Tomás responde: Cristo, após a ressurreição, deveria conviver continuamente com os discípulos?

Tintoretto_Noli_me_tangereJacopo Tintoretto, Noli Me Tangere

Parece que Cristo, após a ressurreição, deveria conviver continuamente com os discípulos:

1. Na verdade, ele apareceu aos discípulos após a ressurreição para os confirmar na fé da ressurreição e para levar a consolação aos confundidos, conforme diz o Evangelho de João: “Vendo o Senhor, os discípulos ficaram tomados de intensa alegria”. Ora, teriam maior confirmação na fé e maior consolo se continuamente tivesse se  apresentado diante deles. Logo, parece que deveria ter convivido continuamente com eles.

2. Além disso, ao ressuscitar dos mortos, Cristo não subiu logo aos céus, mas depois de quarenta dias, segundo o livro dos Atos dos Apóstolos. Ora, naquele intervalo de tempo, não poderia ter nenhum outro lugar mais conveniente para estar do que entre seus discípulos reunidos. Logo, parece que deveria ter convivido continuamente com eles.

3. Ademais, lê-se que no próprio domingo da ressurreição Cristo apareceu cinco vezes, como diz Agostinho: primeiro, “às mulheres junto ao sepulcro; depois, no caminho, quando voltavam do sepulcro; terceiro, a Pedro; quarto, aos dois discípulos a caminho de uma aldeia; quanto, a diversas pessoas em Jerusalém, quando Tomé não estava presente”. Portanto, parece que também nos demais dias antes de sua ascensão ele deveria ter aparecido pelo menos algumas vezes.

4. Ademais, o Senhor dissera aos discípulos antes de sua paixão: “Depois de ressuscitado, eu vos precederei na Galiléia”. O mesmo que disseram às mulheres o anjo e o próprio Senhor após a ressurreição. Contudo, foi visto por eles, antes, em Jerusalém, tanto no próprio dia da ressurreição, conforme dito acima, como também no oitavo dia, segundo se lê no Evangelho de João. Portanto, parece que, após a ressurreição, não conviveu com os discípulos como seria conveniente.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, diz João que “oito dias mais tarde” Cristo apareceu aos discípulos. Portanto, não convivia com eles continuamente.

Tomas_RespondoA respeito da ressurreição, duas coisas deviam ser declaradas aos discípulos, ou seja, a realidade mesma da ressurreição e a glória do ressuscitado. Ora, para manifestar a realidade da ressurreição, era suficiente que lhes aparecesse algumas vezes, quando com eles conversou em tom familiar, com eles comeu e bebeu e quando permitiu que eles o tocassem. Mas, para manifestar a glória do ressuscitado, não quis conviver continuamente com os discípulos, como fizera antes, para que não parecesse ter ressuscitado para uma vida igual à que tivera antes. Por isso, lhes diz: “Eis as palavras que eu vos dirigi quando ainda estava convosco”. Ora, nessa ocasião, estava presente entre eles de modo corporal; anteriormente, porém, estivera com eles não apenas com sua presença corporal, mas também na aparência de um mortal. Por isso, diz Beda, ao comentar as supracitadas palavras: “Quando ainda estava convosco, ou seja, quando ainda estava na carne mortal, na qual vós ainda estais. Mas agora ressuscitara com a mesma carne que eles, mas não era mais igualmente mortal”.

Quanto às objeções iniciais, portanto, deve-se dizer que:

1. A frequente aparição de Cristo era suficiente para confirmar os discípulos a respeito da realidade da ressurreição. Já uma contínua convivência poderia Leia mais deste post

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