Tomás e o dia do elefante

dia_do_elefante

Abaixo reproduzo interessante artigo da VEJA seguido de artigo da Suma Teológica sobre a relação dos homens com os animais.

DIA DO ELEFANTE

Vai ficando cada vez mais esquisita, hoje em dia, a agenda de trabalho dos chefes de governo nos países top de linha do planeta. Todos eles já têm de penar, e muito, com as dificuldades causadas por este intratável criador de casos que é o ser humano. Cada vez mais, agora, descobrem que também precisam levar a sério os animais — e põe sério nisso.

Neste preciso momento, por exemplo, a França se vê metida numa questão enjoadíssima por causa de dois elefantes. Os bichos, Baby e Nepal, são inquilinos do zoológico da Tête d’Or, que funciona desde 1858 num bairro do centro de Lyon — cidade com 1,5 milhão de habitantes na sua área metropolitana, e o segundo maior polo econômico nacional depois de Paris.

Tristemente, ambos estão morrendo de tuberculose, e os técnicos do zoo, após tentarem tudo o que a moderna ciência veterinária aconselha, decidiram sacrificar os dois, que já passaram a avançada idade de 42 anos. Marcaram até a data — outubro de 2012. Santa ingenuidade.

Caiu sobre eles, imediatamente, um vendaval de indignação. Já dá para adivinhar, é claro, quem provocou o tumulto: ela mesma, a ex-atriz Brigitte Bardot, sucesso mundial no cinema de meio século atrás e que hoje, aos 78 anos de idade, ainda tem crachá de celebridade como a mais radical porta-voz dos “direitos animais” na França.

De um jato só, Brigitte exigiu a anulação da sentença do zoo, acusou o governo de “covardia e falta de vergonha” e ameaçou renunciar à cidadania francesa numa carta ao presidente François Hollande — a menos que ele tomasse providências imediatas para cancelar o sacrifício de Baby e Nepal. (Disse que iria pedir a cidadania da Rússia; parece ter virado moda na França, desde que o ator Gérard Depardieu se naturalizou russo em protesto contra os impostos que paga.)

Parece um exagero: abandonar a própria nacionalidade por causa de dois elefantes? Mas o fato é que madame Bardot venceu. O presidente Hollande vacilou, cedeu e a execução foi suspensa: num primeiro momento, ficou para “depois do Natal” e, no começo de janeiro, foi adiada em mais setenta dias. É onde estamos no momento. 

Os diretores do zoo argumentaram, pacientemente, que Baby e Nepal são um perigo. Podem transmitir a tuberculose para os humanos que vivem no centro de Lyon — e, como esse risco parece não incomodar a comunidade pró-animal, os técnicos tomaram o cuidado de insistir que a doença é uma ameaça também para os outros bichos do zoológico. Não adiantou nada.

Ninguém viu nenhum problema, igualmente, no fato de que, num país que já foi governado pelo bom rei São Luís, por Napoleão Bonaparte e pelo general Charles de Gaulle, o presidente da República tenha de interromper o que está fazendo para ocupar-se com dois elefantes tuberculosos.

Mas assim é a vida de hoje. No começo, dá vontade de rir. Logo depois se percebe que a coisa é menos engraçada do que parece; começa desse jeito, apenas como uma tolice, mas vai se complicando e acaba em culto ao absurdo. Ainda recentemente, por exemplo, o jornalista Sérgio Dávila chamou atenção, num divertido artigo na Folha de S.Paulo, para um fato prodigioso: o Senado dos Estados Unidos da América debate com toda a seriedade, no momento, projeto de lei proibindo o poder público de ser proprietário de chimpanzés para testes científicos.

Dos 500 que tinha, por sinal, mais de 100 já receberam alvará de soltura e foram entregues a um parque natural.

E as pesquisas para a cura de doenças, como é que ficam? Não se sabe. O certo é que há propostas cada vez mais ambiciosas pela frente. Já se fala no fim, puro e simples, do direito de propriedade sobre animais nos Estados Unidos; argumenta-se que seria um complemento lógico para a abolição da escravatura.

Fazendas que criam animais de corte teriam de ser eliminadas e laboratórios farmacêuticos proibidos de manter animais “em cativeiro” para pesquisar novos remédios. Um professor da Universidade Princeton, templo do saber mundial, sustenta que vegetarianos são moralmente superiores às pessoas que comem carne. Que tal?

O homem mais poderoso do mundo é o presidente Barack Obama; segundo consta, tem sempre ao alcance da mão, até quando vai ao banheiro, uma mala preta com um botão que ele pode apertar para destruir o mundo inteiro, de Moscou a Taquaritinga, com uma salva de bombas nucleares. Mas no mano a mano com os chimpanzés Obama vale zero. Faz sentido? É melhor não falar muito. Se lhe perguntarem, diga apenas: “Sou a favor da sustentabilidade”. Deve ser o bastante para resolver — por enquanto.

Artigo de J. R. Guzzo,  Revista Veja  edição 2309

AGORA O QUE DIZ TOMÁS NA QUESTÃO 96, ARTIGO 1, DA PRIMEIRA PARTE DA SUMA TEOLÓGICA:

Tomas_RespondoComo dito acima, o fato de desobedecerem ao homem os que lhe devem ser submissos resultou para ele em pena por ter desobedecido a Deus. Razão por que no estado de inocência, antes da desobediência mencionada, nada daquilo que por natureza lhe devia ser submetido se lhe opunha. Todos os animais, pois, são submissos ao homem. Isso fica claro por três razões.

Primeiro, é a ordem da natureza. Como na gênese das coisas se percebe uma ordem segundo a qual se passa do imperfeito ao perfeito (pois é para a forma, e a forma mais imperfeita para a que é mais perfeita), assim também no uso das coisas da natureza, pois os seres mais imperfeitos são postos à disposição dos mais perfeitos; as plantas, com efeito, se servem da terra para seu alimento, os animais das plantas e os homens das plantas e dos animais. Assim o homem exerce naturalmente o domínio sobre os animais. Em razão disso afirma o Filósofo no livro I da Política, que “a caça dos animais das florestas é justa e natural”, porque por ela o homem reivindica o que lhe pertence por natureza.

Segundo, é a ordem da divina providência, que governa sempre os inferiores pelos superiores. Por isso como o homem está acima dos outros animais, pois foi feito à imagem de Deus, convenientemente estão eles submetidos a seu governo.

Terceiro, são as propriedades do homem e dos outros animais. Nos outros animais encontra-se, segundo uma avaliação natural, uma participação relativa a alguns atos particulares, enquanto no homem encontramos uma prudência universal, que é a razão de todas as atividades. Ora, tudo o que é por participação é submetido àquilo que é por essência e de maneira universal. Assim é claro que a sujeição dos outros animais ao homem é natural.

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3 Responses to Tomás e o dia do elefante

  1. Me lembrei de uma critica que fiz ao Projeto do Código Penal em um de meus blogs. Em tal post, citei um texto de uma igreja anglicana em que um sacerdote se revolta pelo fato de o tráfico de fetos de animais silvestres e a morte de filhotes pode lhe render uma cana braba, mas a matança de fetos humanos ainda na barriga é contemplada como assunto de saúde pública, e ainda louvada por uma boa parte de psicopatas gayzistas e feministas…

    É, querem fazer o homem pensar que é pior que mula empacada. Logo, veremos jumentos xingando uns aos outros assim: “Anda, seu humano, vamos trabalhar!”

  2. David says:

    Brigadu

  3. 12augusto says:

    ficou bom o “paralelo”

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