Eva

Albrecht Dürer (1471-1528), Adão e Eva (detalhe), Museu do Prado, Madrid

John Milton, Paraíso Perdido, Canto VIII

Foi grande o golpe e em um instante a cura.
Deus coas mãos a costela vai moldando,
Té que uma criatura dela forma
Mui semelhante a mim, mas de outro sexo.
Pareceu-me tão bela e tão amável,
Que tudo quanto dantes no Universo
Julgara belo agora o crê mediano –
Ou que do Mundo as formosuras todas
Em corpo tão gentil se resumiam,
Principalmente nos benignos olhos
Que desde então mimosos infundiram
Dentro em meu coração tanta doçura,
Qual nunca exp’rimentado havia dantes:
Do porte seu também logo exalaram
O espírito de amor, graças, deleites
Que em toda a Natureza se esparziam.
Nisto ela foge e me deixou em Leia mais deste post

O Artista Divino

Albrecht Dürer, Adoração da Santíssima Trindade, 1511

A doutrina da criação (de Santo Tomás) é cheia de implicações doutrinais e espirituais de todas as espécies que se manifestarão pouco a pouco na continuação destas páginas. A primeira que se oferece à meditação é a de Deus artesão e até artista que imprime em sua obra um vestígio de sua beleza. É um lugar-comum do pensamento medieval, que encontrou sua tradução até na pintura – conhece-se a miniatura da escola de Chartres em que o criador, com o compasso na mão, se põe a fazer uma terra perfeitamente esférica. Não se pode dizer que a arte imita a natureza, uma vez que antes da criação não há nada. Era necessário, portanto, que o criador divino se tomasse a si mesmo por modelo. Sendo reconhecido o princípio geral pelo qual o efeito se assemelha à sua causa e, mais precisamente, a obra a seu autor, se é obrigado a concluir que a criação se assemelha ao criador:

Deus é a causa primeira exemplar de todas as coisas. Para se ter clareza disso é preciso considerar que um exemplar é necessário à produção de uma coisa para que o efeito assuma determinada forma. De fato, o artífice produz determinada forma na matéria por causa do exemplar que tem diante de si, seja ele um exemplar que se vê exteriormente, seja um exemplar concebido interiormente pela mente. Ora, é manifesto que as coisas produzidas pela natureza seguem uma forma determinada. Essa determinação das formas deve ser atribuída como a seu primeiro princípio, à sabedoria divina, que pensou a ordem do universo consistente na disposição diferenciada das coisas. Portanto, é preciso dizer que na sabedoria divina estão as razões de todas as coisas, que acima chamamos de “idéias”, isto é, formas exemplares existentes na mente divina. Embora sejam múltiplas conforme se referem às coisas, não se distinguem da essência divina, uma vez que da semelhança com Deus podem participar diversas coisas de modos variados. Assim, Deus é o primeiro exemplar de tudo. (P1,Q44,A3)

Embora seja aproximativa, a comparação do Artista divino com um artesão desta terra em trabalho de criação é por si mesma altamente evocativa. E mais ainda porque não se pensaria nela numa primeira abordagem, porque é a Trindade que está na origem desta obra de arte que é o mundo, e vimos que cada Pessoa aí participa conforme lhe é próprio segundo a ordem das processões. Se é assim, nova conclusão se impõe: encontrar-se-á necessariamente uma Leia mais deste post

Tomás responde: A criatura corporal foi criada por Deus?

Albrecht Dürer (1471-1528), Adão e Eva, Museu do Prado, Madrid

Parece que a criatura corporal não foi criada por Deus:

1. Com efeito, lê-se no livro do Eclesiastes: “Aprendi que tudo o que Deus fez persevera para sempre” (3, 14). Ora, os corpos visíveis não perseveram para sempre, segundo se diz na segunda Carta aos Coríntios: “O que se vê é temporal, e o que não se vê é eterno” (4, 18). Logo, Deus não criou os corpos visíveis.

2. Além disso, diz o livro do Gênesis: “Deus viu as coisas que criou e que eram muito boas” (1, 31). Ora, as criaturas corporais são más, pois vemos muitas delas nocivas, como as serpentes, o calor do sol, etc. Por isso, uma coisa é dita má porque é nociva. Logo, as criaturas corporais não foram criadas por Deus.

3. Ademais, o que vem de Deus, dele não se afasta, mas leva a ele. Ora, as criaturas corporais afastam de Deus, razão por que escreveu o Apóstolo na segunda Carta aos Coríntios: “Não considerar as coisas que vemos” (4, 18). Logo, as criaturas corporais não foram criadas por Deus.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, diz o Salmo 145: “Aquele que fez o céu e a terra, o mar e tudo o que neles existe” (v. 6).

RESPONDO. Afirmaram alguns heréticos que as coisas visíveis não foram criadas por um Deus bom, mas por um princípio mau. E como argumento de seu erro, citam o Apóstolo na segunda Carta aos Coríntios: “O deus deste século cegou as mentes dos infiéis” (4, 4). Essa afirmação é de todo impossível. Se coisas diversas se unem em uma, é necessário haver uma causa dessa união, pois as coisas diversas por si mesmas não se unem. Por isso, sempre que há união dessas coisas diversas, é necessário que a união venha de uma causa. Por exemplo, muitos corpos quentes recebem o calor do fogo. Ora, o ser é comum a todas as coisas, embora diversas. Daí ser necessário que haja um único princípio do ser, em virtude do qual tudo o que existe de qualquer modo recebe o ser, quer sejam as coisas invisíveis e espirituais, quer sejam as visíveis e corporais. Ademais, se diz que o diabo é Leia mais deste post

Passion in Arts – W.A. Mozart

Belíssimo vídeo com mestres da pintura representando a Paixão e música de Mozart.

Master paintings about Passion : Jesus Christ on His Way of the Cross. In this video there are exposed such a masters like: Hans Memmlink, Gaudio Reni, Giovanni Bellini, Bertram of Minden, Rogier van der Weyden, Peter Paul Rubens, Rembrandt, Giovanni Bellini, Rafael, Albrecht Durer, Ercole de Roberti, Agnolo Bronzino, Botticelli, El Greco, Caravaggio, Van Gogh, Matejko .

Requiem of Wolfgang Amadeus Mozart : Introitus-1 and Lacrimosa.

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