Filosofia Concreta, de Mário Ferreira dos Santos – TESE 8

Alguma_coisa_ha

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TESE 8: O que há – é; é ser. O que não há é não-ser.

 

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Do que há, diz-se que tem ser e é ser. O conteúdo da palavra ser não é definível, porque, para dizer o que é ser, precisamos de certo modo desse conceito. Mas tudo quanto há é. Ser, diz Suarez, é a “aptidão para existir”. Ser é alguma coisa, e não um mero nada (uma ausência total e absoluta). Só o ser pode, porque só ele tem aptidão para existir, porque o nada absoluto, por impossível e impotente, não tem aptidão para coisa alguma, pois não-é.

Não-ser é o que não há. O nada absoluto é absoluto não-ser.

Se alguma coisa, esta ou aquela, não há, não afirma um nada absoluto, mas apenas que esta ou aquela coisa não há. Ou seja: um nada relativo.

O nada absoluto é um não-ser absoluto.

O nada relativo é um não-ser relativo.

Postulado o primeiro, negar-se-ia, total e absolutamente, que alguma coisa há.

Postulado o segundo (o não-ser relativo), não se negaria, total e absolutamente, que alguma coisa há, mas apenas que esta ou aquela alguma coisa não há.

Mas, aceito que alguma coisa há, não negamos total e categoricamente que alguma coisa não há, “alguma coisa há” e “alguma coisa não há” são dois juízos particulares, subcontrários, e a verdade de um não implica necessariamente a falsidade do outro. Ambos podem ser verdadeiros, como realmente são.

O nada absoluto é impossível, não-pode, pois, para poder, é-lhe necessário ser alguma coisa. Para que algo possa alguma coisa, é preciso ser alguma coisa. O que há, acontece, não o chamamos nada, mas alguma coisa, ser. Portanto, o que não há, não é; e só o que é, há.

Não sabemos ainda em que consiste esse ser, mas sabemos que é.

Com o termo existir entende-se o alguma coisa que é efetivamente no pleno exercício de seu ser, pois o que pode vir-a-ser, ainda é de certo modo, do contrário seria o nada absoluto, o que é impossível.

Se alguma coisa pode vir a acontecer, essa coisa que ainda não se deu, é possível. Se possível, não poderia vir do nada absoluto, porque este já está afastado, mas de alguma coisa que é, porque o nada, sendo impossível e impotente, não poderia produzir alguma coisa.

Portanto, a existência de alguma coisa depende de alguma coisa que é. E alguma coisa que é, deve ser existente, deve estar no pleno exercício de seu ser, para que torne existente o que era apenas possível.

Portanto, podemos alcançar com toda certeza a esta conclusão final: Alguma coisa há, que é, que não existe.

Que alguma coisa há, nenhuma dúvida mais resta, como também que alguma coisa é. Que alguma coisa existe, que está no pleno exercício do seu ser, que não é apenas uma possibilidade, também não pode haver dúvida, se examinarmos bem os seguintes argumentos:

Se não existisse alguma coisa no pleno exercício do seu ser, teríamos apenas um ser possível, isto é, o que ainda é nada relativo, e se tornará, ou não, em algo no pleno exercício do seu ser.

O que é ainda uma possibilidade é um ser em outro, porque o que pode é, e, para poder, tem de estar no pleno exercício do seu ser, pois como poderia fazer alguma coisa se não tem poder?

Portanto, alguma coisa existe, pois, se não existisse, seria a possibilidade de alguma coisa que existe, do contrário seria a possibilidade do nada absoluto, o que é impossível.

Esta tese será demonstrada por outra via mais adiante.

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