Fragmentos: A providência e a criatura racional

Quando algum todo não é o último fim, mas se ordena para um fim ulterior, o fim da parte não é o todo, mas outra coisa. O conjunto das criaturas ao qual é referido o homem como a parte ao todo não é o último fim, mas se ordena para Deus, como para seu último fim. Por isso, o bem que representa o universo não é o último fim do homem, mas o próprio Deus.

(Suma Teológica I-II, q.2 a.8)

É manifesto que a divina providência se estende a todas as coisas. Deve-se, entretanto, observar que, entre todas as outras criaturas, existe um regime providencial particular para as criaturas intelectuais e racionais. Elas ultrapassam as outras tanto pela perfeição de sua natureza quanto pela dignidade de seu fim.

Pela perfeição de sua natureza, porque apenas a criatura racional tem o domínio de seus atos, determinando-se ela mesma à sua operação própria, enquanto as outras criaturas são muito mais movidas do que se movem a si mesmas … Pela dignidade de seu fim, porque apenas a criatura intelectual chega a alcançar o fim último do universo por sua operação, conhecendo e amando Deus; enquanto as outras criaturas não podem chegar a esse fim último a não ser por uma certa semelhança participada.

(Suma contra gentios III, 111 n. 2.855)

Apenas a criatura racional é conduzida por Deus em sua atividade, referindo-se não somente à espécie, mas ainda ao indivíduo … A criatura racional depende da divina Providência como governada e digna de atenção por ela mesma e não somente em vista da espécie.

(Suma contra gentios III, 113)

As criaturas menos nobres existem para as mais nobres; por exemplo, as criaturas inferiores ao homem existem para ele e também elas existem para a perfeição de todo o universo. Mais ainda, todo o universo e cada uma dessas suas partes ordenam-se para Deus, como para seu fim, enquanto nelas a bondade divina por uma certa semelhança é representada tendo em vista a glória de Deus. Todavia, as criaturas racionais, além disso, e de certa maneira especial, têm seu fim em Deus, que poderão atingir por seus atos de conhecimento e amor.

(Suma Teológica I, q.65 a.2)

O universo é mais perfeito em bondade do que a criatura dotada de inteligência, em extensão e difusão. Mas intensiva e coletivamente a semelhança da perfeição divina se encontra mais na criatura dotada de inteligência porque pode acolher o sumo Bem (capax summi boni).

(Suma Teológica I, q.93 a.2)

Tomás de Aquino, Santo Tomás, teologia, filosofia

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