Tomás responde: Deus Pai entregou Cristo à paixão?

Matthias Gothart Grünewald, Crucifixão (1512-1516)

Parece que Deus Pai não entregou Cristo à paixão:

1. Com efeito, parece ser iníquo e cruel que um inocente seja entregue à paixão e à morte. Ora, diz o livro do Deuteronômio que “Deus é fiel e sem nenhuma iniquidade” (32, 4). Logo, não entregou Cristo inocente à paixão e à morte.

2. Além disso, não é verossímil que alguém morra por suas próprias mãos e também por mãos de outrem. Ora, Cristo se entregou à morte por nós, como diz Isaías: “Entregou sua alma à morte” (53, 12). Logo, parece que não foi Deus Pai quem o entregou.

3. Ademais, Judas é censurado por ter entregue Cristo aos judeus, como diz o Evangelho de João: “’Um de vós é o diabo!’ Dizia isso por causa de Judas que o haveria de entregar” (6, 71-72). Igualmente, também os judeus são censurados por tê-lo entregue a Pilatos, conforme ele mesmo diz: “A tua própria nação, os sumos sacerdotes te entregaram a mim” (Jo 19,16). Além disso, “Pilatos lhes entregou Jesus para ser crucificado”. Ora, diz a segunda Carta aos Coríntios: “Não há união da justiça com a iniquidade” (6,14). Logo, parece que Deus Pai não entregou Cristo à paixão.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, diz a Carta aos Romanos: “Ele, que não poupou o seu próprio Filho, mas o entregou por nós todos” (8,32).

Como foi dito acima (art. anterior), Cristo sofreu voluntariamente, em obediência ao Pai. E de três modos Deus Pai entregou Cristo à paixão. Primeiro porque, conforme sua eterna vontade, determinou a paixão de Cristo para a libertação do gênero humano, de acordo com o que diz Isaías: “O Senhor fez recair sobre ele a iniquidade de todos nós” (53,6) e “O Senhor quis tritura-lo pelo sofrimento” (v.10).

Segundo, por que lhe inspirou a vontade de sofrer por nós, ao lhe infundir o amor. E na mesma passagem se lê: “Ofereceu-se por que quis” (v.7).

Terceiro, por não livrá-lo da paixão, expondo-o a seus perseguidores. Assim, lemos no Evangelho de Mateus que o Senhor, pendente da cruz, dizia: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (27,46), ou seja, porque o expôs ao Leia mais deste post

Tomás responde: Fomos libertados do pecado pela paixão de Cristo?

Parece que não fomos libertados do pecado pela paixão de Cristo:

1. Na verdade, cabe a Deus libertar do pecado, conforme diz Isaías: “Sou eu que apago, em consideração a mim, as tuas iniqüidades” (43, 25). Ora, Cristo não sofreu como Deus, mas como homem. Logo, a paixão de Cristo não nos libertou do pecado.

2. Além disso, o que é corporal não tem ação sobre o que é espiritual. Ora, a paixão de Cristo é corporal, ao passo que Leia mais deste post

Tomás responde: Cristo suportou todos os sofrimentos?

Giotto di Bondone: “Crucifixão” na Cappella degli Scrovegni, em Pádua (1304-1306) (clique para ampliar)

Parece que Cristo suportou todos os sofrimentos:

1. Com efeito, diz hilário: “O Unigênito de Deus, para completar o sacramento de sua morte, atesta ter recapitulado em si todo tipo de sofrimento humano, quando, ao inclinar a cabeça, entregou o espírito”. Portanto, parece ter suportado todos os sofrimentos humanos.

2. Além disso, diz Isaías: “Eis que meu servo crescerá, ele será exaltado, elevado, enaltecido grandemente. Da mesma forma que as multidões ficaram horrorizadas a seu Leia mais deste post

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