Chestertoninas: A criança, a relva e o ente

“Quando uma criança olha por uma janela e vê alguma coisa, por exemplo um canteiro verde do jardim, que vê ela ou fica ela a conhecer neste momento? Ou melhor, vê ela alguma coisa? Em volta desta questão gira toda a espécie de jogos infantis de filosofia negativa. Um brilhante cientista vitoriano deliciar-se-ia com declarar que a criança não vê relva nenhuma, mas unicamente uma espécie de névoa verde refletida no frágil espelho do olho humano. Essa amostra de racionalismo me impressionou sempre como irracional quase até à demência. Se ele não tem certeza da existência da relva que vê através do vidro de uma janela, como pode ter certeza da existência da retina, que vê através do vidro de um microscópio? Se a vista engana em um caso, por que é que não pode seguir a enganar?

Homens de outra escola respondem que a relva é uma simples impressão de verde no espírito, e que a criança não pode ter certeza senão do espírito. Declaram que ela só pode ser consciente da sua consciência, que é a única coisa de que a criança não tem consciência absolutamente nenhuma. Neste sentido, seria muito mais verdadeiro dizer que há relva e não há criança do que dizer que há uma criança consciente mas não há erva. Santo Tomás de Aquino, intervindo de súbito nesta questão infantil, diz que a criança Leia mais deste post

O princípio de não-contradição

Antonio Ciseri (1821-1891), Ecce Homo

“Tu o dizes: eu sou rei. Para isso nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Quem é da verdade escuta a minha voz”.

Disse-lhe Pilatos: “Que é a verdade?”

“…esta função concreta, esta valência de concretude desenvolvida pelo princípio de não-contradição em relação ao princípio de identidade, é a função que o mesmo princípio desenvolve em relação a todos os outros princípios: estes são abstratos, isto é, não plena e completamente verdadeiros, até que sejam reconduzidos e reduzidos ao princípio de não-contradição. Por isso este se revela como o princípio absoluto do ser.”

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1. “Princípios que são o próprio ser

A formulação “princípios do ser” deve-se entender no sentido do genitivo subjetivo: não princípios que dominam o ser, mas princípios que o próprio ser é, que promulga ou explicita em si e por si mesmo. E também aqui o plural, como o dos transcendentais, entende-se no sentido da perfeita convertibilidade e, portanto, em sentido unitário. Os princípios dizem o ser; o ser se exprime nos princípios, os quais são enumerados como princípio de identidade, princípio de não-contradição, princípio de razão suficiente, princípio do terceiro excluído, princípio da impossibilidade do progresso ou do regresso ao infinito. Na realidade, eles se unificam no princípio de não-contradição, como aquele no qual se resolvem e do qual são explicitações ulteriores. Deve-se, portanto, dizer que o ser é o princípio de não-contradição, e reciprocamente; os outros princípios explicitam o ser enquanto explicitam o princípio de não contradição e são perfeitamente convertíveis com ele.

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1.1 O significado de princípio

Com a finalidade de uma correta compreensão dos princípios do ser é indispensável clarificar o significado de princípio. Partamos da definição que lhe dá Aristóteles: Leia mais deste post

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