Convém ao homem agir em vista do fim?

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RESUMO ESQUEMÁTICO

ARTIGO

DIVERSOS

RESUMO ESQUEMÁTICO

“Convém ao homem agir em vista do fim?”

1)

• São ditas ações humanas as que pertencem ao homem enquanto homem.

O que diferencia o homem das criaturas irracionais é este ter o domínio de seus atos.

• O homem tem o domínio de suas ações pela razão e pela vontade.

Livre arbítrio = faculdade da vontade e da razão.

• Portanto, serão ditas ações propriamente humanas as ações que procedem da vontade deliberada, ou seja, dos atos que procedem da vontade esclarecida pela inteligência.

• Outras ações poderão ser chamadas ações “do homem“, mas não propriamente ações humanas“.


2)

• Todas as ações que procedem de uma potência (no caso, a vontade) são por ela causados em razão de seu objeto.

• “Toda potência possui um objeto e define-se por ele.” (Ver                                       vocabulário: Objeto, nº 3)

• O objeto da vontade é o fim e o bem.

• Logo, é necessário que todas as ações humanas tenham em vista o fim.

:ARTIGO:

QUANTO AO PRIMEIRO ARTIGO, ASSIM SE PROCEDE: – Parece que não convém ao homem agir para um fim.

1. – Pois, o que tem naturalmente prioridade é a causa. Ora, o fim, como a própria palavra o indica, é por natureza o último. Logo, o fim não exerce a função de causa. Ora, o homem age para a causa da ação, pois, a preposição para designa função causal. Logo, não convém ao homem agir para um fim.

2. ALÉM DISSO, o fim que é último não existe para outro fim. Ora, certas ações constituem um fim último, como se vê no Filósofo no livro I da Ética. Logo, nem tudo o homem faz para um fim.

3. ADEMAIS, parece que o homem age para um fim quando delibera. Ora, praticamos muitos atos sem deliberação e sem mesmo, muitas vezes, neles pensar; assim, enquanto pensamos em outras cousas, movemos o pé ou a mão, ou esfregamos a barba. Logo, nem tudo o homem faz para um fim.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, tudo o que pertence a um gênero deriva do princípio desse gênero. Ora, como se vê claramente no Filósofo no livro II da Física, o fim é o principio das operações do homem. Logo, a este convém fazer tudo para um fim.

RESPONDO. – Das ações feitas pelo homem só se chamam propriamente humanas as que lhe são próprias, enquanto homem. Ora, este difere das criaturas irracionais, por ser senhor dos seus atos. Por onde, chamam-se propriamente ações humanas só aquelas de que o homem é senhor. Ora, senhor das suas ações o homem o é pela razão e pela vontade, sendo por isso o livre arbítrio chamado a faculdade da vontade e da razão. Portanto, chamam-se ações propriamente humanas as procedentes da vontade deliberada; e se há outras que convêm ao homem, essas podem, por certo, chamar-se ações do homem, mas não propriamente humanas, pois não procedem dele como tal. Ora, é manifesto que todas as ações procedentes de uma potência são por esta causadas de acordo com a razão de seu objeto. E como o objeto da vontade é o fim e o bem, necessário é tendam todas as ações humanas para um fim.

QUANTO AO 1º. – Último na execução, o fim é contudo o primeiro na intenção do agente, e por isso tem a natureza de causa.

QUANTO AO 2º. – Qualquer ação humana que seja fim último há de necessariamente ser voluntária; do contrário não seria humana, como já se disse. Ora, em duplo sentido uma ação é chamada voluntária. Por ser imperada pela vontade, como andar ou falar; ou por ser dela decorrente, como o querer, em si mesmo. Ora, é impossível que o ato mesmo decorrente da vontade seja fim último. Pois, o objeto da vontade é fim como o da visão é cor. Por onde, assim como é impossível que o primeiro visível seja a visão mesma, porque toda visão se refere a algum objeto visível; assim também é impossível que o primeiro desejável, que é fim, seja o querer em si mesmo. Donde resulta que se alguma ação humana for fim último, há de ser imperada pela vontade. E então, em tal caso, há de haver alguma ação do homem – ao menos, o próprio querer, que seja para um fim. Logo, faça o homem, seja o que for, é verdade dizer-se que age para um fim, mesmo operando um ato que seja o último fim.

QUANTO AO 3º. – Tais ações não são propriamente humanas, por não procederem da deliberação da razão, princípio próprio dos atos humanos. E por isso têm certamente um fim imaginado, não, porém, estabelecido pela razão.

DIVERSOS:

Introdução dos Tratados: A Bem-Aventurança

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