Os grandes temas da Idade Média (II): A criação

Na imagem temos uma amostra das mais velhas galáxias jamais vistas opcticamente, formadas há 13 mil milhões de anos, quando o Universo tinha apenas 5% da sua idade actual. O tempo de exposição da imgem é de loucos: três meses a olhar sempre o mesmo local (!), permite-nos, através do seu estudo, perceber melhor como as estrelas e as galáxias se formaram no início do Universo.
Leia também: Os grandes temas da Idade Média (I): Os universais

O cristão parte de uma posição essencialmente distinta da grega, ou seja, da niilidade do mundo. Em outras palavras, o mundo é contingente, não necessário; não tem em si a sua razão de ser, mas a recebe de outro, que é Deus. O mundo é um ens ab alio, diferentemente do ens a se divino. Deus é criador, e o mundo, criado: dois modos de ser profundamente distintos e talvez irredutíveis. A criação é, portanto, o primeiro problema metafísico da Idade Média, do qual derivam, em suma, todos os demais.

A criação não deve ser confundida com o que os gregos chamam de gênese ou geração. A geração é um modo do movimento, o movimento substancial; este pressupõe um sujeito, um ente que se move e passa de um princípio a um fim. O carpinteiro que faz uma mesa a faz de Leia mais deste post

Quatro características da religião medieval

Missal Weingarten, iluminura sobre pergaminho, cerca de 1210, 29,2×20,3 cm, Pierpoint Morgan Library, NY

A religião cristã, por muito fiel que seja a si própria e por mais unida que esteja à sua Tradição, adquire, no entanto, matizes peculiares de acordo com cada época. Hoje, no catolicismo francês, enfatiza-se mais o aspecto social do Credo, o necessário retorno às fontes bíblicas e patrísticas, e um conhecimento mais profundo da liturgia. Durante os grandes séculos medievais, observam-se também algumas características, quatro das quais mais acentuadas.

A primeira e a mais essencial é o caráter profundamente escriturístico da vida religiosa. A Sagrada Escritura, a Bíblia, é sem dúvida alguma conhecida pela generalidade dos homens, ao menos por alto. Nos conventos e nas universidades lêem-se muitos outros textos, especialmente os dos Padres da Igreja e em particular Santo Agostinho, mas o que o conjunto dos fiéis conhece é o Leia mais deste post

São Domingos, atleta e construtor de Deus

Fra Angelico, Domingos de Gusmão

Enquanto o “Poverello” travava a luta heróica de uma vida orientada contra as obras do dinheiro, outro homem combatia o segundo perigo que ameaçava a Igreja, o perigo da facilidade, da rotina intelectual, da ignorância, que entregava a fé aos desvios doutrinais. A sua obra acabaria por suscitar um clero capaz de lutar com armas iguais contra os adversários da verdade. Mas esta Ordem não devia nascer de um desígnio a priori, de uma idéia abstrata: surgiu, como a maior parte das instituições da Igreja, da providencial necessidade.

Num dia de verão de 1205, apresentou-se diante de Inocêncio III o bispo da modesta diocese espanhola de Osma, D. Diogo ou Didácio de Azevedo. Viajava há dois anos, encarregado por Afonso VIII de Castela de trazer da Dinamarca uma noiva para o Infante herdeiro. Mas como a jovem princesa Leia mais deste post

Bibliotecas e copistas

Breviário de Belleville, 1323-1326

No seu esforço de salvaguarda intelectual, o que a Igreja ensinou em primeiro lugar à humanidade foi o respeito pelo livro. Amava-se, venerava-se e rodeava-se de zelosos cuidados esse pesado caderno de pergaminho que continha a palavra de Deus ou de um de seus fiéis, e que, aliás, era raro e custava caro: uma biblioteca de 900 manuscritos era considerada imensa e causava espanto. “Morre desonrado quem não ama os livros”, dizia um provérbio; e “um claustro sem livros é um castelo sem arsenal”, dizia São Bernardo. As preciosas obras andavam de convento em convento, para que pudessem ser copiadas, e, no período negro das invasões normandas, a perda das bibliotecas era um dos desastres mais cruelmente sentidos.

A imagem do monge copista, debruçado sobre a sua escrivaninha ao longo de toda a jornada, caligrafando ou iluminando as páginas de um Evangelho ou um Saltério, é uma daquelas Leia mais deste post

O apogeu da Escolástica: São Tomás de Aquino

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No coração do céu, onde reinam as Três Pessoas, ladeado por Aristóteles e Platão, tendo a seus pés Averróis vencido, enquanto um concílio reunido reconhece a sua grandeza, o corpulento dominicano, com a vista tão fixa que parece não ter olhares senão para o interior, meditativo, plana no tempo e no espaço. Foi assim que Benozzo Gozzoli o representou no célebre quadro do Louvre, e é também assim que a história da Igreja o pode representar.

Entre os estudantes que, no ano de 1248, seguiam os cursos de Alberto Magno no Studium dominicano de Colônia, não se fazia notar – a não ser pelas suas dimensões físicas – um rapaz enorme, de rosto plácido, que parecia ruminar sem parar não se sabe que ausência de pensamento. Os condiscípulos chamavam-lhe o “boi mudo”, a tal ponto a sua grande calma e a sua espantosa capacidade de ficar em silêncio lhes parecia estúpidas. Mas quando, por acaso, numa discussão, esse rochedo se movia, era para esmagar, com dez Leia mais deste post

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