Fragmentos: O Espírito que cria, move e governa

O amor pelo qual Deus ama sua própria bondade é a causa da criação das coisas… Ora, o Espírito Santo procede por modo de amor, do amor pelo qual Deus ama a si mesmo. O Espírito Santo é, portanto, o princípio da criação das coisas. É o que diz o Salmo (103, 30): “Envia teu Espírito, e elas serão criadas”.

O Espírito Santo procede por modo de amor, e o amor é dotado de certa força de impulsão e de movimento. É preciso, pois, atribuir como próprio ao Espírito Santo o movimento que Deus comunica às coisas. Santo Agostinho quer que se veja nas “águas” a matéria primeira sobre a qual o Espírito do Senhor se diz planar, não como sujeito, mas como princípio de movimento.

[Com efeito,] o governo das coisas por Deus deve se entender como certa moção segundo a qual Deus dirige e põe em movimento todos os seres em direção a seus fins próprios. Se, pois, o impulso e o movimento são, em razão do amor, fato do Espírito Santo, convém (convenienter) atribuir-lhe o governo e o desenvolvimento dos seres. Por isso se diz no Livro de Jó (33, 4): “É, o Espírito me fez”, e no Salmo (142, 10): “Teu Espírito bom me conduz sobre uma terra unida”. E, uma vez que governar sujeitos é o ato próprio de um senhor, convém (convenienter) atribuir a Senhoria ao Espírito Santo. “O Espírito é Senhor”, diz o Apóstolo (2Cor 3, 17); e igualmente o Símbolo: “o Espírito Santo é Senhor”.

É sobretudo o movimento que manifesta a vida… Se pois, em razão do amor, o impulso e o movimento pertencem ao Espírito Santo, convém atribuir-lhe a vida. “É o Espírito que dá a vida”, diz são João (6, 64); o mesmo Ezequiel (37, 6): “Eu vos darei o Espírito e vivereis”. E no Credo confessamos o Espírito “que dá a vida”. O que, aliás, é conforme ao próprio nome de Espírito (Spiritus = sopro): é o sopro vital espalhado desde o começo em todos os membros que assegura a vida corporal dos seres vivos.

(Suma contra os gentios 20, n. 3570-3574)

 

 

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Tomás responde: O pão pode converter-se no corpo de Cristo?

Milagre de Lanciano (clique para ampliar)

Parece que o pão não pode converter-se no corpo de Cristo:

1. Com efeito, a conversão é uma certa mudança. E em toda mudança, deve haver um sujeito, que está primeiro em potência e depois em ato, como diz o Filósofo: “O movimento é o ato que existe em potência.” Ora, não existe um sujeito comum da substância do pão e do corpo de Cristo. Pois, faz parte do ser substância não “estar no sujeito”. Logo, não é possível que toda a substância do pão se converta no corpo de Cristo.

2. Além disso, a forma daquilo em que alguma coisa se converte começa a existir na matéria do que se converte; assim como quando Leia mais deste post

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