Torneio de combate medieval

Combate Medieval, anúncio, agosto 2015, Argentina

Foi-se o tempo em que a máxima desqualificação de algo consistia em dizer que era “medieval”. Essa visualização mudou 180º.

Por isso, escritores e ativistas que ficaram esclerosados no antigo padrão protagonizam engraçados episódios.

Foi o que aconteceu com a jovem jornalista argentina Diana Fernández Irusta, de “La Nación”, galardoada com o Prêmio Internacional de Jornalismo Rei da Espanha.

Certo dia a jornalista, que estava tratando do joelho e andava com dificuldade, foi gentilmente auxiliada por uma nova vizinha do prédio em que mora. É Cecília, uma jovem professora de música e cantora, mãe de três filhos, que lhe deu apoio durante o tratamento. Diana ficou com uma alta imagem de Cecília.

Combate Medieval2Um dia o filho pequeno de Diana, que é fascinado por castelos e heróis, tanto insistiu em ir ver uma das feiras medievais que estão acontecendo em Buenos Aires, que a mãe decidiu levá-lo, imaginando encontrar uma encenação para crianças.

Sua surpresa foi total: nada de festinha, mas um evento que se destacava pelo nível cultural.

E enquanto ela girava pelas ruas da cidade medieval erigida para a ocasião, foi dar com Cecília, sua amável vizinha, ataviada com um belo vestido palaciano e ensinando às moças passos de uma dança medieval.

Cecilia lhe contou todos os livros que tinha lido. Ela sabia bem o que estava fazendo. Diana custou a acreditar, mas ainda não tinha se dado conta de tudo.

Os alto-falantes anunciaram o momento da batalha. Diana estava convencida de que assistiria a uma coreografia com espadas e escudos de plástico e levou seu filho.

Combate Medieval3Ela encontrou formidáveis cavaleiros medievais com armaduras de aço que poderiam figurar num museu. Armas e golpes eram reais e tremendos. Visavam derrubar o adversário. Todos eles tinham modernos acolchoados não visíveis sob a armadura, e as pancadas e o combate eram para valer.

 Seu filho soltava as maiores exclamações e ensinava para a mãe a tecnologia e a arte dos golpes e a estratégia de combate.

Diana não entendia mais nada. Voltou a encontrar a simpática Cecilia, que logo percebeu seu desconcerto.

Diana arguiu, sem saber bem o que dizer: “Mas eles não ficam pelo menos com algum galo”? Sorridente e tranquila, Cecília respondeu: “Mas se praticassem futebol ou rúgbi poderiam também se fraturar, não é?”

Nessa hora, Diana já pensava que estava diante de uma heroína medieval em pleno século XXI.

E Cecília não fazia isso por fantasia. Ela lhe explicou tudo o que tinha lido e estudado, descreveu como seu coração se encheu de luz pelos relatos medievais, seu entusiasmo pela segurança dos conventos e o esplendor dos combates.

E não é só Cecília. Há associações culturais diversas que cultuam aquele passado povoado de santos, cavaleiros e damas, castelos e catedrais, sua música, pintura, culinária, arte e religião.

Cecilia lhe explicou o significado da história, da tradição: “Nós não somos só presente”. A grande coisa que a entusiasmava é a ideia da origem do homem: “Isso me leva até Deus, até a Criação, ao primeiro passo da humanidade”.

Ela parecia emergir da bruma medieval, ante os olhos da “antiquada modernidade” de Diana.

Combate Medievel4A entusiasta Cecília não teve dinheiro para viajar e ver os magníficos castelos que a jornalista Diana, sim, pôde visitar.

Mas isso não lhe importava: a Idade Média já existia em sua alma e, mais dia menos dia, ela iria viajar e conhecer seus magníficos restos materiais. Com alegria de criança, ela contava que acabava de tirar seu passaporte.

Diana voltou para sua casa se perguntando se não tinha perdido o bonde da história. E descreveu sua nova e perplexitante descoberta em sua coluna jornalística.

Mais de 30 mil pessoas assistiram ao Torneio Internacional de Combate Medieval, agosto 2015, em San Isidro, Grande Buenos Aires, onde o Brasil foi representado por uma seleção de combatentes.
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