Perseguição hoje: Paquistão – censura, rapto e estupro

Extremistas paquistaneses querem proibir a Bíblia
Continuam os ataques contra os cristãos, especialmente no Punjab

Por Paul de Maeyer

ROMA, domingo, 12 de junho de 2011 (ZENIT.org) – Abdul Rauf Faruqi, chefe do partido islamista radical JUI-S (Jamiat-Ulema-e-Islam, Sami-ul-Haq Group, uma cisão do JUI original), anunciou a apresentação de um recurso ao Tribunal Supremo do Paquistão pedindo a proibição da bíblia no país. A novidade foi divulgada em entrevista coletiva na mesquita Mazhid-e-Khizra, em Lahore, capital da tensa província do Punjab, em 31 de maio, conforme informações do diário paquistanês The News.

Para o líder do grupo fundamentalista, que é próximo dos movimentos jihadistas entre os quais se inclui o talibã, o livro sagrado do cristianismo deve ser considerado “blasfemo”, porque é contaminado de passagens ou “acréscimos” altamente ofensivos para os muçulmanos. Segundo Faruqi, os “acréscimos” em questão atribuem comportamentos imorais a vários profetas considerados santos pelo islã e constituem uma “corrupção” da versão original da bíblia.

O clérigo radical afirma que seus colegas ulemás (doutores muçulmanos) querem vingar a profanação do alcorão pelo pastor protestante norte-americano Terry Jones, mas sem queimar a bíblia. Depois de um breve “processo” e com ajuda de outro pastor, Jones queimou publicamente na Flórida, em 20 de março, um exemplar do alcorão, provocando uma onda de violentos protestos anticristãos no Paquistão.

“Mas sabemos o que diz a bíblia sobre os profetas do Antigo Testamento?”, indaga Faruqi, segundo o Pakistan Christian Post (3 de junho). “O que devemos fazer se os relatos da bíblia são levados ao tribunal e considerados blasfemos? Devemos queimar a bíblia e matar todos os cristãos que a leram?”.

The News pediu a opinião do mufti Mohammad Khan Qadri, chefe da organização Tahafuz Namus-e-Risalat Mahaz (TNRM, cabeça da aliança de vários grupos religiosos). Segundo o expoente muçulmano, não há dúvidas de que a bíblia sofreu muitos cortes, mas um enfrentamento aberto com o cristianismo não está nos interesses do islã, especialmente neste momento crucial.

As declarações do líder radical agitaram a comunidade cristã do país. Em entrevista à organização católica Ajuda à Igreja Necessitada (ACS), o bispo de Lahore, Dom Sebastian Shaw, falou das preocupações dos fiéis, ainda afetados pelos violentos protestos contra a queima do alcorão por Terry Jones. “As pessoas ficaram muito afetadas. Nós, cristãos, estamos no Paquistão e temos o direito de ter a nossa bíblia. É um texto divino muito antigo”.
Dom Shaw pediu calma aos fiéis para não caírem na provocação dos extremistas. “Oração e paciência. Nós temos a resposta, e a controvérsia se aplacará”, disse à comunidade.

Para o presidente da Comissão Justiça e Paz de Karachi, padre Saleh Diego, “a nossa resposta é afirmar a urgência do diálogo e do respeito a todos os símbolos religiosos e aos livros religiosos de todas as religiões”. “É um movimento que poderia alimentar o ódio religioso contra os cristãos. É uma ameaça à convivência pacífica, um ataque ao coração da nossa fé”, declarou à agência Fides (3 de junho), não escondendo certos temores. “Esses grupos radicais querem nos eliminar totalmente”.

Um novo informe, que confirma esta preocupação, foi publicado pelo Jinnah Institute, presidido por Sherry Rehman, a deputada muçulmana do Paquistan People’s Party (PPP, no poder), considerada “digna de ser assassinada”  pelo imã de uma das maiores mesquitas de Karachi por ter proposto, depois do caso de Asia Bibi, uma reforma da lei contra a blasfêmia. O estudo, A Question of Faith (Uma questão de fé), se baseia em entrevistas com mais de cem expoentes da sociedade civil, das organizações não governamentais e das minorias, e sugere que os cristãos já são “as primeiras vítimas das perseguições” e da “crescente violência” no país (Fides, 6 de junho).

O estudo apresenta ao governo um pacote de 23 recomendações, entre as quais a revisão ou mesmo a abolição da lei da blasfêmia, e a criação de um defensor cívico das minorias. “A condição dos cristãos piorou notavelmente” no Paquistão, afirma o estudo: eles se sentem “cidadãos de segunda classe” e “são discriminados em todos os setores da vida pública”.
O documento foi recebido com satisfação pela comunidade cristã. “Estamos totalmente de acordo e felizes de que um instituto desse nível e prestígio, expressão da intelectualidade muçulmana do país, aborde esses temas e fale da perseguição contra os cristãos”, afirmou a Fides o diretor das Obras Pontifícias Missionárias no Paquistão, padre Mario Rodrigues. “Não acho que o governo queira encarar seriamente o status das minorias religiosas”, continuou o sacerdote, “mas este informe pode fazê-lo se mexer de alguma forma, algo novo na opinião pública e na sociedade civil do Paquistão”.

Os ataques contra alvos cristãos e as agressões contra membros da minoria se tornaram rotina no país. Segundo o Compass Direct News (1º de junho), muçulmanos armados atacaram em 29 de maio, no povoado de Lakhoki Kahna, arredores de Lahore, a Numseoul Presbyterian Church, insultando os fiéis, destruindo um altar de vidro e profanando vários exemplares da bíblia e uma cruz.

