O princípio de não-contradição

Antonio Ciseri (1821-1891), Ecce Homo

“Tu o dizes: eu sou rei. Para isso nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Quem é da verdade escuta a minha voz”.

Disse-lhe Pilatos: “Que é a verdade?”

“…esta função concreta, esta valência de concretude desenvolvida pelo princípio de não-contradição em relação ao princípio de identidade, é a função que o mesmo princípio desenvolve em relação a todos os outros princípios: estes são abstratos, isto é, não plena e completamente verdadeiros, até que sejam reconduzidos e reduzidos ao princípio de não-contradição. Por isso este se revela como o princípio absoluto do ser.”

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1. “Princípios que são o próprio ser

A formulação “princípios do ser” deve-se entender no sentido do genitivo subjetivo: não princípios que dominam o ser, mas princípios que o próprio ser é, que promulga ou explicita em si e por si mesmo. E também aqui o plural, como o dos transcendentais, entende-se no sentido da perfeita convertibilidade e, portanto, em sentido unitário. Os princípios dizem o ser; o ser se exprime nos princípios, os quais são enumerados como princípio de identidade, princípio de não-contradição, princípio de razão suficiente, princípio do terceiro excluído, princípio da impossibilidade do progresso ou do regresso ao infinito. Na realidade, eles se unificam no princípio de não-contradição, como aquele no qual se resolvem e do qual são explicitações ulteriores. Deve-se, portanto, dizer que o ser é o princípio de não-contradição, e reciprocamente; os outros princípios explicitam o ser enquanto explicitam o princípio de não contradição e são perfeitamente convertíveis com ele.

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1.1 O significado de princípio

Com a finalidade de uma correta compreensão dos princípios do ser é indispensável clarificar o significado de princípio. Partamos da definição que lhe dá Aristóteles: Leia mais deste post

Tomás responde: Cristo devia conviver com as pessoas, ou levar uma vida solitária?

Jacopo Tintoretto (1518-1594), Ecce Homo ou Pilatos apresenta Cristo à multidão, Museu de Arte de São Paulo – MASP (clique para ampliar)

Parece que Cristo não devia conviver com as pessoas, mas levar uma vida solitária:

1. Com efeito, na verdade, era necessário que, em seu modo de viver, Cristo se mostrasse não apenas homem, mas também Deus. Ora, não convém a deus conviver com os homens. Diz o profeta Daniel: “Com exceção dos deuses, dos quais não é próprio conviver com os homens” (2, 11). Diz também o Filósofo no livro I da Política que aquele que leva uma vida solitária ou é um animal, se o faz por bruteza, ou é um deus, se o faz para contemplar a verdade. Logo, parece que não era conveniente que Cristo convivesse com os demais.

2. além disso, em sua vida mortal, Cristo devia levar uma vida perfeitíssima. Ora, a vida mais perfeita é a vida Leia mais deste post

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