Chestertoninas: O monge e o poste

[Essa vai como presente ao querido amigo José Carlos, um nada gracioso ogro-dwarf das terras d’além mar que, apesar da idade já avançada, ainda não teve a felicidade de ser apresentado ao Sr. Chesterton]

“Suponhamos que surja em uma rua grande comoção a respeito de alguma coisa, digamos, um poste de iluminação a gás, que muitas pessoas influentes desejam derrubar. Um monge de batina cinza, que é o espírito da Idade Média, começa a fazer algumas considerações sobre o assunto, dizendo à maneira árida da Escolástica: “Consideremos primeiro, meus irmãos, o valor da luz. Se a luz for em si mesma boa…”. Nesta altura, o monge é, compreensivelmente, derrubado. Todo mundo corre para o poste e o põe abaixo em dez minutos, cumprimentando-se mutuamente pela praticidade nada medieval. Mas, com o passar do tempo, as coisas não funcionam tão facilmente. Alguns derrubaram o poste porque queriam a luz elétrica; outros, porque queriam o ferro do poste; alguns mais, porque queriam a escuridão, pois seus objetivos eram maus. Alguns se interessavam pouco pelo poste, outros, muito; alguns agiram porque queriam destruir os equipamentos municipais. Outros porque queriam destruir alguma coisa. Então, aos poucos e inevitavelmente, hoje, amanhã, ou depois de amanhã, voltam a perceber que o monge, afinal, estava certo, e que tudo depende de qual é a filosofia da luz. Mas o que poderíamos ter discutido sob a lâmpada a gás, agora devemos discutir no escuro.”

G. K. Chesterton, Hereges, Ed. Ecclesiae

Tomás de Aquino, Santo Tomás, filosofia, Igreja

Chestertoninas: O fantástico, maravilhosamente fantástico Chesterton

“Quero tratar com os mais distintos contemporâneos, não pessoalmente ou de uma maneira meramente literária, mas em relação ao verdadeiro corpo doutrinário que ensinam. Não estou preocupado com o Sr. Rudyard Kipling como um artista vivido ou uma personalidade vigorosa. Ocupo-me dele como um herege – isto é, um homem cuja visão das coisas tem a audácia de diferir da minha. Não me interesso pelo Sr. Bernard Shaw como um dos homens vivos mais brilhantes e mais honestos; estou interessado nele como um herege – isto é, um homem cuja filosofia é muito sólida, muito coerente e muito errada. Retrocedo aos métodos doutrinais do século XIII, na esperança de conseguir obter algum resultado.”

G. K. Chesterton, Hereges, Ed. Ecclesiae

Os grandes temas da Idade Média (II): A criação

Na imagem temos uma amostra das mais velhas galáxias jamais vistas opcticamente, formadas há 13 mil milhões de anos, quando o Universo tinha apenas 5% da sua idade actual. O tempo de exposição da imgem é de loucos: três meses a olhar sempre o mesmo local (!), permite-nos, através do seu estudo, perceber melhor como as estrelas e as galáxias se formaram no início do Universo.
Leia também: Os grandes temas da Idade Média (I): Os universais

O cristão parte de uma posição essencialmente distinta da grega, ou seja, da niilidade do mundo. Em outras palavras, o mundo é contingente, não necessário; não tem em si a sua razão de ser, mas a recebe de outro, que é Deus. O mundo é um ens ab alio, diferentemente do ens a se divino. Deus é criador, e o mundo, criado: dois modos de ser profundamente distintos e talvez irredutíveis. A criação é, portanto, o primeiro problema metafísico da Idade Média, do qual derivam, em suma, todos os demais.

A criação não deve ser confundida com o que os gregos chamam de gênese ou geração. A geração é um modo do movimento, o movimento substancial; este pressupõe um sujeito, um ente que se move e passa de um princípio a um fim. O carpinteiro que faz uma mesa a faz de Leia mais deste post

Aeterni Patris em PDF

Francisco de Zurbarán, Apoteose de Santo Tomás, 1631, Museo Provincial de Bellas Artes, Sevilla (clique para ampliar)

CARTA ENCÍCLICA AETERNI PATRIS DO SUMO PONTÍFICE
LEÃO XIII, SOBRE A RESTAURAÇÃO DA FILOSOFIA CRISTÃ
CONFORME A DOUTRINA DE SANTO TOMÁS DE AQUINO

Trechos:

Se alguém fixar a sua atenção, nas lutas encarniçadas desses dias, e procurar uma razão, para os problemas que assolam a vida pública e privada, deverá, sem dúvida, chegar à conclusão de que uma causa fecunda, dos males, que agora nos afligem, assim como daqueles que tememos, está no seguinte: as falsas conclusões, no que concernem às coisas divinas e humanas, que se originaram, nas escolas dos filósofos, se adentraram, agora, por todas as esferas do Estado e foram aceitas pelo consenso das massas. Pois, sendo da própria natureza do homem, seguir, em seus atos, o que lhe indica a razão, se o intelecto peca, a vontade logo o seguirá, e assim ocorre que opiniões falsas, cuja sede seja o entendimento, influenciem as ações humanas e as perverta. Leia mais deste post

Filosofia e “filosofias”

Escrito por Renan Santos

Fica, assim, claríssima a superioridade da filosofia aristotélico-tomista diante de seus irmãos menores e travessos da era moderna. Há, desde o fim da escolástica, um acovardamento da alma filosófica, um recuo impressionante da consciência, que busca deliciar-se com a contemplação de si mesma, rompendo o máximo que pode a sua familiaridade com as coisas, com o mundo, que não lhe é mais simplesmente algo obtuso e desafiador, mas insuportável e opressivo. O júbilo do pensador moderno é ser justamente esse “pensador”, esse ser que só pensa, que só conexiona idéias, por mais rasas que eles sejam, recusando-se terminantemente a saltar para o nível superior, o da compreensão, que Platão ressaltava.

Enquanto os gregos e os medievais se maravilhavam ao testemunhar o espetáculo da realidade, os modernos irão querer montar o seu próprio teatrinho, cujo acesso Leia mais deste post

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