Escolas católicas???

Sao_Joao_Batista_de_la_SalleEm 15 de maio de 1950, São João Batista de la Salle foi declarado patrono dos educadores pelo papa Pio XII

A esta altura, parece que a maioria que desembolsa as mensalidades nas escolas católicas é capaz de pautar os rumos dos nossos educadores, e os exames públicos unificados como o ENEM são capazes de nos dirigir ideologicamente para longe da reta razão e da sã doutrina católica

Por Paulo Vasconcelos Jacobina

Brasília, 15 de Outubro de 2015 (ZENIT.org)

Dois incidentes na educação dos meus filhos, ocorridos esta semana, merecem registro, porque evidenciam o tipo de insegurança a que estamos submetidos, nós, pais católicos com filhos matriculados em escolas católicas. Trata-se não somente do fato de que é muito difícil ser coerentemente cristão num mundo tão invadido por ideologias profundamente pagãs; vai mais além. Chega até o fato de que parecemos viver uma época em que mesmo quem se declara institucionalmente cristão, e se anuncia como educador católico, já não está mais seguro, e é incapaz de demonstrar publicamente, que vê os critérios católicos, as propostas católicas para o desenvolvimento humano como, de fato, verdadeiros e adequados. Ou que é viável, economicamente, academicamente e existencialmente, defendê-los.

Com isto, declaramos, nós católicos que temos responsabilidade com a educação de jovens (pais, professores, catequistas e sacerdotes) nossa rendição ao mundo do relativismo, que, na verdade, é o mundo do pensamento único, em que aquele que não concorda com o discurso academicamente hegemônico é tachado de “fóbico” e destroçado mediante táticas de propaganda e desmoralização pública. Já não vemos o Catecismo como seriamente defensável, ou a Bíblia (devidamente lida pelos olhos da Tradição e do Magistério) como uma proposta viável de desenvolvimento humano. A esta altura, a maioria pagã que desembolsa as mensalidades nas nossas escolas católicas é capaz de pautar os rumos dos nossos educadores, e os exames públicos unificados, como o ENEM, são capazes de nos dirigir ideologicamente de uma forma tão eficaz que o mero exercício de propor uma abordagem diversa daquela considerada “correta” pela pauta acadêmica contemporânea faz com que um pai se sinta como obsoleto, ultrapassado ou mesmo como verdadeiro obstáculo anacrônico no caminho do sucesso acadêmico dos filhos e da viabilidade financeira das escolas. Nem sequer se trata de exigir a coerência entre apresentar-se como educador católico e agir catolicamente – trata-se de nem sequer ser considerado quanto à possibilidade de promover um debate sério sobre estas questões que inclua as posições católicas dentre as consideráveis.

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Chestertoninas: A liberdade, o progresso e a educação como evasivas

Todos os ideais e expressões populares modernos são evasivas para evitar o problema do que é o bem. Gostamos de falar de “liberdade”, ou seja, temos uma desculpa para evitar discutir o que é bom. Gostamos de falar do “progresso”, ou seja, temos um expediente para evitar discutir o que é bom. Gostamos de falar de “educação”, ou seja, temos um método para evitar discutir o que é bom. O homem moderno diz: “Deixemos de lado todos os padrões arbitrários e abracemos a liberdade”. Caso isto seja logicamente compreendido, significa: “Não decidamos o que é bom, mas deixemos que seja considerado bom não decidir”. Diz também: “Fora com nossa antiga fórmula moral; sou pelo progresso”. Isso, logicamente compreendido, significa: “Não fixemos o que é bom; mas estabeleçamos se vamos receber mais do mesmo”. Diz ainda: “Não é nem na religião nem na moral, meu amigo, que repousa a esperança da raça, mas na educação”. Isso, claramente expresso, significa: “Não podemos decidir o que é bom, mas deixemos que seja dado aos nossos filhos”.

G. K. Chesterton, Hereges

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