Redescobrindo Giotto

Giotto, dia da ascensão do evangelista João, capela Peruzzi da basílica da Santa Cruz, em Florença (clique para ampliar)

FLORENÇA, sexta-feira, 12 de março de 2010 (ZENIT.org).- Uma luz ultravioleta revelou detalhes até então desconhecidos dos afrescos de Giotto, localizados na capela Peruzzi da basílica da Santa Cruz, em Florença.

Trata-se das pinturas que recriam passagens das vidas de São João Batista e São João Evangelista, datadas de cerca do ano 1.320, onde antes só se podia ver uma sombra pálida.

Giotto, evangelista João em Patmos, capela Peruzzi da basílica da Santa Cruz, em Florença (clique para ampliar)

Graças a essa descoberta, os restauradores podem ver alguns volumes, decorações e detalhes com um surpreendente naturalismo, o que tornam essas obras mais valiosas. Esse feito pode representar um marco nos estudos sobre o célebre artista italiano dos séculos XIII e XIV.

A perda de detalhes das obras de Giotto presentes nessa capela se deve às várias restaurações que sofreram. No século XVIII, os afrescos foram cobertos com cal, e no século XIX foram redescobertos pelo pintor e restaurador Gaetano Bianchi, que repintou os traços e os detalhes danificados.

Giotto, a ressurreição de Drusiana pelo evangelista João, capela Peruzzi da basílica da Santa Cruz, em Florença (clique para ampliar)

Em uma terceira restauração realizada em 1958, foram retiradas as partes que foram refeitas por Bianchi, o que debilitou as figuras e as deixaram frágeis. Agora, graças à luz ultravioleta é possível, vê-las como eram originalmente.

Essa descoberta é fruto de um projeto que se iniciou em 2007 entre o Museu Opificio delle Pietre Dure de Florença, a Obra da Santa Cruz e The Getty Foundation de Los Angeles para um diagnóstico sobre os afrescos desse autor presente na basílica de Santa Cruz.

“Muitos detalhes da obra original giottesca”, disse em declarações à imprensa Cecília Frosni, coordenadora dessa investigação, “perderam-se para a visão normal: Giotto decidiu realizar a pintura a seco para obter efeitos diversos sob o que era feito com a técnica do afresco”, garantiu.

Giotto, a festa de Herodes, detalhe, capela Peruzzi da basílica da Santa Cruz, em Florença (clique para ampliar)

Frostini esclarece que os materiais usados originalmente eram “frequentemente utilizados para pintura em madeira, que ao longo do tempo não se mantiveram; seus vestígios em combinações com alguns pigmentos foram descobertos somente com raios ultravioletas”.

A equipe que trabalha na investigação dessas pinturas é composta por 34 pessoas, entre historiadores de arte, restauradores e pesquisadores. É esperado que as obras em diagnóstico durem em média dois anos e meio, tanto na capela Peruzzi como na Brandi, que também faz parte da basílica de Santa Cruz.

Até o momento, os novos detalhes descobertos somente são visíveis com esta luz ultravioleta, mas a exposição contínua desses raios podem danificá-las ainda mais.

Giotto, a festa de Herodes, detalhe, capela Peruzzi da basílica da Santa Cruz, em Florença (clique para ampliar)

A única forma de compartilhar a descoberta com o público em geral pode ser a digitalização dessas imagens, que permite aos visitantes desfrutar de uma capela virtual nas telas de computador.

Pouco se sabe da vida de Giotto, o grande pintor do século XIII e XIV, cujas pinturas se caracterizam por representações tridimensionais do espaço, a recuperação do naturalismo, da imagem, da figura humana e da introdução de uma dimensão afetiva.

Giotto, a ressurreição de Drusiana pelo evangelista João, detalhe, capela Peruzzi da basílica da Santa Cruz, em Florença (clique para ampliar)

Na monumental basílica gótica de São Francisco, principal ponto de referência de Assis, na Itália, Giotto pintou uma de suas obras-primas: as principais cenas da vida de São Francisco: sua conversão, o abandono de seus bens, um momento de êxtase, a canonização de São Francisco, entre outras.

Giotto passou de um estilo bizantino para um mais realista e inovador. Alcançou seu máximo explendor às ordens do Papa Bonifácio VIII.

Ele aprendeu a representar não só pessoas, objetos e paisagens, mas também, pela primeira vez em muitos séculos, o estado psicológico dos personagens por meio das posturas e expressões dos rostos.

 

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One Response to Redescobrindo Giotto

  1. Gabriel says:

    e um otimo texto falando sobre geotto.

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