Aeterni Patris em PDF

Francisco de Zurbarán, Apoteose de Santo Tomás, 1631, Museo Provincial de Bellas Artes, Sevilla (clique para ampliar)

CARTA ENCÍCLICA AETERNI PATRIS DO SUMO PONTÍFICE
LEÃO XIII, SOBRE A RESTAURAÇÃO DA FILOSOFIA CRISTÃ
CONFORME A DOUTRINA DE SANTO TOMÁS DE AQUINO

Trechos:

Se alguém fixar a sua atenção, nas lutas encarniçadas desses dias, e procurar uma razão, para os problemas que assolam a vida pública e privada, deverá, sem dúvida, chegar à conclusão de que uma causa fecunda, dos males, que agora nos afligem, assim como daqueles que tememos, está no seguinte: as falsas conclusões, no que concernem às coisas divinas e humanas, que se originaram, nas escolas dos filósofos, se adentraram, agora, por todas as esferas do Estado e foram aceitas pelo consenso das massas. Pois, sendo da própria natureza do homem, seguir, em seus atos, o que lhe indica a razão, se o intelecto peca, a vontade logo o seguirá, e assim ocorre que opiniões falsas, cuja sede seja o entendimento, influenciem as ações humanas e as perverta.

Atentai bem: dentre os Doutores Escolásticos, brilha grandemente Santo Tomás de Aquino, príncipe e mestre de todos, o qual, como adverte Caetano: “por haver venerado, de grande maneira, os antigos Doutores sagrados, obteve, de algum modo, a inteligência de todos eles”.

E, por ter também empregado, este método filosófico, para refutar o erro, o santo Doutor chegou ao seguinte resultado: sozinho, combateu vitoriosamente os erros dos tempos passados e forneceu armas invencíveis para serem usadas, a fim de cortar, pela raiz, os que possam surgir nos tempos futuros.

Ademais, distinguindo muito bem a razão da fé, como é justo, e associando-as, sem embargo e amigavelmente, conservou os direitos de uma e de outra, promovendo a dignidade de ambas. De tal sorte, foi a razão, por Tomás elevada a maior altura, que quase não pode erguer-se a regiões mais sublimes, e nem a fé – da razão – pode esperar, praticamente, auxílios mais poderosos que os conseguidos por Tomás.

Porém, a maior glória, prestada a Tomás, por uma honra nunca concedida – a nenhum dos outros Doutores católicos – consiste em que os Padres tridentinos, para estabelecerem a ordem, no mesmo Concílio, quiseram que, juntamente com os livros da Escritura e os decretos dos Sumos Pontífices, se pusesse sobre o altar, a Suma de Tomás de Aquino, para que nela buscassem: conselhos,  razões e decisões.

Deixando-se arrastar os homens por este exemplo, o amor à novidade, pareceu também invadir, em algumas partes, os ânimos dos filósofos católicos, os quais, deixando o patrimônio da sabedoria antiga, e não sem detrimento das ciências, prefeririam, certamente, com uma prudência pouco sábia, erguer novo edifício, ao invés de fortalecer e completar, com o novo, o anterior. Pois esta multiforme regra de doutrina, fundada na autoridade e no alvitre de qualquer catedrático, tem um fundamento aberto a mudanças e, conseqüentemente, nos lega, em lugar de uma filosofia firme, estável e forte – como a de antigamente – uma filosofia fraca e vacilante. E, se, por acaso – ela alguma vez – não se encontra à altura dos golpes de seus adversários, deveria reconhecer, ser, ela mesma, a culpada por este estado de coisas.

Os motivos que nos movem a querer com grande ardor são muitos. Primeiramente, sendo costume, em nossos dias tempestuosos, combater a fé com as maquinações e as astúcias de uma falsa sabedoria, todos os jovens e, em especial os que se educam para o serviço da Igreja, devem ser alimentados, por isto mesmo, com poderosa e robusta doutrina para que, potentes com as suas forças e equipados com suficientes armamentos, se acostumem, com o tempo, a defender, forte e sabiamente, a causa da religião, dispostos sempre – segundo os conselhos evangélicos – “a satisfazer a todo aquele que os pergunte sobre a razão daquela esperança que temos” e “ a exortar com a sã doutrina e a convencer aos que a contradizem”. Ademais, existem muitos homens que, apartando o seu espírito da fé, desprezam os ensinamentos católicos, dizendo que, para eles, só a razão é mestra e guia. Para saná-los, e fazê-los voltar à fé católica, além do auxílio sobrenatural de Deus, julgamos, que nada é mais oportuno, que a sólida doutrina dos Padres e dos escolásticos, os quais demonstram, com tanta evidência e energia, os firmíssimos fundamentos da fé, a sua origem divina, a sua infalível verdade, os seus motivos de persuasão, bem como os benefícios que ela – (a fé)  – têm prestado ao gênero humano, e a sua perfeita harmonia com a razão, de maneira a satisfazer, completamente, mesmo os entendimentos mais opostos e contrários.

A mesma sociedade civil e doméstica, que se encontra, como todos sabemos, em grande perigo, por causa da peste dominante e das opiniões perversas, certamente viveria, mais tranqüila e segura, se, nas Academias e nas escolas, se ensinasse doutrina mais sã e mais em conformidade com o ensinamento da Igreja, tal como contêm as obras de Tomás de Aquino.


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