Tomás responde: A discriminação das pessoas é pecado?

Fariseu_publicanoO fariseu e o publicano, afresco na Abadia de Ottobeuren

“Ó Deus, eu te dou graças porque não sou como o resto dos homens…”

Oração  do fariseu (Lc 18, 11)

Parece que a discriminação das pessoas não é pecado:

1. Com efeito, o termo “pessoa” exprime a dignidade. Ora, ter em consideração a dignidade das pessoas pertence à justiça distributiva. Logo, a discriminação das pessoas não é pecado.

2. Além disso, na esfera humana, as pessoas são mais importantes do que as coisas, porque estas são ordenadas àquelas, e não inversamente. Ora, a discriminação das coisas não é pecado. Menos ainda, a discriminação das pessoas.

3. Ademais, em Deus, não pode haver injustiça nem pecado. Ora, parece que Deus faz discriminação das pessoas, pois de dois homens da mesma condição, salva um pela graça, e deixa o outro no pecado, segundo o que se diz no Evangelho de Mateus: “Duas pessoas estarão em uma mesma cama; uma será tomada, outra será deixada” (24, 40). Logo, a discriminação das pessoas não é pecado.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, na lei divina só se proíbe o pecado. Ora, a discriminação às pessoas se proíbe no livro do Deuteronômio: “Não fareis discriminação de qualquer pessoa” (1, 17). Logo, a discriminação das pessoas é pecado.

Tomas_RespondoA discriminação das pessoas se opõe à justiça distributiva. Com efeito, a igualdade da justiça distributiva consiste em dar às diferentes pessoas atribuições diversas, em proporção com a dignidade dessas pessoas. Levando em consideração essa prerrogativa própria da pessoa, que lhe torna devido o que lhe é atribuído, não se faz discriminação da pessoa, mas da causa. Por isso, a propósito da palavra da Carta aos Efésios: “Em Deus não há discriminação de pessoas” (6, 9), a Glosa diz: “O juiz justo discerne causas, não pessoas”. Por exemplo, quem promove alguém ao magistério, porque tem a ciência suficiente, toma em consideração a causa devida e não a pessoa. Quando se considera naquele a quem se atribui uma vantagem, não a causa que torna proporcionada e devida a ele essa atribuição, mas apenas o fato de ser tal homem, Pedro ou Martinho, por exemplo, nesse caso, há discriminação de pessoa. Com efeito, o bem lhe é atribuído não por uma causa que o faz digno, mas porque só se visa simplesmente a pessoa.

À pessoa, porém, se refere toda condição alheia à causa que a tornaria digna desse dom; por exemplo, quando se promove alguém à prelatura ou ao magistério, por ser rico ou parente seu, seria praticar discriminação de pessoa. Pode, contudo, uma condição da pessoa torná-la digna de uma coisa e não de outra. Assim, o parentesco torna digno de ser instituído herdeiro do patrimônio e não de ser investido de uma prelatura eclesiástica. Portanto, a mesma condição pessoal, considerada em um caso, vem a ser discriminação de pessoa, e em outro, não. Leia mais deste post

Perseguição hoje: Índia – Jejum contra discriminação

Índia: jejum contra discriminação dos “intocáveis”
Parte importante dos dalits são cristãos

NOVA DÉLi, terça-feira, 26 de julho de 2011 (ZENIT.org) – De ontem até amanhã (27), milhares de dalits, a casta dos “intocáveis” na Índia, fazem jejum nas ruas da capital Nova Déli como sinal de protesto contra as discriminações de que são objeto.

Os dalits, apesar da Constituição reconhecer a igualdade de direitos aos cidadãos, continuam sendo discriminados nas práticas sociais. Além disso, as dificuldades aumentam se eles forem cristãos ou muçulmanos.

O protesto, que concluirá na quinta-feira com uma grande manifestação pacífica em frente ao Parlamento, está organizado – segundo informa a agência Fides – pelo National Coordination Committee for Dalit Christians, o National Council of Dalit Christians e a Conferência Episcopal Indiana..

Em mais de um bilhão e 250 milhões de pessoas, os dalits são cerca de um quarto da sociedade indiana.

Segundo a organização internacional de defesa Dalit Freedom Network, o grupo compreende o maior número de Leia mais deste post

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