Doutrina Católica: Maria na obra da salvação (II)

Nossa Senhora de Fátima

I. A MATERNIDADE DIVINA

 

INTRODUÇÃO

A Fé católica na maternidade divina de Maria é professada, já desde o começo do século II, de forma equivalente e clara, por Santo Inácio de Antioquia, São Justino, Santo Irineu e pelos grandes autores do século III. É probabilíssimo que o título Mãe de Deus tivesse já sido usado por Hipólito de Roma e Orígenes. De qualquer modo, ele devia ser habitual na Igreja de Alexandria antes do século IV, a julgar pela antiquíssima oração Sub tuum praesidium confugimos, sancta Dei Genitrix, “A vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus”, conservada num papiro anterior ao Concílio de Éfeso.

A maternidade divina de Maria foi solenemente proclamada no Concílio de Éfeso (431), no qual foi definida, contra Nestório, a unicidade da Pessoa divina em Cristo, com a consequente afirmação de que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus. Esta mesma verdade de Fé está contida na fórmula de união entre alexandrinos e antioquenses, elaborada dois anos depois, e no Concílio de Calcedônia.

Resolvidos os problemas fundamentais em Éfeso e Calcedônia, ficava ainda aberto o campo para uma grande casuística de novas formulações, que facilmente poderiam levantar dúvidas a respeito da precisão dogmática daqueles dois concílios. Tais eram, por exemplo: 1) se era legítimo professar que Cristo era “Um da Trindade”, como faziam os monges escitas, ou 2) que Cristo-Deus padeceu em Sua carne, ou 3) que a sempre Virgem Maria era, própria e verdadeiramente, Mãe do Verbo Encarnado.

Sobre estas formulações evitou pronunciar-se definitivamente o Papa Hormisdas. Mas Justiniano insistiu com o Papa João II (533-535), que, numa carta ao imperador e ao senado de Constantinopla, respondeu justificando as três fórmulas, em razão da communicatio idiomatum.

.

1) Carta Olim quidem de João II (março de 534)

Ensinamos, segundo a reta doutrina, que a gloriosa, santa e sempre Virgem Maria é proclamada, pelos católicos, própria e verdadeiramente, Mãe de Deus e Mãe do Verbo de Deus [Dei genitricem matremque Dei Verbi], nela encarnado. Ele, de fato, nos últimos tempos, Se encarnou, própria e verdadeiramente, dignando-Se nascer da santa e gloriosa Virgem-Mãe. Se, portanto, o Filho de Deus nela Se encarnou, própria e verdadeiramente, e dela nasceu, por esta mesma razão confessamos que ela é, própria e Leia mais deste post

Doutrina Católica: Maria na obra da salvação (I)

Nossa Senhora Aparecida

INTRODUÇÃO

O mistério de Maria pode ser considerado sob vários ângulos: primeiro, projetando-se, de imediato, sobre ela a luz de Cristo; concebe-se, assim, uma mariologia cristológica, cujo ponto de referência é a maternidade divina. Unida indissoluvelmente a Cristo pelo ato divino que fez dela Mãe de Deus, é Maria parte integrante da ordem hipostática e, por isso, goza dos privilégios que daí decorrem: conceição imaculada, virgindade perpétua, cooperação ativa na obra da Redenção, assunção ao céu em corpo e alma, mediação universal de todas as graças. Nesta perspectiva cristológica, é Maria que, num certo sentido, transcende a Igreja, e facilmente podemos compreender quanto lhe convém o título de Mãe nossa: não só de todos e de cada cristão, mas da própria Igreja.

Outros teólogos preferem estruturar a mariologia tomando como fundamento o fato de ser Maria o tipo e o modelo da Igreja: é a mariologia eclesiológica, sob cuja perspectiva Maria é imanente à Igreja, da qual é o protótipo porque aceita a Encarnação do Verbo e Lhe empresta a carne para Ele se fazer homem (maternidade divina). À semelhança de Maria, a Igreja concebe em seu seio os cristãos, nascidos virginalmente da “água e do Espírito” (Jo 3, 5). Maria, como a Igreja, é Mãe-Virgem, é imaculada, “sem mancha nem ruga” (Ef 5, 27), isenta de todo pecado, inclusive o original, concebida sem pecado. Na sua glorificação e assunção corporal, ela é o protótipo da plenitude escatológica da Igreja; e, finalmente, com sua livre aceitação da Encarnação e da Cruz, é Maria a que recebe em si os frutos da Redenção de seu divino Filho, não só no plano individual mas também coletivo, para que, com o seu sim se tornasse depositária de todas as graças salvíficas da Redenção que seriam dispensadas à Igreja.

Em mais de uma ocasião, confrontaram-se as duas tendências mariológicas; de se pronunciar por alguma delas reservou-se o Concílio Vaticano II, pois uma e outra têm larga tradição na teologia católica: o que mostra que, em vez de contrapô-las, se deve procurar integrar os valores positivos de ambas, numa mariologia completa.

 [CONTINUA]

Fonte: Justo Collantes, A Fé Católica – Documentos do Magistério da Igreja

Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, Igreja Católica, Teologia

Tomás responde: A anunciação à Bem-aventurada Virgem deveria ser feita por um anjo?

Fra Angelico (1387-1455), Anunciação, Museu São Marcos, Florença (clique para ampliar)

Parece que a anunciação à Bem-aventurada Virgem não deveria ser feita por um anjo:

1. Com efeito, segundo Dionísio, a revelação é feita aos anjos superiores por Deus. Ora, a Mãe de Deus foi exaltada acima de todos os anjos. Logo, parece que o mistério da encarnação deveria ser-lhe anunciado imediatamente por Deus e não por um anjo.

2. Além disso, se era conveniente observar nisto a ordem comum segundo a qual os mistérios de Deus são comunicados aos homens pelos anjos, convinha igualmente observar a ordem segundo a qual os mistérios divinos são propostos às mulheres pelos Leia mais deste post

Tomás responde: Deve-se adorar a mãe de Deus com adoração de latria?

Theotokos de Vladimir (séc. XII), também conhecido como Nossa Senhora de VladimirVirgem de Vladimir ou Vladimirskaya (Russo: Владимирская Богоматерь), é um dos mais venerados ícones ortodoxos. A “Theotokos” que significa literalmente “Portadora de Deus” ou alternadamente Mãe de Deus, é considerada como a protetora da Rússia. O ícone encontra-se na galeria Tretyakov, Moscou.

Parece que se deve adorar a mãe de Deus com adoração de latria, pois:

1. Parece que a mesma honra deve ser tributada ao rei e à mãe de rei, como afirma o livro dos Reis: “Foi colocado um trono para a mãe do rei e ela se sentou à sua direita” (I Re 2, 19). E Agostinho diz: “É justo que o trono de Deus, o leito nupcial do Senhor do céu e o tabernáculo de Cristo estejam lá onde se encontra o próprio Cristo”. Ora, Cristo é adorado com adoração de latria. Logo, também sua mãe.

2. Além disso, afirma Damasceno que “a honra à mãe remete ao filho”. Ora, o Filho é adorado com adoração de latria. Logo, a mãe também.

3. Ademais, a mãe de Cristo esteve mais unida a ele do que a cruz. Ora, a cruz é adorada com adoração de Leia mais deste post

%d blogueiros gostam disto: