Tolos e Tolices – o Besteirol na Análise de Tomás de Aquino

Francisco de Goya, O Idiota

L. Jean Lauand
Universidade de São Paulo
 jeanlaua@usp.br

 Há um número infinito de imbecis. Esta verdade, que é confirmada pela autoridade de Deus (como se fosse necessária a revelação do óbvio…), é citada mais de vinte vezes por Tomás de Aquino, que a lê em Ecle 1, 15: “stultorum infinitus est numerus“, sentença de Salomão, proferida em um momento de veemente desabafo e sob os efeitos do vinho (2, 3). Os néscios – diz, por sua vez, o salmo (118, 12) – “me rodeiam como vespas”.

         Os tolos não só são infinitos, mas também apresentam-se sob diversas espécies: umas mais brandas; outras, mais graves; há tolices inocentes; outras são grave pecado etc… Ao longo de toda a obra do Aquinate [1] , encontramos toda uma tipologia de tolos: asyneti, cataplex, credulus, fatuus, grossus, hebes, idiota, imbecillis, inanis, incrassatus, inexpertus, insensatus, insipiens, nescius, rusticus, stolidus, stultus, stupidus, tardus, turpis, vacuus e vecors.

         Neste artigo examinaremos brevemente – em forma de pequenas notas – esses vinte e tantos tipos de imbecis apresentados por Tomás, algumas das causas, efeitos e os remédios – quando há remédio… – que ele aponta para as tolices.

         Para começar, Tomás vale-se de comparações com animais. Se em espanhol “asno” designa pessoa rude e de pouca cabeça e, em português, “burro” é a primeira palavra para designar a fraca inteligência, Tomás, em vinte vezes, compara o insipiente ao jumento: porque os animais agem movidos pela paixão (o cachorro que se irrita começa a latir; o cavalo, quando tem um desejo, relincha etc. [2] ). E o insipiente, que abdica da razão (de sua honra, que é a razão, como repete Tomás), se reduz a um Leia mais deste post

Investigador chileno derruba lenda negra sobre a Inquisição

Francisco de Goya (1746-1828), Tribunal do Santo Ofício

Veja também a série de artigos do site Sentinela Católico sobre a inquisição clicando aqui.

LIMA, 28 Mai. 12 (ACI) .- Um investigador chileno desmentiu as lendas negras criadas sobre a época da Inquisição, tanto a medieval como a espanhola, em relação à tortura e o exagero da quantidade de condenados à fogueira.

Em entrevista concedida ao grupo ACI o historiador René Millar Carvacho, professor na Pontifícia Universidade Católica do Chile, especializado no tema da Inquisição no Vice-Reino do Perú, explicou que “grande parte de toda a lenda negra desta época gira em torno da tortura, mas que a tortura, como meio de prova, formou parte do método de castigo da época”.

“Tergiversou-se como se isso fosse próprio da Inquisição, mas não é certo, isto foi algo próprio dos métodos judiciais desses anos. A justiça real também a usava e possuia o mesmo sistema”, relatou.

Do mesmo modo, indicou que os dados históricos dos castigos da Inquisição foram exagerados e se deram imagens escessivas em cifras de mortos e ações repressivas que não representaram a realidade.

“Sabemos que entre os anos 1570 e 1820, na América, período em que dura a Inquisição, 2500 pessoas passaram por ela, e desta quantidade só 50 foram condenadas à pena de relaxação (ou seja foram condenadas a morrer na fogueira), e destas 25 ou 30 mortas na fogueira, outros fugiram e o que foi queimado foi uma estátua em representação deles, e pelo geral estas estátuas eram contabilizadas (entre a quantidade de mortos)”, detalhou o historiador.

Em outro momento mencionou que as heresias mais comuns durante a Inquisição na Espanha se deram por parte dos falsos judeus conversos, protestantes; além da bruxaria e algumas outras faltas vinculadas a temas doutrinários. Enquanto que em Lima o maior número de processados foram por bigamia, feitiçaria e blasfêmias.

O perito assinalou que embora durante este período métodos Leia mais deste post

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