada até o terceiro dia, mas que ele deveria ressurgir imediatamente, no mesmo dia, especialmente quando a Glosa citada acima (artigo precedente) diz que “não haveria nenhuma utilidade para a efusão do sangue de Cristo se não ressurgisse logo”.

3. Ademais, parece que o dia começa com o nascer do sol, cuja presença é causa do dia. Ora, Cristo ressurgiu antes do nascer do sol, pois diz o Evangelho de João que “no primeiro dia da semana, ao alvorecer, enquanto ainda estava meio escuro, Maria de Magdala vai ao túmulo” (20, 1), e nesse momento Cristo já havia ressuscitado, como se vê a seguir: “E vê que a pedra fora retirada do túmulo”. Logo, Cristo não ressuscitou no terceiro dia.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, diz o Evangelho de Mateus: “E o entregarão aos pagãos para que o escarneçam, o flagelem, o crucifiquem e, no terceiro dia, ele ressurgirá” (20, 19).

Como foi afirmado (artigo precedente), a ressurreição de Cristo foi necessária para a instrução de nossa fé. Ora, a nossa fé diz respeito tanto à divindade como à humanidade de Cristo, pois não basta crer numa sem a outra, como está claro pelo que foi dito acima (q.36 a.4). Portanto, para que se confirmasse nossa fé a respeito da divindade dele, era preciso que ele ressuscitasse logo e que sua ressurreição não fosse adiada até o final do mundo. E para que se confirmasse a fé a respeito da verdade da humanidade e da morte dele, foi conveniente ter havido um espaço de tempo entre a morte e a ressurreição. Pois, se tivesse ressuscitado logo após a morte, poderia parecer que sua morte não fora verdadeira e, conseqüentemente, nem a ressurreição. Para manifestar, porém, a verdade da morte de Cristo, era suficiente que sua ressurreição fosse adiada até o terceiro dia, pois nesse espaço de tempo não costumam aparecer alguns sinais de Leia mais deste post

Tomás responde: Havia necessidade de Cristo ressuscitar?

Rafael Sanzio – Ressurreição de Cristo ou Ressurreição Kinnaird
Óleo sobre madeira, 52 X 44 cm, 1499-1502
Acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – MASP

Parece que não era necessário ter Cristo ressuscitado:

1. Na verdade, diz Damasceno: “A ressurreição é o levantar-se por segunda vez de um animal, que se decompôs e que caiu”. Ora, Cristo não caiu pelo pecado nem seu corpo se decompôs. Logo, não lhe convinha propriamente ressurgir.

2. Além do mais, quem ressurge é alçado a uma situação mais elevada, porque levantar-se significa mover-se para cima. Ora, o corpo de Cristo, depois da morte, ficou unido à divindade e, assim, não pôde ser alçado Leia mais deste post

Tomás responde: A instituição da eucaristia ocorreu de modo conveniente?

A Última Ceia a partir da Heilig-Blut-Altar por Tilman Riemenschneider, em St-Jakobskirche, Rothenburg ob der Tauber, Alemanha (clique para ampliar)
Nota: O que é tratado aqui é quase exclusivamente o momento histórico escolhido para a instituição deste sacramento. É somente em artigos posteriores que é abordado, por exemplo, as palavras de Cristo na Ceia (q. 78).

Parece que a instituição deste sacramento não foi como convém:

1. Com efeito, segundo o Filósofo, “somos nutridos dos mesmos elementos que nos fazem existir”. Ora, pelo batismo que é o novo nascimento espiritual, recebemos o ser espiritual, como diz Dionísio. Portanto, somos nutridos também pelo batismo. Logo, não era necessário instituir este sacramento como alimento espiritual.

2. Além disso, Leia mais deste post

CRISTO RESSUSCITOU!

VERDADEIRAMENTE RESSUSCITOU!

 

“A morte foi absorvida na vitória.

Morte, onde está a tua vitória?

Morte, onde está o teu aguilhão?”

                                     (I Cor 15, 54-55)


“Onde estão, ó morte, as tuas calamidades?

Onde está, ó Xeol, o teu flagelo?

                                       (Os 13, 14)

 

FELIZ TEMPO PASCAL A TODOS!!!

%d blogueiros gostam disto: