Tomás responde (a Dilma): toda hipocrisia é sempre um pecado?

RESPONDO: Como foi dito, a virtude da verdade exige que nos mostremos por sinais exteriores tais quais somos na realidade. Ora, os sinais exteriores não se reduzem apenas às palavras, mas a atos também. O fato de alguém, por palavras, manifestar alguma coisa diferente daquilo que pensa, contraria a virtude da verdade, pois é da ordem da mentira. Da mesma maneira, contrariamos também a virtude da verdade quando, por intermédio de sinais que são atos ou coisas, nos mostramos diferentes daquilo que realmente somos no fundo de nós mesmos, e é isto o que se chama propriamente de simulação. Assim, a simulação é propriamente uma mentira constituída por sinais dos atos externos. Não importa que alguém minta por palavras ou por qualquer outro ato, como acima foi dito. Desta forma, assim como toda mentira é pecado, segue-se também que toda simulação é pecado.

Obs: Tomás usa a palavra “simulação” (simulatio) onde, no título, utilizei a palavra “hipocrisia” (hypocrisis), pois esta me parece mais adequada ao vídeo acima. A troca se justifica em função do artigo seguinte (A hipocrisia é a mesma coisa que a simulação?), no qual Sto. Tomás escreve: “Portanto, pode-se dizer que a hipocrisia é uma simulação; não porém uma simulação qualquer, mas só aquela em que alguém simula ser outra pessoa, como o pecador que quer se fazer passar por justo”.

Fonte: ST II-II, 111, 1

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