Tomás responde: Existe esperança nos condenados?

Vai-se por mim à cidade dolente,
vai-se por mim à sempiterna dor,
vai-se por mim entre a perdida gente.

Moveu justiça o meu alto feitor,
fez-me a divina potestade, mais
o supremo saber e o primo amor.

Antes de mim não foi criado mais
nada senão eterno, e eterna eu duro.
DEIXAI TODA ESPERANÇA, Ó VÓS QUE ENTRAIS.

(Inferno, Canto III)

Parece que existe a esperança nos condenados:

1. Com efeito, o diabo é condenado e é o chefe dos condenados, conforme se lê no Evangelho de Mateus: “Ide, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o diabo e seus anjos” (25, 41). Ora, o diabo tem esperança, segundo a palavra de Jó: “A esperança dele o frustrará” (40, 28). Logo, parece que os condenados têm esperança.

2. Além disso, a esperança, como a fé, pode ser formada e informe. Ora, a fé informe pode existir nos demônios e nos condenados, segundo a Carta de Tiago: “Os demônios Leia mais deste post

Dante encontra Tomás: dia de festa no Paraíso

Philipp Veit, O Céu do Sol, com Dante e Beatriz, Tomás de Aquino, Alberto Magno, Pedro Lombardo e outros, 1817-1827, Casa Massimo, Roma (clique para ampliar)

“Um anho fui da santa grei que chama
De Domingos a voz pelo caminho,
Onde prospera só quem mal não trama.

“Tomás de Aquino sou; me está vizinho,
À destra de Colônia o grande Alberto
A quem de aluno e irmão devo o carinho.

[O primeiro espírito à direita é o de Alberto Magno, de Colônia, que foi o primeiro mestre de Santo Tomás de Aquino]

“Se dos mais todos ser desejas certo,
Na santa c’roa atenta cuidadoso,
A tua vista a voz siga-me perto.

“Nesse esplendor sorri-se jubiloso
Graciano que num e noutro foro
Di’no se fez de ser no céu ditoso.

[Francisco Graciano, monge italiano do século XII, que estudou a relação entre as duas leis, a civil e a canônica]

“Aquele outro ornamento deste coro Leia mais deste post

Dante e a Divina Comédia

Dante, de Domenico di Michelino (1417-1491), igreja de Santa Maria del Fiore, Florença (clique para ampliar)

Depois de ler, baixe A Divina Comédia na página de download.

Por Otto Maria Carpeaux

Epopéias são leitura difícil. O gênero morreu há muito, deixando inúmeras falhas e uns poucos monumentos grandiosos que representam épocas passadas da humanidade; por isso, é indispensável conhecer Homero e Virgílio, Ariosto e Spencer, Camões, Tasso e Milton. Mas é mais fácil admirá-los do que gostar deles. Se desaparecessem todas as imposições da escola e da convenção de uma “cultura geral”, teríamos de confessar que as grandes epopéias são hoje pouco legíveis. É preciso estudá-las; teremos de admirar inúmeros pormenores geniais e o plano grandioso; mas é impossível lê-las assim como se lê uma obra de literatura viva. Dante é a única exceção.

É possível ler a Divina Comédia assim como se fosse uma obra de hoje, apesar das mil dificuldades criadas pelas alusões eruditas e políticas. É uma obra viva, capaz de despertar paixão e entusiasmo; porque não é uma epopéia. Entre as grandes obras da literatura universal às quais a convenção chama “epopéia”, a Divina Comédia é a única que não tem Leia mais deste post

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