Chestertoninas: A liberdade, o progresso e a educação como evasivas

Todos os ideais e expressões populares modernos são evasivas para evitar o problema do que é o bem. Gostamos de falar de “liberdade”, ou seja, temos uma desculpa para evitar discutir o que é bom. Gostamos de falar do “progresso”, ou seja, temos um expediente para evitar discutir o que é bom. Gostamos de falar de “educação”, ou seja, temos um método para evitar discutir o que é bom. O homem moderno diz: “Deixemos de lado todos os padrões arbitrários e abracemos a liberdade”. Caso isto seja logicamente compreendido, significa: “Não decidamos o que é bom, mas deixemos que seja considerado bom não decidir”. Diz também: “Fora com nossa antiga fórmula moral; sou pelo progresso”. Isso, logicamente compreendido, significa: “Não fixemos o que é bom; mas estabeleçamos se vamos receber mais do mesmo”. Diz ainda: “Não é nem na religião nem na moral, meu amigo, que repousa a esperança da raça, mas na educação”. Isso, claramente expresso, significa: “Não podemos decidir o que é bom, mas deixemos que seja dado aos nossos filhos”.

G. K. Chesterton, Hereges

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Fragmentos: A lei do Espírito

“Toda coisa parece ser aquilo que nela é principal”, diz o Filósofo no livro IX da Ética. Aquilo que é principal na lei do Novo Testamento, e em que toda a virtude dela consiste, é a graça do Espírito Santo, que é dada pela fé em Cristo. E assim principalmente a lei nova é a própria graça do Espírito Santo, que é dada aos fiéis de Cristo. … O que faz dizer Santo Agostinho em sua obra Sobre o Espírito e a Letra … (XXI, 36): “O que são as leis de Deus escritas pelo mesmo Deus nos corações senão a própria presença do Espírito Santo?” … Deve-se, pois, dizer que principalmente a lei nova é lei infusa, mas que, secundariamente, ela é lei escrita.

Suma Teológica I-II, q.106, a.1

Deve-se saber que se apoiando nestas palavras: “Onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade”, assim como nas palavras seguintes: “Para o justo não há lei” (1Tm 1, 9), alguns ensinaram falsamente que os homens espirituais não estão submetidos aos preceitos da lei divina. O que é falso, porque os mandamentos de Deus são a regra do agir humano. …

O que foi dito do “justo para o qual não há lei”, deve-se compreender assim: não foi para os justos, que são movidos do interior às coisas que a lei de Deus prescreve, que a lei foi promulgada, mas para os injustos, sem que por essa razão os justos não sejam obrigados à lei.

Igualmente, “Onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” deve-se compreender assim: é livre aquele que dispõe de si mesmo (líber est qui est causa sui), enquanto o servo (servus) depende de seu senhor. Aquele, pois, que age por si mesmo age livremente, mas aquele que age sob o impulso de outro não age livremente. Assim, aquele que evita o mal não porque é mal, mas por causa do mandamento de Deus, este não é Leia mais deste post

Tomás responde: O homem é dotado de livre-arbítrio?

Lucas Cranach, Adão e Eva, 1526, óleo sobre madeira, Londres

Parece que o homem não é dotado de livre-arbítrio:

1. Com efeito, aquele que é dotado de livre-arbítrio faz o que quer. Ora, o homem não faz o que quer, segundo a Carta aos Romanos: “Não faço o bem que quero, mas pratico o mal que não quero”(7, 15). Logo, o homem não é dotado de livre-arbítrio.

2. Além disso, aquele que é dotado de livre-arbítrio pode querer e não querer, agir e não agir. Ora, isso não cabe ao homem, pois segundo a Carta aos Romanos: “Nem o querer cabe àquele que quer, nem a corrida àquele que corre” (9, 16). Logo, o homem não é dotado de livre-arbítrio.

3. Ademais, “É livre o que é causa de si mesmo”, diz o livro I da Metafísica. Assim, o que é movido por outro não é livre. Ora, Deus move a vontade. “O coração do rei está na mão de Deus”, diz o livro dos Provérbios (21,1), “e Deus o dirige para onde quiser”. E a Carta aos Filipenses: “É Deus que opera em nós o querer e o agir” (2, 13). Logo, o homem não é dotado de livre-arbítrio.

4. Ademais, todo aquele que é dotado de livre-arbítrio é senhor de seus atos. Ora, o homem não o é, conforme está escrito em Jeremias: “Não está no homem o seu caminho, nem cabe ao homem dirigir seus passos” (10,23). Logo, o homem não é dotado de livre-arbítrio.

5. Ademais, “Como é cada um, assim lhe parece ser o fim”, diz o Filósofo no livro III da Ética. Ora, não está em nosso poder ser de tal ou tal maneira; isso nos é dado pela natureza. Portanto, é natural que sigamos um fim determinado. Logo, não o seguimos por livre-arbítrio.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, segundo o Eclesiástico: “Deus criou o homem no começo e o deixou na mão de seu conselho” (15, 14), isto é, “de seu livre-arbítrio”, diz a Glosa.

RESPONDO. O homem é dotado de livre-arbítrio, do contrário os conselhos, as exortações, os preceitos, as proibições, as recompensas e os castigos seriam vãos. Para demonstrá-los, deve-se considerar que certas coisas agem sem julgamento. Por exemplo, a pedra que se move para baixo, e igualmente todas as coisas que não têm o conhecimento. Outras coisas agem com julgamento, mas esse não é livre: como os animais. Por exemplo, a ovelha, vendo o lobo, julga que é preciso fugir: é um julgamento natural, mas não livre, pois não julga por comparação, mas por instinto natural. O mesmo acontece com todos os julgamentos dos animais. O homem, porém, age com julgamento, porque, por sua potência cognoscitiva julga que se deve fugir de alguma coisa ou procurá-la. Mas como esse julgamento não é o efeito de um instinto natural aplicado a uma ação particular, mas de uma certa comparação da razão, por isso, o homem age com julgamento livre, podendo se orientar para diversos objetos. Com efeito, a respeito do contingente, a razão pode seguir direções opostas, como vemos nos Leia mais deste post

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