Thomas shouts: Go Giants! (ou Tomás responde: Pode ser pecado a falta de atividade lúdica?)

Parece que a falta de atividade lúdica não pode ser pecado:

1. Com efeito, nenhum pecado pode ser imposto como penitência. Ora, Agostinho, referindo-se ao penitente, escreve: “Abstenha-se de divertimentos e espetáculos mundanos quem quiser obter a graça perfeita do perdão”. Logo, não há pecado na falta de atividade lúdica.

2. Além disso, nenhum pecado entra no elogio que se faz dos santos. Ora, alguns deles são elogiados por sua abstenção de brincadeiras, como se vê no livro de Jeremias: “Não procuro minha alegria frequentando a roda dos foliões” (15,17), e no de Tobias: “Nunca frequentei lugares de divertimentos nem tive comércio com pessoas levianas” (3,17). Logo, não pode existir pecado na falta de atividade lúdica.

3. Ademais, Andronico assim define a austeridade, que ele classifica como virtude: “Hábito pelo qual não oferecemos aos outros o prazer da nossa conversação nem deles o recebemos”. Ora, isso significa falta de espírito lúdico. Logo, essa falta constitui antes uma virtude que um vício.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, o Filósofo declara viviosa essa falta.

Nas ações humanas, tudo o que vai contra a razão é vicioso. Ora, é contra a razão ser um peso para os outros, não lhes proporcionando, por exemplo, nenhum prazer e impedindo o prazer deles. Por isso, diz Sêneca: “Comporta-se sabiamente, de sorte que ninguém te considere intratável nem te menospreze como vulgar”. Ora, os que se privam de toda diversão, nem eles dizem pilhérias e são molestos aos que as dizem não aceitando brincadeiras normais dos outros. E, por isso, tais pessoas são viciosas, “duras e mal educadas”, como diz o Filósofo.

Como, porém, a atividade lúdica é útil pelo descanso e pelo prazer que causa e, por outro lado, como o prazer e o descanso não os buscamos, no dia-a-dia, por eles mesmos, mas sim pela ação, como ensina Aristóteles, por isso a falta dessa atividade é menos viciosa que o seu exagero. Daí a afirmação do Filósofo: “Para o nosso prazer, poucos amigos bastam”, pois pata tempero da vida basta um pouco de prazer, como uma pitada de sal é suficiente para a comida.

Quanto às Leia mais deste post

Tomás responde: Pode haver alguma virtude na prática de jogos e brincadeiras?

Pieter Brueghel, Jogos de Criança, 1560 (clique para ampliar)

Parece que nas atividades lúdicas não pode haver alguma virtude:

1. Com efeito, afirma Ambrosio: “o Senhor diz, ‘Ai de vós, os que rides, porque chorareis!’. Penso, então, que é preciso evitar não só os divertimentos exagerados, mas todos”. Ora, o que pode ser praticado virtuosamente, não deve ser evitado de todo. Logo, não pode haver virtude alguma nos jogos.

2. Além disso, “a virtude é algo pelo qual Deus age em nós, sem nós”, como foi dito antes (I-II, q. 55, a. 4). Ora, Crisóstomo diz: “Não é Deus que nos inspira ao jogo, mas o diabo. Ouve o que, certa feita, aconteceu com os que se divertiam: Leia mais deste post

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