Fragmentos: Cristo – sacerdote, profeta e rei

Na antiga aliança dava-se a unção aos sacerdotes e aos reis, como foi o caso de Davi (1 Sm 16) e de Salomão (1 Rs 1). E os profetas também recebiam a unção, como foi o caso de Eliseu, que foi ungido por Elias (1 Rs 19). Essas três [unções] convém a Cristo, que foi rei: “Reinará sobre a casa de Jacó para sempre” (Lc 1, 33). Foi também sacerdote e se ofereceu a Deus em sacrifício (Ef 5, 2). Foi igualmente profeta e proclamou a via da salvação: “O Senhor suscitará um profeta entre os filhos de Israel (Dt 18, 15). Como foi ungido? Não por um óleo visível, porque seu “reino não é deste mundo” (Jo 18, 36). E como não realizou um sacerdócio material não foi ungido com um óleo material mas com o óleo do Espírito Santo… .

In Sl. 44,5

Os outros homens possuem certas graças particulares, mas Cristo, como cabeça de todos os homens, possui em perfeição todas as graças. Por isso, no que diz respeito aos outros homens, um é legislador, o outro sacerdote, o outro rei; em Cristo, ao contrário, tudo isso se reúne como na fonte de todas as graças. Por isso é dito em Isaías (33, 32): “O Senhor é nosso juiz, o Senhor é nosso legislador, o Senhor é nosso rei. Ele virá e nos salvará”.

Suma Teológica III, q.22, a.1

[Depois de ter lembrado a significação da unção e o sentido da palavra Cristo, Tomás continua:] Cristo é rei… é também sacerdote… foi igualmente profeta… convinha-lhe, pois, ser ungido com o óleo de santificação e de alegria. É dele que vêm os sacramentos que são os instrumentos da graça … mas esta unção convém igualmente aos cristãos. Eles são, com efeito, reis e sacerdotes: “Vós sois uma raça eleita, um sacerdócio real” (1 Pd 2, 9), “Fizeste de nós para Deus um reino de sacerdotes” (Ap 5, 10). Eles têm igualmente o Espírito Santo, que é o Espírito de profecia: “Espalharei meu Espírito sobre toda carne” (Jl 2, 28; cf. At 2, 17). Por isso todos são ungidos com uma unção invisível: “Aquele que nos firmou convosco em Cristo e que nos deu a unção é Deus” (2 Cor 1, 21); “Recebestes a unção vinda do Santo e sabeis tudo” (1 Jo 2, 20). Mas que relação existe entre Cristo ungido e os cristãos ungidos como ele? Ei-la: ele tem a unção a título principal e primeiro, nós e os outros a recebemos dele … Por isso os outros são chamados santos, mas ele é o Santo dos santos. Ele é a fonte de toda santidade.

In ad Hebraeos 1,9, lect. 4, n. 64-66

Santo Tomás de Aquino, Igreja, Teologia

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