Doutrina Católica: O pecado original (VII)

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Concílio Vaticano II

Constituição Gaudium et spes (sess. IX – 7.12.1965)

Ainda que não trate expressamente do tema do pecado original, recorda, no entanto, a Constituição Gaudium et spes o conteúdo do dogma, para iluminar pastoralmente a situação do homem no mundo: tanto as lutas interiores com que se vê dividido no seu próprio ser, como as do homem na sociedade. Em Jesus Cristo ele pode encontrar a força para vencer a escravidão do pecado, que o impede de se realizar em plenitude. Poderá assim ordenar sua atividade humana, de modo a servir a Deus e à humanidade.                                                                                   .

 

Parte I

CAP. I. A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

Do pecado

13. Constituído por Deus em estado de justiça, o homem, no entanto, por instigação do maligno, desde o início da história abusou da própria liberdade, levantando-se contra Deus e desejando atingir seu fim fora Dele. Apesar de terem os homens conhecido a Deus, não O glorificaram como Deus; antes, obscureceu-se-lhes o insensato coração e serviram à criatura ao invés de servirem ao Criador (cf. Rm 1, 21-25). Isto, que nos veio ao conhecimento pela Revelação divina, concorda com a própria experiência. Pois o homem, observando seu coração, descobre-se também inclinado para o mal e imerso em tantas misérias, que não podem provir de seu Criador, que é bom. Recusando-se, muitas vezes, a reconhecer a Deus como sua origem, rompeu o homem a devida ordem com relação ao Fim Último e, ao mesmo tempo, [destruiu] toda a harmonia consigo mesmo, com os outros homens e com todas as coisas criadas.

Por isso, está o homem dividido em si mesmo. Por esta razão, toda a vida humana, individual e coletiva, apresenta-se como uma luta dramática entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas. Mais ainda: o homem se encontra incapaz de superar, por si mesmo, eficazmente os ataques do mal; e assim cada um se sente como que acorrentado. Mas o próprio Senhor veio para libertar e confortar o homem, renovando-o interiormente e expulsando o “príncipe deste mundo” (Jo 12, 31), que o retinha na escravidão do pecado (cf. Jo 8, 34). O pecado, porém, diminuiu o próprio homem, impedindo-o de alcançar a plenitude.

À luz desta Revelação, encontram sua razão última tanto a sublime vocação como a profunda miséria que os homens experimentam.                                                   .

CAP. III. A ATIVIDADE HUMANA NO UNIVERSO

            Da atividade humana corrompida pelo pecado

37. A Sagrada Escritura, comprovada pela experiência secular, ensina à família humana que o progresso, um grande bem para o homem, traz também consigo grande tentação: com efeito, perturbada a hierarquia dos valores e confundindo-se [permixto] o bem com o mal, indivíduos e grupos só têm em vista os próprios interesses e não os dos outros. Por isso, o mundo deixa de ser lugar de verdadeira fraternidade, quando o crescente poder da humanidade ameaça destruir o próprio gênero humano.

Uma luta árdua contra o poder das trevas atravessa toda a história da humanidade, luta que, começada desde a origem do mundo, durará até o último dia, como diz o Senhor (cf. Mt 13, 24-30.36-43; 24-13).

Engajado nesta batalha, deve o homem lutar continuamente por aderir ao bem; e não consegue alcançar a unidade interior [in seipso] senão à custa de grandes esforços e com o auxílio da graça de Deus.

Por isso, a Igreja de Cristo, confiando nos desígnios do Criador, enquanto reconhece que o progresso humano pode contribuir para a verdadeira felicidade dos homens, não pode, contudo, deixar de fazer ouvir a palavra do Apóstolo: “Não vos conformeis com este mundo” [Nolite conformari huic saeculo] (Rm 12, 2), isto é, com aquele espírito de vaidade e malícia que transforma em instrumento de pecado a atividade humana, [de si] ordenada ao serviço de Deus e dos homens.

Se alguém, portanto, perguntar como se pode vencer essa miséria, confessam os cristãos que todo o empenho [navitates] humano, diariamente desviado pela soberba e pelo amor desordenado de si mesmo [inordinatum sui ipsius amorem], deve ser purificado pela Cruz e pela Ressurreição de Cristo e ordenado à perfeição. Redimido por Cristo e tornado criatura nova no Espírito Santo, pode e deve o homem amar as próprias coisas criadas por Deus. Pois ele as recebe de Deus e as olha e reverencia como que saindo de Suas mãos. Agradecendo por elas ao Benfeitor, usando-as e delas fruindo em pobreza e com liberdade de espírito, entra [o homem] assim na verdadeira posse do mundo, como quem nada tendo e tudo possuindo (cf. 2 Cor 6, 10): “Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (1 Cor 3, 22-23).

[CONTINUA]

Fonte: Justo Collantes, A Fé Católica – Documentos do Magistério da Igreja

Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, Teologia, Igreja

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