Filosofia Concreta, de Mário Ferreira dos Santos – TESE 11

Tese_11

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Prova-se de vários modos: Não se conclui por aceitar que, se alguma coisa há, consequentemente, alguma coisa existe.

Existir não é propriamente incluso no haver, pois entende-se por existir a realidade exercitada in re, o ser real, ser em si, o ser no pleno exercício do ser.

Ora, se alguma coisa há, o nada absoluto não há. Se alguma coisa que há não existe, não seria exercitada em si, mas em outro. E esse outro, não podendo ser o nada absoluto, é algum ser que existe, algum ser que está no pleno exercício de ser. E se não for esse, será outro. De qualquer forma, alguma coisa existe para ser o portador do que não existe ainda.

Porque alguma coisa há, e o nada absoluto não há, alguma coisa existe. A existência de alguma coisa decorre, não porque “alguma coisa há”, mas porque o nada absoluto não há.

Portanto, “alguma coisa há” e “alguma coisa existe”.

Ademais, a razão ontológica do existir implica algo que é, uma existência que se dá ex [do latim], fora, como já o mostramos em Ontologia e Cosmologia.

A sistência* existe quando se dá fora de suas causas. Ora, o existir não pode vir do nada absoluto, porque este já está total e absolutamente negado por “alguma coisa há”. A existência de alguma coisa é o exercício do ser dessa coisa, que é um sistência ex, que se dá fora de sua causa. Se alguma coisa existe, nada se daria fora de sua causa. Nenhuma sistência se daria ex. Como o nada absoluto não é qualquer coisa, alguma coisa existe, pois, do contrário, haveria uma sistência que não se daria ex, dando-se, portanto, em outro, o qual existiria. Alguma sistência, que há, tem de existir, porque, não sendo causada pelo nada absoluto, dá-se ex, no pleno exercício de ser, pois, do contrário, se daria apoiada em o nada absoluto, o que é absurdo. Portanto, alguma coisa há que existe, alguma coisa se dá o pleno exercício de ser, alguma sistência se dá ex.

Pode-se ainda demonstrar:

“Alguma coisa há” é evidente de per si, já o demonstramos. O que há, é; é ser. De qualquer modo é ser.

Portanto, alguma coisa há, que é.

“Alguma coisa há” não se opõe a “alguma coisa é”.

“Alguma coisa existe” não conduz a nenhuma contradição com “alguma coisa há”. Se alguma coisa existe, ela é e ela há. Resta saber se alguma coisa há, é e existe simultaneamente.

Existir é estar no pleno exercício do seu ser. O alguma coisa há, se não existe, não está no pleno exercício do ser; portanto, não tendo um ser no seu pleno exercício, está no exercício do ser de outro.

Este não pode ser o nada absoluto, mas sim um ser que existe. Logo, alguma coisa há, que é, e que existe simultaneamente.

Concluímos apoditicamente que algo existe, e, como existir implica ser, chamaremos daqui em diante, se ser, alguma coisa que é, e existe.

* Neologismo: “sistência” é a forma de “sistere”, “viver em si”, em uma perspectiva ontológica do esse, o ser.

 .

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One Response to Filosofia Concreta, de Mário Ferreira dos Santos – TESE 11

  1. 12augusto says:

    O meu se ser jogou a toalha…

    ps: ainda assim, gostei de “Existir é estar no pleno exercício do seu ser. O alguma coisa há, se não existe, não está no pleno exercício do ser; portanto, não tendo um ser no seu pleno exercício, está no exercício do ser de outro.”

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