Chestertoninas: A imoralidade na arte

 

“A teoria da imoralidade na arte se estabeleceu firmemente na classe artística; estão livres para produzir qualquer coisa que desejarem. São livres para escrever um poema como O Paraíso Perdido, em que  Satã conquistará Deus. Estão livres para escrever uma Divina Comédia em que o Paraíso pode estar abaixo do nível do Inferno. E  o que fizeram? Será que produziram, em geral, algo mais grandioso ou mais belo do que a criação do impetuoso gibelino católico ou do rígido mestre-escola puritano? Sabemos que produziram apenas uns poucos rondós [Tipo de verso usado na poesia inglesa que foi inventado por Algernon Charles Swinburne]. Milton não os vencia somente em sua devoção, vencia-os na própria irreverência. Em todos os livrecos de versos, não encontraremos um desafio a Deus mais sofisticado que o de Satã. Tampouco sentiremos a grandeza do paganismo da forma como aquele ardoroso cristão descrevera Faranata erguendo a cabeça em puro desdém pelo inferno. E a razão é muito clara. A blasfêmia é um efeito artístico, pois depende de uma convicção filosófica. A blasfêmia depende da crença e, com ela, definha. Caso alguém duvide disso, faça-o  tentar, com seriedade, ter pensamentos blasfemos a respeito de Thor. Penso que a família desse sujeito, ao fim do dia, o encontrará exausto.”

G. K. Chesterton, Hereges

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