Tomás responde: a oração deve ser vocal?

Rembrandt, São Tiago em Oração (1661)

Parece que a oração não deve ser vocal:

1. Com efeito, a oração dirige-se principalmente a Deus. Ora, ele conhece as palavras do coração. Logo, é inútil empregar a oração vocal.

2. Além disso, a alma do homem deve elevar-se a Deus. Ora, as palavras impedem o homem de elevar-se à contemplação de Deus, como também as demais coisas sensíveis. Logo, não se devem usar palavras na oração.

3. Ademais, a oração deverá ser feita a Deus ocultamente, segundo o Evangelho de Mateus: “Quando orares, entra no teu aposento, fecha a porta, e ora ao teu Pai em oculto” (6, 6). Ora, pela palavra a oração se torna conhecida. Logo, a oração não deve ser vocal.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, diz o Salmista: “Pela minha palavra clamei ao Senhor, pela minha palavra supliquei ao Senhor” (Sl 141, 2).

RESPONDO. A oração é coletiva ou particular. A oração coletiva é a que é oferecida a Deus pelos ministros da Igreja em nome de todo o povo fiel. Assim sendo, é necessário que ela seja conhecida por todo o povo, em cujo nome é proferida, o que é possível pela oração vocal. Por isso, com razão foi instituído que os ministros da Igreja pronunciem essa oração também em voz elevada, para que ela possa ser ouvida por todos.

A oração particular é a que é Leia mais deste post

Tomás responde: Deve-se orar somente a Deus?

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Será verdade que, como dizem os “evangélicos”, somente se deve rezar a Deus e que não há intervenção dos santos? Vejamos o que nos diz Santo Tomás.

Em princípio, parece haver motivos para acreditar que só a Deus se deve orar, pois:

1) A oração é ato da religião, e é sabido que somente a Deus se presta culto religioso. Logo, só a Deus de deveria orar.

2) Além disso, seria inútil orar a quem desconhece a oração feita. Ora, parece que só Deus pode conhecer a oração, e assim é porque na maioria das vezes a oração é feita por ato interior, que só Deus conhece, como escreve São Paulo: “Orarei pelo espírito, orarei pela mente” (I Cor 14,15). Santo Agostinho também escreve: “Desconhecem os mortos, até os santos, as ações dos vivos, mesmo a dos seus filhos”.

3) Ademais, dirigimos as nossas orações aos santos porque eles Leia mais deste post

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