Uma categoria concreta de cristãos acabou no ponto de mira dos muçulmanos: as mulheres. São muitíssimas as meninas cristãs pertencentes à comunidade cristã raptadas, violadas e obrigadas a se converter ao Islã e se casar com um muçulmano. Segundo conta Fides (27 de maio), no dia 24 de maio duas irmãs cristãs – Rebecca e Saima Masih – foram detidas na rua e raptadas no distrito de Jhung, próximo de Faisalabad. Depois de uma “conversão” ao Islã, uma das duas irmãs, Saima, foi entregue como esposa a um rico empresário muçulmano, Muhammad Waseem, o mesmo homem que no passado tinha declarado que queria se casar com as duas irmãs. Outro dramático caso de violência é o das duas enfermeiras do Fatima Memorial Hospital de Lahore, Nusrat Bibi e Muneeran Bibi. As duas foram acusadas injustamente de roubo e depois sequestradas e molestadas por quase 12 horas por um funcionário muçulmano em um quarto do hospital (Fides, 20 de maio).

O recente assassinato no Paquistão do fundador e ideólogo da Al Qaeda, Osama Bin Laden, agravou a situação. Segundo o padre Bonnie Mendes, da seção Ásia da Cáritas Internacional, “o Paquistão está nas mãos dos talebãs. Eles são cada vez mais fortes, inclusive depois da morte de Bin Laden”. “E desfrutam da aprovação de muitos segmentos da população: o cidadão comum está enfadado com o governo, com os EUA e com a OTAN, e isso favorece as ações dos grupos talebãs”.

Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, Igreja

 

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2 Responses to Perseguição hoje: Paquistão – censura, rapto e estupro

  1. A Igreja Católica busca sem cessar a verdadeira interpretação da Sagrada Escritura sem perder o significado e, sempre buscando algo mais profundo do que a simples tradução ao pé da letra que sabemos que não trás a profundidade do significado, o verdadeiro sentimento da palavra proferida na lingua original, portanto em relação ao relato da proibição da Bíblia pela desculpa de uma má interpretação ou de mudança de siginificado na escrita é puramente superficial ao verdadeiro significado que está por trás de tudo isto.
    A História da Igreja primitivia se atualiza nesse país e em tantos outros, pois a Igreja Católica nasceu e sempre cresceu na perseguição, na calúnia, na difamação, em meio a tantas injustiças. Para nós, cristãos, não há nada de novo em ser perseguido, caluniado, difamado e até mesmo morto por expor a nossa fé. Já vivemos o martírio branco por ser cristão e nadar contra as ideologias deste mundo, mas o martírio vermelho faz parte da história de nossa Igreja.
    Rezemos para que não nos preocupemos com aquele que mata o corpo, mas com aquele que mata a alma, o pecado!

    Deus nos de força de vivermos santamente em meio as perseguições!

    Fraternalmente,

    José Eduardo A. Caetano
    Comunidade Vida Nova

  2. Fernão Marques-Gomes says:

    Pelo que sei acerca do Islão, é natural que o Supremo Tribunal do Paquistão emita um acórdão proibindo A Biblia no Pais.
    Segundo o Islão, o Alcorão foi revelado pelo Arcanjo Gabriel a Maomé, e segundo as palavras com que foi revelado assim está escrito, donde ninguém duvida da veracidade e autenticidade do Texto como coisa Sagrada de origem Divina.
    A Bíblia como se sabe é um conjunto de livros, a maioria esmagadora escritos segundo a tradição oral, cujos autors o fizeram por inspiração Divina. Ao longo dos séculos, as diversas línguas dos originais dos livros da Bíblia foram objecto de várias traduções sofrendo contudo alterações ao jeito da forma de expressar dos respectivos idiomas. Assim, em relação aos originais, sem que cause motivo de escandalo para ninguém, grosso modo, podemos inferir que a Biblia é uma obra adaptada, enquanto o Alcorão só é válido para interpretação se for feito a partir do Árabe, isto é, da versão original e nunca a partir de traduções do mesmo, por mais fiéis que possam ser.
    Apenas este exemplo:
    No Pai Nosso – oração que Jesus, Verbo de Deus, Segunda Pessoa da Trindade Santíssima, nos ensinou, a dado passo o texto em latim diz: «ET DIMÍTTE NOBIS DÉBITA NOSTRA, SICUT ET NOS DEMITTIMUS DEBITORIBUS NOSTRIS» traduzido para o espanhol como «y perdónanos nuestras deudas así como nosotros perdonamos a nuestros deudores», deudas/deudores = dívidas/devedores em português, no entanto a versão do Pai Nosso em Português refere «ofensas/ofendidos». Ora dívidas são dívidas e ofensas não são dívidas e devedores não é o mesmo que ofendidos..
    Esta liberdade de tradução na cabeça de uim árabe e muçulmano é impensável e portanto inadmissível. Se o Juiz do Supremo Tribual do Paquistão decidir proibir a Bíblia por falta de autenticidade em relação aos textos originais e uso indevido de liberdade na tradução da mesma, creio não ser motivo de admiração para ninguém que conheça a realidade e o pensar islâmico.
    Já agora e por curiosidade para quem nunca tenha lido o Alcorão, nele vêm referidos factos referentes a Jesus, que a Bíblia nem fala. Mais. O Alcorão tem um capítulo intitulado Al Myriam – MARIA referente à Virgem Maria Nossa Senhora, e outro capitulo intitulado Al Meida (A MESA), Mesa da Última Ceia de Jesus com os Apóstolos, onde narra que a comida veio do céu trazida pelos Anjos, assim o pão e o vinho consagrados por Jesus vieram do Céu!

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