Tomás responde: A avareza é sempre pecado mortal?

Rembrandt_-_Parabola_rico_insensatoRembrandt, Parábola do Rico Insensato (1627)

Parece que a avareza é sempre pecado mortal:

1. Com efeito, ninguém é digno de morte, a não ser por pecado mortal. Ora, Paulo, depois de ter falado daqueles que estão “cheios de iniquidade, de malícia, de fornicação e de avareza…” (Rm 1, 29), acrescenta: “os que agem desta forma são dignos de morte”. Logo, a avareza é um pecado mortal.

2. Além disso, o mínimo na avareza consiste em guardar de modo desordenado seus próprios bens. Mas isto parece ser pecado mortal, segundo Basílio: “O pão que guardas é o pão do faminto, a túnica que conservas é a de quem está nu, o dinheiro que possuis é do indigente. E assim, tudo o que poderias ostentar são outras tantas injúrias feitas a outros”. Ora, injuriar o outro é pecado mortal, porque se opõe ao amor do próximo. Logo, mais do que qualquer outro vício, a avareza é pecado mortal.

3. Ademais, ninguém fica afetado de cegueira espiritual a não ser pelo pecado mortal, que priva a alma da luz da graça. Ora, segundo Crisóstomo, as trevas da alma são a cobiça do dinheiro. Logo, a avareza, que é a cobiça do dinheiro, é pecado mortal.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, a respeito do seguinte texto: “quem constrói sobre este alicerce…”, a Glosa diz que “aquele que se preocupa com os cuidados do mundo e que procura agradar ao mundo, o que constitui o pecado da avareza, constrói sobre a madeira, o feno e a palha”. Ora, o homem que constrói sobre a madeira, o feno e a palha, não comete pecado mortal, mas venial. Pois dele está dito que será salvo, mas como que através do fogo. Logo, a avareza é, às vezes, pecado venial.

Tomas_RespondoA avareza pode ter dupla acepção. Numa, ela se opõe à justiça, e é então, por sua natureza, pecado mortal; a avareza, nesta concepção, consiste na aquisição ou retenção injusta de bens alheios, o que constitui roubo ou furto, que são pecados mortais, como ficou demonstrado. Mas pode ocorrer, neste gênero de avareza, que o pecado seja venial, por causa a imperfeição do ato, como se falou ao tratar do furto.

Na outra acepção, a avareza pode ser considerada como oposta à liberalidade e, neste caso, implica um amor desordenado às riquezas. Se o amor desordenado às riquezas for de tal monta que se sobreponha à caridade, levando alguém a, por amor às riquezas, agir contra o amor de Deus e do próximo, neste caso a avareza será pecado mortal. Mas se, embora amando desordenadamente as riquezas temporais, o homem não antepuser este amor ao amor divino, e se este amor às riquezas não o levar a praticar atos contra Deus ou contra o próximo, neste caso a avareza será pecado venial. Leia mais deste post

Tomás responde: A soberba é o início de todos os pecados?

Cesare Zocchi, O Soberbo, detalhe do monumento a Dante em Trento(clique para ampliar)

Parece que a soberba não é o início de todo pecado:

1. Com efeito, a raiz é um certo princípio da  árvore. Assim parece que é o mesmo a raiz e o princípio do pecado. Ora, foi dito que a avareza é a raiz de todos os pecados. Logo, ela é também, e não a soberba, o início de todo pecado.

2. Além disso, o livro do Eclesiástico diz que “o início da soberba humana está na apostasia de Deus” (10, 14(12)). Ora, esta apostasia é um pecado determinado. Logo, algum pecado é o início da soberba, e não é ela o início de todo pecado.

3. Ademais, parece ser o início de todos os pecados, o que faz todos os pecados. Ora, tal é o amor desordenado de Leia mais deste post

Tomás responde: A avareza é a raiz de todos os pecados?

Gustave Doré (1832-1883), Os avarentos. Dante conversa com o papa Adriano V (Divina Comédia, Purgatório, Canto XIX)

Parece que a avareza não é a raiz de todos os pecados:

1. Com efeito, a avareza é o imoderado apetite das riquezas e opõe-se à virtude da liberalidade. Ora, a liberalidade não é a raiz de todas as virtudes. Logo, a avareza não é a raiz de todos os vícios.

2. Além disso, o desejo dos meios procede do desejo do fim. Ora, as riquezas, objeto da avareza, só são desejadas como meios úteis, como diz o livro I da Ética. Logo, a avareza não é a raiz de todo pecado, mas procede de outra raiz anterior.

3. Ademais, freqüentemente a avareza, também chamada cupidez, tem sua origem em Leia mais deste post

Terapia das Doenças Espirituais

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Reuni em um único arquivo compactado as palestras do Pe. Paulo Ricardo sobre as doenças espirituais e sua cura. Padre Paulo Ricardo é famoso por suas palestras, nas quais manifesta sua perfeita comunhão com a doutrina da Igreja Católica. É também ardoroso combatente da horrível e emburrecedora “Heresia da Libertação” (em suas próprias palavras), tendo sua palestra denominada “Marxismo Cultural” alcançado ampla divulgação na internet. Quanto às doenças espirituais, os arquivos de áudio (em .mp3) estão assim divididos:

00. Doenças espirituais – Introdução
01. Filaucia
02. Três doenças fundamentais (gula/gastrimargia, vanglória/cenodoxia e avareza/filargia)
03. Gastrimargia
04. Terapia da Gastrimargia
05. Revolução Sexual e Marxismo
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