Tomás responde: As almas separadas conhecem o que se faz aqui no mundo?

Michelangelo Buonarroti, O Último Julgamento (entre 1537 e 1541), Capela Sistina

Parece que as almas separadas conhecem o que se faz aqui no mundo:

1. Com efeito, se as almas separadas não conhecessem o que aqui acontece, não se ocupariam com isso. Ora, elas se ocupam, segundo consta no Evangelho de Lucas: “Tenho cinco irmãos, que se lhes transmitam essas coisas, a fim de que não venham também eles a cair neste lugar de suplícios” (16, 28). Logo, as almas separadas conhecem o que aqui acontece.

2. Além disso, acontece freqüentemente que os mortos aparecem aos vivos, quer no sono quer no estado de vigília, e os advertem a respeito do que aqui acontece. Assim Samuel apareceu a Saul. Ora, isso seria impossível se não conhecessem o que aqui acontece. Logo, conhecem o que aqui acontece.

3. Ademais, as almas separadas conhecem o que acontece entre elas. Se, portanto, não conhecessem o que acontece entre nós, é que a distância local as impediria no conhecimento; ora, isso foi anteriormente negado (artigo precedente).

EM SENTIDO CONTRÁRIO, está dito no livro de Jó: “Que seus filhos estejam na honra ou no rebaixamento, ele não tomará conhecimento de nada” (14, 21).

Por conhecimento natural, do qual agora se trata, as almas dos mortos não sabem o que aqui acontece. E a razão disso pode ser encontrada no que foi dito: a alma separada conhece os singulares ou porque está, de certo modo, determinada em relação a eles, ou por causa de um vestígio deixado por um conhecimento ou uma afeição anterior, ou então por uma disposição divina. Ora, as almas dos mortos, segundo o plano divino, e segundo sua maneira de existir, são separadas da sociedade dos vivos e incorporadas à sociedade das substâncias espirituais que estão separadas do corpo. Por isso ignoram o que acontece entre nós. Gregório dá uma explicação: “Os mortos não sabem como está organizada a vida daqueles que, depois deles, vivem na carne: a vida do espírito é bem diferente da vida da carne. Assim como as coisas corpóreas e as incorpóreas diferem em gênero, também se distinguem pelo conhecimento”. A Agostinho parece exprimir a mesma idéia quando escreve: “As almas dos mortos não estão presentes aos acontecimentos dos vivos”.

Se, porém, se fala das almas dos bem-aventurados, parece que Gregório e Agostinho sustentam opiniões diferentes. Gregório acrescenta: “Não se deve no entanto pensar Leia mais deste post

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